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Comida de rua

No Brasil, hambúrguer em food truck custa mais que nos EUA

A comparação de preços é calculada com base na renda per capita. Outra diferença é que nas cidades norte-americanas os trucks têm mais liberdade para estacionar e trabalhar

por Andrea Torrente, colaborou Monique Portela Publicado em 03/12/2016 às 09h
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Quando a revolução dos food trucks começou a esquentar o motor no Brasil, a expectativa era grande: no imaginário coletivo, caminhões de comida pipocariam em toda esquina servindo comida variada, caprichada e, ainda, por um preço acessível. Hoje os caminhões estão na rua, mas a realidade é bem diferente.

Uma das críticas mais recorrentes dos consumidores brasileiros é sobre o preço da comida servida nos food trucks. Segundo Antônio Tanaka, presidente da Associação Paranaense de Food Trucks, isso se deve pelo investimento elevado para equipar um food truck, sem contar que impostos municipais, estaduais e federais consomem 40% do bolo. Isso acaba encarecendo o produto final, justifica ele.

Em São Paulo e Curitiba, um hambúrguer custa em média R$ 20. Para comparação, um levantamento feito pelo Bom Gourmet mostra que em Nova York o mesmo produto custa em média U$ 7, isto é R$ 23. Em Los Angeles, um sanduíche custa um pouco mais caro, em média U$ 9, equivalente a R$ 31.

À primeira vista, o preço lá fora pode parecer mais alto, mas uma análise mais profunda mostra o contrário. Se o valor for comparado à renda per capita de brasileiros e norte-americanos, um hambúrguer no Brasil é cerca de seis vezes mais caro que nos Estados Unidos.

Em Londres, um sanduíche sai por 6 libras (R$ 26). Em relação à renda per capita, um hambúrguer londrino é cinco vezes mais barato que nas cidades brasileiras.

Regras no Brasil e no mundo 

Pelo que se viu no Brasil até agora, o conceito de food truck foi desnaturado em relação à proposta original. Enquanto nos Estados Unidos, país onde o segmento é mais desenvolvido, os caminhões têm liberdade para parar em via pública. Por aqui, os food trucks foram praticamente submetidos a regras parecidas com as do comércio ambulante, com dias, horários e pontos estabelecidos pelas Prefeituras brasileiras.

Em São Paulo, por exemplo, o empresário deve informar o período e dias da semana em que o truck vai operar, não podendo ser inferior a quatro nem superior a 12 horas por dia. Isso porque o ponto é estático e o caminhão não pode circular pela cidade. Além disso, mais de um truck pode ocupar o mesmo espaço, desde que em dias ou horários diferentes. Caso mais de um truckeiro queira ocupar um mesmo espaço em um mesmo período, a Prefeitura realiza um sorteio.

Existem 900 pontos públicos liberados pelas subprefeituras de São Paulo. “Quase três anos após a regulamentação, ainda não superou 300  food trucks formais na cidade. Aliás, estimamos que mais de 20% não opera regularmente”, diz Sergio Molinari, da empresa Food Consulting, consultoria paulistana especializada no setor de alimentação fora do lar. 

Em Curitiba, por exemplo, o primeiro e único food truck autorizado a operar em locais públicos estreou nas ruas em outubro deste ano, mais de dois anos e meio depois da primeira proposta de regulamentação do setor ter sido protocolada na Câmara Municipal. De acordo com a Secretaria de Urbanismo de Curitiba, apenas 26 veículos tinham alvará até 14 de outubro, mas só podem atuar em eventos particulares. A Associação Paranaense de Food Trucks (APFT) calcula que haja mais de 150 trucks na capital paranaense.

 

Heloísa Carraro, da Mulher Massa em Curitiba. Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo

Heloísa Carraro, do food truck Mulher Massa em Curitiba, único autorizado a servir comida na rua. Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo

<<< Empresários explicam custos e lucro dos food trucks

<<< Único food truck de Curitiba licitado começa a operar em locais públicos

 

Estados Unidos

Em grandes cidades norte-americanas, como Los Angeles, as regras do setor são rígidas de um lado e flexível do outro. O que os trucks não podem fazer é estacionar a determinada distância de faixas de pedestre, garagem, estações de metrô, ponto de ônibus e devem manter livre a calçada. Fora isso, qualquer vaga de estacionamento é um potencial ponto de venda: basta abrir o caminhão para o lado da calçada e começar a servir comida.

A regulamentação norte-americana obriga os empresários a respeitar normas rigorosas em relação à construção dos trucks e aos equipamentos que podem ser instalados nos caminhões, chegando a determinar qual o tamanho da pia permitido. Em contrapartida, os food trucks têm maior liberdade de circulação nas ruas que no Brasil.

WASHINGTON DC - MAY 19 2016: A food truck is a large vehicle equipped including ice cream trucks, sell frozen or pre packaged food; others have on-board kitchens and prepare food from scratch.

Em Washington, tem mais opções para estacionar e servir e comida.

Em Nova York

Em Nova York, cidade símbolo da comida de rua, existem seis tipos de licença que se diferenciam pelo período de validade (de sazonais até dois anos), pelos bairros que abrangem e até pelo tipo de comida servida. Algumas licenças têm um número máximo, outras não.

A “citywide permit”, por exemplo, é válida por dois anos e permite operar em ruas públicas de todos os bairros, durante todo o ano. Existem 2.900 destas licenças. Já a licença para vendedor especializado também é válida por dois anos, mas permite operar só nos parques da cidade, durante todo o ano. Neste caso, não há número máximo de licenças.

Londres

A capital britânica elaborou uma legislação que fica no meio do caminho entre Brasil e Estados Unidos. Londres conta com 24 locais que possuem, juntos, 176 vagas. Em Curitiba a Prefeitura definiu 20 pontos por um total de 71 caminhões.

Em Londres, os food trucks podem funcionar das 7 às 3 horas e devem respeitar pelo menos 25 metros de distância de um restaurante ou de uma residência, entre outras exigências. Em Curitiba, a distância de bares e restaurantes foi fixada em 200 metros, mas não há limites em relação a logradouros.

 

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