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Negócios oportunidades
A crise também gera oportunidades. Empresários contam como aproveitá-las.| Foto: Pixabay

Dentro do universo do empreendedorismo, mais especificamente no setor gastronômico, a pandemia do novo coronavírus não foi a primeira e tampouco será a última crise enfrentada; ao menos, é o que dizem os profissionais da área. Sendo assim, o caminho mais promissor para superar momentos de dificuldade é usufruir das oportunidades que surgem, apostando em novos canais e formatos de venda.

Em um dos talks do Hack pela Gastronomia, mediado por Flávia Alves, do Bom Gourmet, os empreendedores Luiz Antonio de Lima, sócio-proprietário das redes Spedini e It's Grill, Rodrigo Barros, empresário à frente da Boali, e Eduardo Cordova, CEO da Market4u, discutiram quais foram as estratégias adotadas em seus negócios para darem a volta por cima na crise -- e quais são as premissas que devem orientar qualquer empreendedor neste momento.

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A primeira premissa diz respeito ao trabalho em equipe e enfatiza o fato de que nenhuma empresa se consolida (ou se mantém no mercado) sustentada por apenas uma pessoa. Luiz Antonio de Lima, que tem duas redes franqueadas em todo o país, explica que o primeiro passo para encarar a nova crise foi se manter fiel aos colaboradores.

De acordo com ele, não seria justo, logo no primeiro momento de dificuldade, demitir funcionários que, até então, tinham contribuído para o bom desempenho das marcas.

“Fortalecer essa fidelidade foi o que fez com que todos trabalhassem ainda melhor”, afirma.

Além disso, Lima conta que também exercitou o relacionamento com os fornecedores, pois percebeu que a distância entre as marcas e eles gerava lacunas no processo de desenvolvimento do negócio.

Prevendo o futuro

Por conta de uma viagem de negócios à China cancelada em janeiro, Rodrigo Barros foi capaz de prever o cenário pandêmico para o qual o mundo estava caminhando e estabeleceu um plano de ações com seus colaboradores antes mesmo da crise chegar ao Brasil.

“No dia 11 de março, reuni meus franqueados e debatemos sobre estratégias que seriam antecipadas e adiadas, focando na preservação de pessoas e fluxo de caixa, aceitando e respeitando o novo contexto, e entendendo e se preparando para as oportunidades”, diz Barros.

Segundo ele, alinhar tudo isso com a equipe foi essencial não apenas para manter todas as operações abertas durante a pandemia, como também inaugurar quatro novas unidades.

As oportunidades também se mostraram abundantes para Eduardo Cordova que, durante a pandemia, impulsionou seu negócio, expandindo a equipe original de quatro colaboradores para mais de 100.

A Market4u, que trabalha como marketplace para vários setores, foi muito impulsionada nesse momento, como explica o CEO, por causa da tendência digital em ascensão. E atingiu, em menos de um ano, a meta de consolidar 1000 operações, que era o plano para três anos da marca.

“Um bom problema é muito melhor do que uma ótima ideia porque é justamente na crise que a gente empreende. O que precisamos fazer é ter agilidade para lidar com as mudanças; sempre, é claro, com responsabilidade e ética”, coloca Cordova.

Veja na íntegra como foi o bate-papo:

Novos hábitos, novas necessidades

Empreender, como explicam os participantes do talk, requer coragem para assumir riscos. Quanto mais o empreendedor conhece seu público e entende suas demandas, mais assertivo é o risco que ele corre.

A pandemia desencadeou nas pessoas novos hábitos de consumo, que incluem maior autonomia de compra, uma vez que o cliente está passando mais tempo em casa e em família, e consequentemente mais valorização da experiência. As pessoas, como afirma o sócio-proprietário do Spedini, estão sedentas por contato e, por isso, os modelos de negócios físicos que protagonizavam o mercado antes continuarão com intensidade na retomada.

No entanto, ele explica que, enquanto isso não acontece, é essencial que as marcas encontrem alternativas para atender a dinâmica atual do mercado.

“Logo que o isolamento começou, estávamos com todas as nossas unidades estocadas e precisávamos encontrar um canal de vazão desses produtos. Impulsionamos nossa plataforma de delivery e começamos a desenvolver uma linha de congelados para levar qualidade e comodidade às pessoas que estão fazendo home office”, diz Lima.

Para Cordova, essa adaptação a novos formatos e canais deve acontecer mais focada na solução do que no produto. “Você tem que ser apaixonado pela ideia que você promove. A partir disso, os produtos que você oferece serão consistentes em meios variados e o cliente vai perceber isso”.

Seguindo esse conceito, Barros conta que, na pandemia, a Boali lançou uma linha de congelados pensada para atender uma demanda social construída pela marca.

“Demos aos clientes a oportunidade de comprar os produtos por um preço reduzido, atendendo várias necessidades individuais, mas também oferecemos a opção deles pagarem o preço integral, com a promessa de que a Boali doaria o mesmo produto consumido a pessoas em situação de necessidade”, diz.

O empresário conta, satisfeito, que mais de 70% dos produtos congelados foram vendidos a preço integral, o que indica uma preocupação das pessoas com as dificuldades alheias, e que não deve ser ignorada pelas empresas.

Educação e conhecimento

Dentre as conclusões dos três empresários sobre como impulsionar negócios e aproveitar as oportunidades que emergem na crise, a maior foi a importância do conhecimento e de se educar a partir da experiência de outas pessoas dentro do setor.

De acordo com Barros, um empresário que não trabalha suas competências e respeita suas forças, terá resultados medíocres. “Não posso ser bom em tudo, então eu me ocupo daquilo que sou bom e me cerco de pessoas que complementam minhas competências com as suas próprias”, explica.

Existe um ecossistema globalizado que disponibiliza conhecimento, segundo Cordova, e, por isso, construir parcerias é essencial e, acima de tudo, para um empreendedor, é importante saber como ir atrás do conhecimento.

“Não se pode aprender aquilo que você acha que já sabe. É aí que vem a humildade de admitir que existem outras pessoas capazes de te ensinar. Deixar de investir nessa troca é deixar de investir na sua marca”, afirma o CEO.

Por fim, Luiz Lima aponta que um caminho consistente para novos empreendedores é buscar respaldo em uma franquia. Essa, como ele afirma, é uma forma de focar no relacionamento com os clientes e na gestão, deixando a parte de desenvolvimento de produtos para o franqueador. “Foi assim que eu comecei e aprendi tudo o que precisava para, depois, assumir minha própria franquia”.

Conteúdo editado por:Guilherme Grandi
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