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Delivery comida
Plataformas de delivery lideraram as buscas na internet em 2020.| Foto: Bigstock

As maiores lojas virtuais brasileiras que oferecem produtos de comidas e bebidas tiveram a maior quantidade de acessos de potenciais clientes ao longo de todo o ano de 2020, com um salto de 91,20%. É o que revela o relatório Setores do E-commerce no Brasil, um estudo desenvolvido pela consultoria Conversion que analisa os 200 maiores sites de vendas do país.

Dos 15 setores analisados, o segmento de comidas e bebidas ficou à frente de buscas por moda e acessórios (82,1%), produtos para pets (73,2%) e farmácia e saúde (64,1%). O desempenho chama a atenção por ter tido uma disparada nas buscas durante a pandemia mesmo com os supermercados e empórios atendendo normalmente, sem restrições de funcionamento como as aplicadas aos restaurantes e lanchonetes.

Os sites mais buscados também chamam a atenção, com a liderança do iFood no todo, com participação de 43,2%, seguido pelo supermercado Atacadão (14,8%). Com exceção da bandeira de atacarejo, as buscas por supermercados foram menores do que o imaginado, com o GPA (Pão de Açúcar) com apenas 3,7%.

No apanhado da pesquisa, as plataformas de delivery somaram 59,3% das buscas dos internautas. O levantamento inclui também Uber Eats e Rappi que, assim como o iFood, faz entregas de pratos de restaurantes e compras de supermercados – este último deu um salto de 30 milhões de pedidos para 50 milhões por mês no período.

Para Diego Ivo, CEO da Conversion, uma das explicações para esse desempenho é o receio que as pessoas tiveram e ainda tem de sair de casa por conta da pandemia. A rotina do home office também contribuiu para isso.

“As pessoas estão na correria do home office em casa, e recorrem ao delivery para fazer as compras não apenas de pratos prontos, mas de necessidades mesmo”, analisa.

A percepção se confirma nos números. Pesquisa recente do Relatório Varejo 2021, da plataforma de pagamentos Adyen, mostra que 62% dos consumidores vão continuar a fazer compras online mesmo com as lojas abertas, e que 68% deles viram de forma positiva a digitalização de restaurantes e serviços de alimentação.

Sobe e desce

Essa liderança da procura por comidas e bebidas variou ao longo do ano, ficando para trás principalmente no segundo semestre, quando o segmento de ‘casa e móveis’ disparou na procura. Já a partir de janeiro deste ano, as buscas por itens de saúde e de papelaria passaram à frente.

No entanto, na comparação de um ano para o outro, a busca por produtos de comidas e bebidas teve um crescimento de 53,37%, maior até mesmo do que o varejo como um todo – alta de 19,92%. Em janeiro, estes itens somaram 75% da procura na internet, com uma leve queda em fevereiro a 53%.

“Fevereiro é sempre um mês atípico, com uma queda nas buscas de qualquer coisa na internet. E, mesmo com a pandemia, isso não foi diferente, já que é um mês em que as contas de início de ano ainda estão vencendo e o dinheiro do 13º salário está acabando”, explica Diego Ivo.

Apenas o iFood teve 15,1 milhões de acessos em fevereiro, sendo 63,8% através dos smartphones e 36,2% no computador, figurando na quarta posição das 10 plataformas mais buscadas no mês (43%, única de alimentação). Na sequência vem o Clube Extra com 3,4 milhões, e o MenuDino, com 3,3%. Este último teve um salto de 436% de acessos entre fevereiro de 2020 e de 2021, e foi muito buscada por oferecer a solução de cardápios digitais e aplicativos próprios para os restaurantes.

Além do delivery de comida e de supermercados, a pesquisa aponta, ainda, que os e-commerces de alimentos de indulgência e de bebidas alcoólicas também tiveram um bom desempenho em 2020, tanto que figuram entre os dez mais buscados no segmento. Segundo a consultoria isso mostra como as pessoas estão se permitindo novos hábitos para consumir no home office. As buscas pela Cacau Show somaram 13,6% (terceiro mais buscado) e por vinhos da Wine.com.br em 4,9%.

Ao todo, o segmento de comidas e bebidas teve 401,7 milhões de buscas nos últimos 12 meses.

Espelho de 2020

A expectativa é de que este movimento siga assim ao longo deste ano, com predominância das buscas por comidas e bebidas por causa das incertezas do avanço da pandemia do coronavírus. O recrudescimento do contágio neste mês de março e a incerteza de como será a vacinação ainda fazem as pessoas terem receio de voltar às ruas – mesmo com a flexibilização do atendimento presencial nos restaurantes vez ou outra.

“Para o restante de 2021, esperamos um ano de paradas constantes, um espelho de 2020. E isso favorece o consumo online, crescendo cada vez mais”, explica o CEO da Conversion.

Ele ressalta, ainda, que esse crescimento constante das buscas mostra como o processo de digitalização chegou para ficar, e que não vai mais ser possível existir restaurantes sem uma presença digital depois da reabertura. Para Diego Ivo, a experiência do consumo será cada vez mais “omnichannel”, em que o empreendedor precisa pensar tanto no atendimento presencial como no delivery, e dar toda a importância a ambos os canais.

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