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Estudo

Após uma década, indústria das cervejas artesanais desacelera nos EUA

Em 2017, foram quase 1 mil novas inaugurações de cervejarias e 165 fechamentos

por Bom Gourmet, com agência do The Washington Post Publicado em 15/04/2018 às 14h
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Será que as cervejas artesanais já atingiram o auge? Um sinal de que a indústria começou a desacelerar o crescimento é que 2017 foi o ano em que mais cervejarias artesanais nos Estados Unidos fecharam na última década.

Enquanto os produtores de cervejas artesanais viram maior crescimento na produção no ano passado do que mostra o panorama geral do mercado, o ritmo já está está diminuindo. Um novo estudo da Brewers Association – associação que representa as pequenas cervejarias artesanais dos EUA – mostra que elas viram um crescimento de 5% no volume da produção em 2017.

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Foto: Albari Rosa.

O crescimento mostra que o setor é cada vez mais concorrido, levando a cada vez mais fechamentos de pequenas cervejarias artesanais. Em 2017, foram quase 1 mil novas inaugurações de cervejarias nos Estados Unidos, e 165 fechamentos –  isto é, 2,6% das cervejarias existentes fecharam. Isso é um salto de 42% em relação ao ano anterior, quando 116 cervejarias haviam encerrado as atividades.

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Especialistas dizem que o mercado ainda não está saturado e que a redução na demanda é inevitável para qualquer indústria em ascensão e que, com o tempo, começa a amadurecer. “Nós vimos um pouco de desaceleração”, afirma Bart Watson, economista-chefe da Brewers Association. “Quando você está falando de uma indústria que vende dezenas de bilhões de dólares por ano, é difícil crescer para taxas de dois dígitos.”

O crescimento na indústria de cervejas artesanais começou no final dos anos 1970 e início de 1980, segundo Watson, e ressurgiu na última década. Com consumidores majoritariamente compostos por homens jovens, brancos e com maior renda, a indústria ganhou seu ponto de apoio entre adultos dispostos a pagar mais por cervejas de melhor qualidade do que aquelas da produção em massa que dominou o mercado há muito tempo.

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As pequenas indústrias cervejeiras competem entre si por torneiras em restaurantes e espaços nas prateleiras nos comércios. Elas também vão contra os grandes produtores, que têm ampla influência na distribuição nacional das cervejas, e que frequentemente compram companhias menores. Em 2011, por exemplo, a Anheuser-Busch InBev comprou a cervejaria artesanal Goose Island por quase US$ 39 milhões, a primeira de uma série de aquisições similares. “As maiores cervejarias tem muitas formas de empurrar o produto para o mercado, ao invés de confiar na atração do consumidor”, diz Watson.

Matt Simpson, dono da consultoria de cervejas artesanais The Beer Sommelier, diz que a desaceleração é natural depois de uma “explosão inicial”. Há muitas razões pelas quais os cervejeiros não conseguem continuar com os seus negócios.

Algumas dessas empresas, segundo ele, resultam de produtores caseiros que não sabem como conduzir um negócio de sucesso ou produtos de mercado. Ao mesmo tempo, a indústria reviveu o entusiasmo em torno dos aficionados por cervejas artesanais que decidem fundar uma cervejaria e às vezes fazer uma cerveja ruim.

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Simpson também lembrou de uma conferência recente de cervejeiros artesanais em que um palestrante disse que, se os novatos não produzirem bom produtos, “se tornariam a morte da produção caseira”. “A maioria dos produtores entrando no mercado está produzindo cerveja de qualidade”, afirma Simpson, “mas algumas maçãs podres podem estragar todo o grupo.”

Com mais de 6.300 cervejarias operando nos Estados Unidos em 2017, pequenos e independentes produtores representam quase 13% da quota de mercado do volume total da indústria de cervejas. Cervejeiros artesanais produziram 25,4 milhões de barris em 2017, com uma estimativa de valor de varejo de US$ 26 bilhões segundo a Brewers Association. Durante a maior parte da última década, o crescimento da indústria chegou aos dois dígitos, com pico de crescimento de 18% entre 2013 e 2014.

O mercado cervejeiro reduziu 1% em volume no ano de 2017, uma queda de cerca de 2,4 milhões de barris em relação a 2016. Watson afirma que a queda reflete, em parte, a crescente competição das cervejas com os vinhos e licores.

Still, Watson e Simpson concordam que vai levar um tempo para a indústria atingir a saturação total. Mesmo em passos mais lentos, os produtores artesanais continuam crescendo.

“A cerveja artesanal tem um sabor muito melhor do que as produzidas em macro indústrias, que por décadas fizeram sucesso utilizando mulheres de biquíni e famosos nomes do esporte”, afirma Simpson. “Eles fizeram alguns comerciais muito tocantes ou engraçados, mas isso não torna seus produtos melhores.”

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