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Alimentos frescos
O consumo de alimentos frescos e produzidos o mais perto possível é uma tendência que deve continuar no pós-pandemia.| Foto: Unsplash

Embora a pandemia ainda não dê sinais de que vai acabar tão cedo no Brasil ou ser superada como na China, o país de origem, já é possível observar alguns dos comportamentos das pessoas que devem permanecer depois. Alimentação saudável, engajamento social e o uso massivo da tecnologia são as apostas dos participantes do último talk desta terça (8), do Hack pela Gastronomia, do que continuaremos a ver no nosso dia a dia.

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Ao longo de uma hora e meia de bate-papo com a jornalista Flávia Schiochet, da Pinó, a especialista em marketing da Jasmine Alimentos, Cristiane Alves dos Santos; o coordenador global de projetos sociais da Food Foundation da Electroluc, Cosimo Scarano; e o colunista do blog Missão China do Gazz Conecta e fundador da consultoria Inovasia, Felipe Zmoginski, fizeram um paralelo do que viram em suas áreas com o que já se observa em outros países do mundo e tendências que estão se mostrando reais no Brasil.

A questão da alimentação mais saudável se explica por questões como a ressignificação do próprio lar, com as pessoas passando mais tempo em casa e cozinhando a própria comida. Para Felipe Zmoginski, pesquisas feitas na China no pós-pandemia mostram que as pessoas mantiveram esse hábito, mesmo com poucos registros de novos casos.

“Com a falta de certeza de tratamento, as tendências de se alimentar melhor e praticar exercícios continuam lá. Uma lição que fica é que a gente não sai dessa situação de pandemia igual éramos antes”, explica.

É isso que a especialista de marketing da Jasmine Alimentos já observa por aqui, com pesquisas mostrando que o consumo de alimentos saudáveis aumentou em 63% no início da pandemia e que se mantém até hoje.

“Ficou evidente que muitas pessoas aprenderam a cozinhar e isso trouxe um relaxamento e um hobby, e elas dizem que vão continuar com essa alimentação dentro do lar, conhecendo aquilo que você está utilizando”, afirma Cristiane Alves.

Ressignificação do lar

A continuidade destes hábitos saudáveis se reflete na própria busca das pessoas por melhorias em casa. No ano passado, a Electrolux fez uma pesquisa mundial que revelou a preocupação dos moradores da América Latina com a qualidade da água e do ar, e isso fez aumentar as vendas de eletrodomésticos como aspiradores de pó e purificadores durante a pandemia.

Para Cosimo Scarano, as pessoas estão pensando mais na própria casa do que antes, já que eram acostumadas a sempre estar na rua e nos restaurantes. E esse uso maior da cozinha trouxe também a preocupação com o que se consome nela.

Ele lembra que o Brasil desperdiça 40% dos alimentos que produz em algum momento da cadeia, seja no plantio ou em casa. Para ele, isso é algo que está mudando aos poucos, lentamente, que precisa de um incentivo a mais.

“A gente fala quais são as escolhas e consequências delas. As pessoas estão cozinhando em casa e estão em busca de melhores alimentos e novas receitas. Então nesse sentido tivemos uma aceleração muito maior por conta da pandemia”, diz.

Essa conscientização se dá também pelo consumo cada vez maior de alimentos produzidos o mais perto possível, e não mais aquele importado vendido nas grandes redes varejistas. Zmoginski diz que a pandemia clarificou o conceito de ‘solidariedade econômica’.

“Em que a pessoa pensa em comprar do seu João com dois filhos pra criar do que com o grande supermercado, e o temor de se contaminar no pós-Covid empurra as pessoas a fazerem menos deslocamento possível. Então há claramente um favorecimento do comércio local, com uma tendência de aumento do faturamento e preferencia sobre grandes redes”, esclarece.

Consciência do restaurante

Embora as pessoas tenham por tendência continuar cozinhando em casa com alimentos produzidos o mais perto possível e sem se deslocar muito, a experiência do restaurante vai continuar existindo. No entanto, este espaço de convivência precisa passar por uma ressignificação se quiser continuar entre os novos hábitos das pessoas – e demonstrar a preocupação com o alimento e com a sua própria postura perante a sociedade.

“O restaurante não vai deixar de ser uma experiência, você vai continuar indo lá”, explica Zmoginski.

Cristiane Alves vê que a experiência do salão terá de ser mais personalizada e mais consciente sobre os novos hábitos dos clientes. Não será algo unânime e nem generalizado, mas presente em grande parte da população.

É algo como se vê com a percepção das pessoas com as marcas, em que pesquisas internacionais apontam que 85% dos consumidores vão levar em conta como as empresas se comportaram durante a pandemia.

“O que vimos é que estamos juntos, as empresas não podem mais fugir de como tratam seus colaboradores, os consumidores e a sociedade”, conclui Cosimo Scarano.

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