Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Fidelização restaurante
A pesquisa aponta que os restaurantes estão perdendo uma chance considerável de criar estratégias de fidelização dos clientes.| Foto: Bigstock

A pandemia da Covid no Brasil fechou uma média de três em cada dez restaurantes brasileiros em quase dois anos de restrições de acordo com as entidades representativas do setor, mas foram os que servem a quilo os mais afetados. É o que revela a nova pesquisa exclusiva de comportamento do consumidor realizada pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com o FoodCo., a comunidade de educação e gestão da Pinó e da Gazeta do Povo.

O levantamento, divulgado na última semana, revela que os consumidores notaram um fechamento de 60% dos estabelecimentos que operam no sistema de self service até o terceiro trimestre deste ano, por conta da continuidade do home office principalmente nas áreas mais centrais das grandes capitais brasileiras.

Mas também revelou como estes estabelecimentos estão ficando para trás nas estratégias de retomada do movimento e de atração de novos clientes. Tanto a continuidade do trabalho remoto como a queda na renda dos brasileiros, provocada pelo desemprego e/ou inflação, trouxeram novos desafios para os empreendedores.

A pesquisa da Brain revelou que quatro em cada dez brasileiros frequentam estes restaurantes em apenas um ou dois dias da semana, e mais da metade deles o mesmo do dia a dia. Isso acontece tanto por causa da quantidade menor de operações, mas também pela falta de estratégias para fidelizar os clientes, segundo Marcos Kahtalian, diretor da Brain e responsável técnico pela pesquisa.

“Isso é uma grande contradição, pois temos o cliente fiel que vai repetidamente ao restaurante, e mesmo assim o estabelecimento não captura a fidelidade dele. Se você pensar que 47% vão até duas vezes, talvez aí está a oportunidade para aumentar a frequência desses clientes”, explica.

A pesquisa apurou que o valor médio cobrado nestes locais ficou em torno de R$ 39 por quilo no almoço, com um gasto médio dos clientes de R$ 31. Os restaurantes por quilo de Porto Alegre são apontados como os mais caros, com R$ 52 o quilo, seguido por São Paulo (R$ 49), Curitiba (R$ 46), Florianópolis (R$ 33), Belo Horizonte (R$ 30) e Rio de Janeiro (R$ 28).

Preferência de consumo

Outro comportamento apontado pela pesquisa da Brain em parceria com o FoodCo. foi o aumento da frequência de restaurantes por quilo somente nos finais de semana, com a preferência de três em cada dez brasileiros. Isso é maior do que os que frequentam uma vez de segunda a sexta (27%), duas vezes (20%) e todos os dias (11%).

“Por ser eventualmente um almoço de mais tempo, com mais variedade para agradar aos diferentes gostos dos amigos e familiares – que é uma característica deste tipo de encontro – o quilo acaba aparecendo mais. E também tem a questão do tíquete-médio ser menor do que em restaurantes que servem a la carte, mais uma vez ressaltando a preocupação das pessoas com a queda na renda”, afirma Kahtalian.

Isso reflete na preferência pelo tipo de comida servida nos restaurantes por quilo, com a liderança de opções com carne/grill/churrasco (59%), saladas/verduras/legumes (58%) e brasileira (48%).

A liberdade de poder escolher o que deseja com uma ampla variedade de pratos foi apontada como o principal atrativo para os clientes frequentarem este tipo de restaurante, com 84% das opiniões dos ouvidos pela pesquisa. A economia nestes locais vem logo depois, com 26%.

Mas, apesar disso, questões mais estruturais como organização de filas e lotação dos restaurantes lideram as críticas dos clientes com 43% das opiniões.

Hábito pela renda menor

Restaurante buffet
Pesquisa revela que restaurantes de buffet estão entre as preferências dos brasileiros por conta da queda na renda média.| Bigstock

Embora os restaurantes por quilo tenham sido os mais afetados pelos efeitos da Covid-19, e estejam demorando mais a se recuperarem, a preferência dos consumidores já quase pós-pandemia tem sido mesmo com as opções mais rápidas e baratas.

A pesquisa apontou que a preferência pelos fast food e lanchonetes já alcança quase sete em cada dez brasileiros, com 67% dos ouvidos. Essa preferência é ainda maior entre os consumidores com renda de até R$ 4.180, em que 74% frequentam mais este tipo de estabelecimento.

Para Marcos Kahtalian, diretor da Brain Inteligência Estratégica, isso confirma o que tantas outras pesquisas de mercado vêm apontando ao longo da pandemia: o brasileiro mudou o hábito de consumo por conta da queda na renda.

“Tanto que quando a gente faz o recorte por renda, aparece nas menores o predomínio das lanchonetes e de fast foods, por conta de uma percepção de que custam menos. É a questão da renda, não há dúvida”, ressalta.

A pesquisa apurou que, mesmo nos degraus mais altos de renda, também há um consumo frequente neste segmento. Os brasileiros com ganhos superiores a R$ 4.180 frequentam mais as churrascarias e grills (38%) e os fast foods (36%). Os de renda superior a R$ 10.450 seguem o mesmo comportamento, com cinco pontos porcentuais a mais em cada tipo.

“Nós estamos em um momento de alta inflação, maior dificuldade econômica, então é óbvio que todos os restaurantes – incluindo os que servem a la carte – precisam estar preocupados hoje sim com a questão do preço que o cliente paga. Assim, as opções mais baratas têm uma atratividade maior em momentos de crise econômica”, afirma Kahtalian.

Comportamento restrito

Fast food
Para o responsável pela pesquisa, o aumento do consumo de fast food se dá pela sensação de que custa menos do que uma refeição em outros restaurantes.| Bigstock

Por outro lado, alguns hábitos de comportamento tiveram poucas alterações entre o visto antes da pandemia e o apurado para o segundo semestre deste ano. A frequência de almoçar diariamente ainda é presente para 72% dos entrevistados, sendo que apenas 28% deles mudaram este costume.

O mesmo se vê no oposto, em que 84% dos que não costumavam almoçar continuarão com este hábito, e 16% passarão a consumir neste horário do dia.

Entre os que passaram a almoçar diariamente ou mantiveram este costume, o gasto médio apurado é de R$ 32, com grande variação pelo Brasil. Entre as seis capitais pesquisadas, São Paulo tem gasto médio mais elevado, de R$ 44, enquanto que Belo Horizonte é o mais baixo (R$ 26).

Já nos finais de semana, o hábito de frequentar restaurantes caiu de 10% para 6%, sendo que 15% passaram a ir de 2 a 3 vezes no mês, 14% uma vez ao mês e 22% apenas em ocasiões especiais. Os que não frequentavam passou de 34% para 43%.

É o mesmo apurado no consumo das saídas noturnas, em que houve redução na frequência (12% em média) e aumento do movimento apenas em ocasiões especiais (23%). Esse cenário também é um reflexo da queda na renda dos brasileiros, que tiveram de priorizar os gastos do dia a dia.

“Em todos os segmentos do setor é preciso trabalhar opções para atrair clientes, seja adotando a opção do prato do dia com um tíquete mais acessível ou um programa de fidelidade mesmo que simples, em que dez refeições pagas dão direito a uma cortesia, entre outras. É preciso pensar em estratégias para atrair os clientes de volta e torna-los frequentes no restaurante”, completa o diretor da Brain Inteligência Estratégica.

A pesquisa da Brain teve a participação de 607 pessoas em seis capitais brasileiras (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre) entre os dias 31 de outubro e 16 de novembro de 2021. A margem de erro é de 6,9% com um nível de significância de 95%.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]