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“O mercado de azeites está 20 anos atrás do mercado do vinho”, diz importador

Manuel Chicau, proprietário da Adega Alentejana, identifica um crescimento no interesse do público após denúncias de fraude em azeites de oliva

por Flávia Schiochet Publicado em 21/04/2018 às 14h
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Ainda incipiente no Brasil, o mercado de azeites de oliva tem visto há pouco tempo surgirem novas marcas importadas e a identificação das variedades de azeitonas usadas em sua produção. Mas o cenário é visto com otimismo por Manuel Chicau, proprietário da importadora curitibana Adega Alentejana e entusiasta do segmento.

“No Brasil, o mercado de azeites está 20 anos atrás do mercado do vinho”, afirma Chicau. A importadora, que completa 20 anos em 2018, trabalha com 12 rótulos de azeite, vindos de Curicó, no Chile, e das regiões portuguesas Douro, Alentejo e Tejo, tais como Adega de Borba, Mouchão, Quinta da Alorna, Pintas & Guru. No segundo semestre ampliará o portfólio com azeites espanhóis e tunisianos.

Manuel conversou com o Bom Gourmet durante o 10.º Passeio Enogastronômico da Adega Alentejana, no Clube Curitibano, durante a comemoração dos 20 anos da importadora.

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Azeites de oliva importados pela Adega Alentejana: preço sugerido para a garrafa é a partir de R$ 40,20. Foto: Cintya Hein/Divulgação

Azeites de oliva importados pela Adega Alentejana: preço sugerido para a garrafa é a partir de R$ 40,20. Foto: Cintya Hein/Divulgação

Em 2017, a Adega Alentejana vendeu 400 mil litros de azeite, que representou 18% de suas vendas. “Nossa projeção é que os azeites representem 25% das vendas neste ano e chegue a 40% em três anos”, disse Manuel Chicau, proprietário da Adega Alentejana. As vendas de azeite de oliva da Adega Alentejana aumentaram 60% em 2017 e o empresário prevê um aumento de mais de 100% para 2018.

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Onde tem bom vinho, tem bom azeite”, enfatiza Manuel, uma vez que a videira e a oliveira se dão bem nas mesmas condições climáticas: grande amplitude térmica durante o ano, estresse hídrico e baixas temperaturas no inverno.

Todas as marcas comercializadas pela Adega Alentejana são de vinícolas, que o empresário considera garantia de boas práticas e qualidade do produto. “O azeite puro é amargo e picante. Você sente notas de maçã, de amêndoa”, descreve Manuel. Os preços sugeridos para os rótulos importados pela Adega Alentejana estão entre R$ 40,20 e R$ 91,90 para garrafas de 500 ml, produzidas em baixa escala.

Para Chicau, o interesse do público por um azeite de oliva de qualidade ainda é recente e se deve às seguidas denúncias de fraude por parte dos órgãos de defesa do consumidor e pelo Ministério da Agricultura.

“Os produtores de azeite não estão em destaque como os de vinho, ainda. E para importar no Brasil, é permitido o reenvase, então é muito fácil comprar uma bombona de 200 litros e misturar”, diz. A dica de Chicau para conferir se o azeite é puro é colocá-lo na geladeira por um ou dois dias. Se ele ficar esbranquiçado e gelatinoso, isso indica que o azeite é extravirgem.

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