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Restaurante aberto
Mesmo com capacidade menor de atendimento e distanciamento entre mesas, restaurantes estão conseguindo recuperar as perdas provocadas pela pandemia.| Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Após um tombo de 74,2% no faturamento em abril por causa das medidas de isolamento impostas para conter o avanço da pandemia do coronavírus no Brasil, os bares e restaurantes chegaram a outubro já com perdas muito menores. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (Cielo/ICVA) divulgado na última semana, a receita no mês se inverteu e alcançou a marca de 73% de retomada na comparação com o período pré-pandemia.

O cenário cada vez mais positivo vem se acentuando desde junho, quando a queda de 64,9% foi diminuindo a uma média de 10% mês a mês em todo o país. Embora ainda seja difícil prever quando as vendas serão totalmente normalizadas em relação ao pré-pandemia, o gerente de inteligência da Cielo, Pedro Lippi, é enfático em dizer que o pior aparentemente já passou.

De acordo com ele, de abril a junho, a recuperação foi bastante lenta, mas depois passou a acentuar um pouco mais. Na época, 60 a 65% dos restaurantes em funcionamento em abril seguiram operando em diferentes formatos, como delivery ou take away.

“E o que vimos foi que, conforme as medidas de restrição foram diminuindo, eles foram reabrindo e amenizando essa queda. Agora estamos na casa dos 95% de funcionamento, um reflexo de melhora e volta ao funcionamento, independente do formato. Com isso, eles têm mais tempo para faturar e vão diminuindo as perdas”, explica.

O ICVA, que analisa todo tipo de transação de pagamento efetuado no mercado e não apenas os feitos nas maquininhas de cartões, aponta que as perdas do setor ainda acumulam uma queda de 52% na comparação com o período pré-pandemia, mas que também segue diminuindo mês a mês.

Recuperação desigual

Embora a recuperação esteja apontando para um futuro com números cada vez melhores segundo o índice da operadora de pagamentos, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que nem todos os estabelecimentos estão neste caminho.

Para o presidente nacional da entidade, Paulo Solmucci, os estabelecimentos menores ou mais periféricos realmente estão com ganhos melhores. Mas, os restaurantes de zonas centrais ainda estão vendo os clientes longe das mesas.

“Essa pesquisa já vem bem alinhada com o que a Abrasel tem registrado, com um retorno de faturamento um pouco acima de 60% principalmente para os pequenos ou pequeniníssimos operadores, aqueles que faturam menos de R$ 10 mil por mês. Já tem caso de gente faturando 120 a 130%, ou seja, faturando 20 a 30% acima do que faturava no período pré-pandemia”, conta.

Solmucci atribui a isso principalmente o auxílio emergencial de R$ 600, que ajudou a base da pirâmide a consumir mais e conter as perdas das classes C, D e E. Já os restaurantes que atendem as classes A e B ainda estão pressionados por conta da continuidade do home office em empresas que não se sentem seguras em voltar ao trabalho presencial.

“Então esses restaurantes estão operando ainda com 40% do movimento, sofrendo muito mais. Já os restaurantes de classes A e B nos bairros estão em uma situação um pouco melhor, vão para 50% ou um pouco mais, porque os pais estão com as crianças em casa e as escolas ainda não retornaram. Então tem uma demanda que deslocou das regiões mais empresariais para os bairros”, diz.

Para o presidente nacional da Abrasel, a recuperação também é desigual de uma cidade para a outra. Solmucci explica que São Paulo está com o pior resultado entre as capitais brasileiras. Lá os bares e restaurantes estão demorando mais para equalizar as perdas, já que a retomada está sendo gradual e só mais recentemente os estabelecimentos puderam ampliar os horários de atendimento.

Queda acentuada

Além do setor de bares e restaurantes, só o de transportes e turismo teve uma queda ainda maior de faturamento no mês de abril. A retração foi de 90%, com uma recuperação lenta e gradual – chegou a 46,7% em outubro na comparação com o período pré-pandemia. As perdas somam 71,3%.

Por outro lado, os supermercados e hipermercados permaneceram com números positivos desde o início da pandemia, com ganhos de 16,5% na comparação com o período anterior à chegada da Covid-19 no Brasil.

“Como outros setores estavam fechados, este teve uma movimentação maior. Esse crescimento de dois dígitos aconteceu em quase todos os meses analisados”, conclui Pedro Lippi, gerente de inteligência da Cielo.

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