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Restaurante Ibérico
Em Curitiba, restaurante Ibérico fechou as portas temporariamente pela falta de clientes.| Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Com mais de três mil demissões em todo o estado até agora provocadas pela queda no movimento, donos de bares e restaurantes estão pedindo ajuda ao governo do Paraná e à prefeitura de Curitiba para mostrar à população que os estabelecimentos seguem abertos e tomando os cuidados recomendados contra o coronavírus.

A reclamação dos empresários curitibanos é de que apesar dos decretos estadual e municipal permitirem o funcionamento com precauções - como afastamento de mesas, disponibilização de álcool em gel e limpeza constante - falta mais clareza na hora de informar isso à população.

Entidades como o Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares de Curitiba (Sindiabrabar) e a regional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PR) afirmam que não há ordem para fechar tudo como em outros estados - mas também não há incentivo para continuarem abertos.

"Nós podemos trabalhar, mas queremos que o Governo e a Prefeitura falem isso para a população e que não fiquem com a polícia mandando os clientes fugirem dos estabelecimentos", explica Fabio Aguayo, presidente do Sindiabrabar.

Desde que começou o isolamento social no Paraná, em meados de março, viaturas do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal percorrem as ruas das cidades emitindo avisos para as pessoas irem para casa. Para Aguayo, isso espanta a população dos bares e restaurantes.

Já Nelson Goulart Junior, presidente da Abrasel-PR, diz que isso provoca uma confusão nos clientes que acabam sem ter certeza se podem ou não ir aos estabelecimentos. Os restaurantes associados à entidade fecharam as portas voluntariamente a partir de meados de março, tanto para seguirem as recomendações de isolamento social como pela queda de 70% a 80% do movimento já na primeira semana de restrição.

A entidade, a favor do funcionamento apenas pelo sistema de delivery, diz que falta clareza do que realmente pode e não pode funcionar.

"O governo fala que não estamos em quarentena, mas coloca anúncios no ponto de ônibus, a polícia pede para as pessoas irem para casa, falta clareza. Não pode ficar uma coisa imprecisa", comenta.

Os decretos do prefeito Rafael Greca e do governador Carlos Massa Ratinho Junior permitem o funcionamento de bares e restaurantes com atendimento presencial, delivery e balcão, mas determinam regras como distribuição de mesas e ocupação de espaço que mantenha as pessoas a no mínimo 1,5 metro umas das outras; restrição de acesso ao recinto, para respeitar a regra de distanciamento de 1,5 metro; organização de filas com a distância de 1,5 metro por pessoa; e uso de luvas, toucas e máscaras para os profissionais que trabalham com o fornecimento de alimentos.

Em entrevista coletiva virtual nesta segunda-feira (6), a secretária municipal de saúde, Márcia Huçulak, informou que as medidas de prevenção e contenção seguem mantidas, e sem previsão de fechamento total do comércio ("lockdown") por enquanto. A informação foi dada após a confirmação da primeira morte por coronavírus em Curitiba.

Explicações

Na última sexta-feira (3), o Sindiabrabar encaminhou à Prefeitura e ao Palácio Iguaçu um ofício com uma série de explicações dos cuidados que os estabelecimentos estão tomando para poderem continuar abertos. Entre eles, estão itens como:

  • Cartilha digital a todas as empresas e trabalhadores com as recomendações editadas pelo Governo e Prefeitura.
  • Distanciamento de 1,5 metros entre as mesas, inclusive em áreas externas.
  • Priorização do trabalho remoto para atividades administrativas.
  • Manutenção ou concessão de férias ou afastamento de trabalhadores acima de 60 anos ou com problemas imunológicos ou comorbidades, dentro do período estabelecido pelo Governo e Prefeitura.
  • Manutenção dos ambientes bem ventilados ou com ar condicionado ligados todo o tempo.
  • Desinfecção constante de maçanetas, mesas, utensílios, cardápios, sanitários e de todo o estabelecimento diariamente.
  • Atendimento ao cliente com distância de 1 metro.
  • Se as secretarias municipal e estadual de saúde recomendarem o uso de equipamentos de proteção individual, os estabelecimentos os fornecerão aos trabalhadores.
  • Disponibilização de álcool gel 70% a trabalhadores e clientes em geral.
  • Campanha conjunta de esclarecimento e prevenção.

A entidade ainda pede ao poder público algumas alterações na rotina social da população:

  • Recomendar que as empresas liberem seus trabalhadores em turnos alternados (11h30, 12h30 e 13h30) evitando aglomerações nos restaurantes que estarão funcionando com capacidade reduzida.
  • Alternar os horários de entrada e saída dos trabalhadores em turnos, para evitar a aglomeração no transporte público.
  • Permitir a abertura de shoppings centers com a remoção de 30% das mesas das praças de alimentação, assim como de mesas comunitárias.
  • Fiscalização das medidas de higiene e saúde no trabalho e no atendimento ao público.
  • Implantar programas de alimentação (voucher, escolas, presídios etc) em que o município compraria os alimentos ou marmitas prontas prioritariamente de micro e pequenas empresas (bares, restaurantes e similares).
  • Inclusão do segmento hoteleiro, de restaurantes, bares e similares no critério de elegibilidade para desoneração tributária.
  • Implementação de outras políticas que possam compensar as inevitáveis perdas que se acumulam neste momento, além de suporte para cursos gratuitos de qualificação profissional dos trabalhadores do setor.

Restrições

Em nota à reportagem, o governo do Paraná informou que o funcionamento de bares, restaurantes e similares não está proibido, e que a orientação é para os estabelecimentos continuarem seguindo as normas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde caso queiram manter o funcionamento.

"O Governo do Paraná reafirma que a recomendação para este momento é o distanciamento social, conforme preconizam as autoridades sanitárias, para conter a disseminação do novo coronavírus", completa.

A posição da prefeitura é semelhante, de que vale o que está no decreto que permite o funcionamento com as devidas precauções, e completa afirmando que "reitera que todas as decisões da municipalidade são baseadas nas diretrizes técnicas da área de Saúde, orientadas pela SMS e alinhadas com a secretaria de estado da Saúde (Sesa). Embora o município tenha autonomia constitucional para decidir a respeito das medidas de enfrentamento ao Covid-19, todas as decisões são motivadas e atendem em absoluto respeito às diretrizes técnicas da Saúde".

Já sobre o questionamento das mensagens emitidas pelas viaturas nas ruas das cidades pedindo para as pessoas ficarem em casa, as administrações se limitaram a dizer que apenas seguem o que regram os decretos.

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