Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
  • Ícone FelizÍcone InspiradoÍcone SurpresoÍcone IndiferenteÍcone TristeÍcone Indignado
guaraná refrigerante
O refrigerante de guaraná caiu no gosto popular.| Foto: Bigstock

Há 100 anos, o guaraná, fruto original da Amazônia brasileira, é utilizado para fabricação de um refrigerante que se tornou símbolo do Brasil nos mais de 50 países onde é comercializado: o Guaraná Antarctica. Para se ter uma ideia, tem até rótulo em japonês do produto, feito até hoje a partir de ingrediente certificado. Para manter as origens e a qualidade, as etapas de plantação e torrefação do fruto ainda se concentram na Amazônia, com produção própria e colaboração de produtores locais.

O nome “guaraná” vem do tupi “wara’ná”, que significa “grande cipó da floresta amazônica”. O fruto nativo foi cultivado pelo povo Sateré-Mawéda da terra indígena Andirá-Marau, em Maués. O produto sempre teve o seu potencial energético reconhecido entre os nativos. Depois, os colonizadores começaram a usá-lo em forma de bebida. Em agosto de 1921, a Companhia Antarctica Paulista passou a produzir o refrigerante de forma industrial, usando o insumo da Amazônia. Com o nome Guaraná Champagne, o apelo comercial era pelas características que lembravam a bebida glamourosa, com as bolhas do gás e a cor.

O produto ficou conhecido como o refrigerante brasileiro e passou a ser exportado na década de 1990 para países como Portugal, Japão, China e Estados Unidos. Hoje, apenas o Guaraná Antarctica é consumido em mais de 50 países pelo mundo. "Os gringos reconhecem como o gostinho do Brasil fora do Brasil", comenta Julia Chieppe, gerente de marketing de Guaraná Antarctica.

O Guaraná Antarctica tem rótulo especial no Japão, um dos 50 países onde a bebida é comercializada. Foto: Antonio Riker Souza/Flickr
O Guaraná Antarctica tem rótulo especial no Japão, um dos 50 países onde a bebida é comercializada. Foto: Antonio Riker Souza/Flickr

A maior produtora de refrigerante continua produzindo e colhendo em Maués, onde o fruto é colhido uma vez por ano, entre outubro e novembro. No início de 2021, o guaraná foi o primeiro produto indígena a receber o reconhecimento de Denominação de Origem, da Indicação Geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A certificação reforça a região como centro de extração e produção do guaraná, tanto em função do bioma, quanto pelo saber fazer dos indígenas.

Para manter a pureza do produto, o INPI exige que não seja realizada nenhuma reprodução dos guaranazais por meio de clonagem na região delimitada e a produção precisa ser artesanal. Com isso, a produção deve incluir a defumação dos grãos para a obtenção do bastão de guaraná com cor, aroma, sabor e consistência específicos.

Guaraná 100 anos
Maior produtora do refrigerante mantém plantação na Amazônia.| Divulgação

Terra do Guaraná

A cidade de Maués tem 62 mil habitantes e fica a 267 km da capital Manaus. É conhecida como a terra do guaraná, não somente pela origem, mas porque é lá que o maior fabricante do refrigerante feito à base de guaraná, a Ambev, mantém a Fazenda Santa Helena, desde 1971. O local possui 1.070, hectares - 20% é destinado à plantação do guaraná e 80% é área de preservação ambiental. Parte do cultivo é usado para estudo e verificação da qualidade do produto.

A produção da Fazenda Santa Helena supre uma pequena parte da demanda para a fabricação da bebida. O restante é comprado de produtores rurais locais de Maués, o que acaba imprimindo um caráter de sustentabilidade no ciclo produtivo do refrigerante, conhecido em escala mundial.

Campanhas memoráveis

Quem não se lembra dos jingles de sucesso que promovia o casamento entre guaraná e os queridinhos pizza e pipoca do Guaraná Antarctica? As trilhas grudaram na cabeça de muita gente, que, é bem possível, volta e meia se pega cantarolando. "São jingles geniais, que levavam a identificação do consumo em casa, pelas famílias. E foi marcante. Quem comia pipoca lembrava de Guaraná", comenta Julia Chieppe. A peça publicitária da pipoca teve uma releitura no ano passado, protagonizada por Manu Gavassi, levando ao consumo responsável em casa, em função da pandemia.

Uma das mais ousadas foi a campanha que mostrava o jogador argentino Maradona, que faleceu no ano passado, com a camisa do Brasil cantando o nosso hino. Na peça publicitária, ele acorda do pesadelo e credita o sonho malfadado ao excesso do consumo do refrigerante de guaraná da Antarctica. A marca, aliás, ao longo de seus 100 anos, sempre teve um estreitamento de laços com a seleção brasileira e os esportes, de uma maneira geral.

Em campanha dos 100 anos do Guaraná, a Ambev está chamando seus consumidores a darem ideias de campanhas e novos sabores para o refrigerante brasileiro. “Vem novidade boa por aí. Mas o sabor original do Guaraná continua. O brasileiro tem uma ligação enorme tanto com a marca quanto com o sabor.”, comenta Julia Chieppe, gerente de marketing de Guaraná Antarctica.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]