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comida e literatura
Denise Godinho começou como blogueira e já publicou um livro: Capitu vem para o Jantar.| Foto: Divulgação

Cada um tem uma inspiração diferente para aprender a cozinhar. Para a jornalista Denise Godinho, 35, foi a relação entre comida e literatura que ela percebeu em seus livros preferidos. Mais precisamente, em Dom Casmurro, de Machado de Assis. “Fui reler o livro para um trabalho. E tem uma passagem onde Bentinho oferece uma cocada a Capitu, mas ela recusa. Aquilo me deu vontade de comer o doce. Improvisei com o que tinha no armário de casa. Mas essa coisa de comer o doce lendo sobre o doce me trouxe vários questionamentos”, lembra Denise.

A passagem do livro marca um momento importante na história dos protagonistas. E também levou a jornalista à uma reflexão: Por que uma cocada? Será que Machado de Assis provava o doce enquanto escrevia esse trecho? “Essa dúvida me levou a querer aprender a cozinhar. Me rendi às delícias da cozinha juntamente com meus escritores preferidos”, diz. Assim nasceu o projeto Capitu vem para o Jantar.

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Denise Godinho escreve sobre a relação entre literatura e gastronomia.

Em 2014, Denise criou um blog, onde ela investiga a relação entre comida e literatura, dando dicas sobre livros e autores e mostrando como preparar as receitas. “Comida é história: traz contextos históricos, culturais e sociais. E se o leitor percebe isso, a leitura fica muito mais completa”, avalia. “Os livros também podem esconder receitas deliciosas que muitas vezes estão ali para mais do que apenas alimentar um personagem.”

Sobre Machado de Assis, Denise descobriu que ele gostava, sim (e muito!), de cocada. “Ele adorava doces de coco e citou em outras oportunidades em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Esaú e Jacó, no conto D. Benedita e algumas crônicas. Inclusive, escreveu no jornal O Cruzeiro ‘o princípio social do Rio de Janeiro é o doce de coco e a compota de marmelo’".

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Cocada cremosa baseada na obra de Machado de Assis.

Livro e redes sociais

O blog teve uma repercussão muito boa. Tanto que, em 2016, a editora Verus a convidou a transformar a pesquisa em um livro. “Nas páginas de Capitu vem para o Jantar, apresento receitas literárias e crônicas. Tem ainda curiosidades sobre o apetite de alguns escritores e os hábitos alimentares peculiares de outros”, conta Denise.

Em 2020, durante a pandemia, a jornalista resolveu se dedicar mais às redes sociais. E o interesse pelo trabalho dela cresceu muito. Atualmente seu Instagram tem cerca de 14 mil seguidores (em 2020 tinha pouco mais de 3 mil), e acabou se tornando seu principal canal de publicação.

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Sopa de tomate do livro O Iluminado de Stephen King.

No Instagram dá para aprender a fazer, entre outros, o Bolo de Aniversário do Harry Potter, o Leite Azul de Star Wars, o Manjar Turco de as Crônicas de Nárnia, o Frango de D. João VI, a Sopa de Tomate de O Iluminado e Torta de Mirtilos de O Amor é Fogo.

O novo projeto de Denise é o “Manjar do Literato”, um clube do livro mensal para debater uma grande obra literária e a importância dos alimentos presentes na história. A primeira edição, em janeiro, foi sobre Dom Casmurro. Em fevereiro, será a A Hora da Estrela, de Clarice Lispector.

Receita da paella do Hemingway

Durante suas pesquisas, Denise descobriu que o escritor norte-americano Ernest Hemingway adorava paella. Ela conta que, certa vez, ele decidiu aprender a fazer o prato e pediu ajuda para Emílio González, o então proprietário do restaurante Botin, aberto em 1725 em Madri. O prato é citado em Por Quem os Sinos Dobram e o Botin é citado em duas outras obras do americano: em Morte na Tarde e em O Sol Também se Levanta.

“Eu tinha que conseguir essa receita. Então quando estava escrevendo o livro, mandei um e-mail despretensioso para o Botin. Para minha surpresa, me respondeu o Carlos Gonzáles, neto de Emílio e atual proprietário do restaurante”, conta Denise.

Além de repassar para a jornalista a receita (que não está mais no cardápio do restaurante), ele revelou outras curiosidades sobre a relação entre Hemingway e o avô. “Ele contou que o escritor nunca conseguiu fazer o prato direito. Por fim, eles concordaram que cada um deveria continuar a se dedicar ao que sabiam fazer: Hemingway com a literatura e Emílio com a cozinha”.

Para quem quiser se arriscar, Denise mandou para o Bom Gourmet a receita original de Paella do Botin. E se quiser saber como fazer a cocada do Bentinho, acesse o blog. Mais informações: @capituvemparaojantar.

Paella de pescados e mariscos do Botin

Emílio González
PreparoMédio

Ingredientes

  • 1 kg de camarões pequenos
  • 2 lulas cortadas em rodelas
  • 200gr de mexilhões
  • 1 vidro de azeitonas pretas
  • Azeite de oliva
  • 1 lata de ervilhas
  • 2 xícaras de arroz parabolizado
  • Alho à gosto
  • Pimenta do reino à gosto
  • Sal à gosto
  • Açafrão à gosto
  • 2 cebolas roxas picadas
  • 3 tabletes de caldo de camarão
  • Salsa e cheiro verde
  • 3 pimentões frescos
  • 4 ovos cozidos para enfeitar

Modo de preparo

  1. Esquente o azeite na panela e coloque o alho para dourar, em seguida acrescente as cebolas picadas.
  2. Junte os mexilhões e a lula. Deixe dourar e coloque os camarões junto com o açafrão e os tabletes de caldo de camarão. Tempere com sal e pimenta.
  3. Cozinhe o arroz à parte e acrescente na paella quando os camarões começarem a ficar rosados. Coloque as ervilhas, as azeitonas e o pimentão.
  4. Por último acrescente a salsa e o cheiro verde.
  5. Enfeite com os pimentões, os ovos cozidos e as azeitonas.
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