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Movimento restaurantes
Queda no movimento de clientes foi de 20% a 30%, em média, no mês de janeiro.| Foto: Bigstock

As duas primeiras semanas do ano já não tinham sido boas para parte dos restaurantes brasileiros, que chegaram a ver o movimento de clientes cair em torno de 20%. No entanto, a previsão de melhora não se concretizou nos dias seguintes e alcançou metade do normal no fechamento do mês.

É o que relatam empresários ouvidos pelo Bom Gourmet Negócios em, pelo menos, três capitais do país: Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. Dados apurados pela reportagem até a última sexta (28) indicam um desempenho desigual entre os estabelecimentos, com um movimento de clientes menor variando entre 17% e 50% a menos se comparado a janeiro de 2021.

Os relatos de empresários das três capitais são apenas alguns dos que a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) tem apurado ao longo do mês. Embora alguns afirmem ter perdido mais da metade do movimento, Fernando Blower, diretor-executivo, afirma que a média ficou em torno de 20% a 30%.

“Realmente a situação se agravou neste mês. Vínhamos de um último trimestre promissor [em 2021], com faturamento aumentando e a esperança de um ano de mais tranquilidade e previsibilidade, e acabou que janeiro foi um balde de água fria”, explica.

De acordo com ele, o avanço da Covid-19 e da Influenza H3N2 foram dois dos principais responsáveis pelo menor movimento neste primeiro mês do ano, mas também a queda na renda das famílias, que têm segurado os gastos fora de casa, além das contas obrigatórias que vencem nesta época.

Movimento desigual

Para a ANR, há uma explicação para a variação do movimento de clientes nos restaurantes brasileiros. Embora alguns tenham perdido até metade dos clientes, a média mostra algumas características que influenciam no desempenho dos estabelecimentos.

“Como qualquer média, temos aqueles que estão vendendo até mais em áreas turísticas, mas também aqueles localizados em áreas comerciais como o centro do Rio ou próximo à Paulista, onde muitas empresas mantiveram o home office com o aumento de casos”, explica.

Leandro Ling, proprietário do Aipo Superfoods, na região central de Curitiba, viu o movimento de cair em torno de 45% a 50% neste mês de janeiro. Ele abriu restaurante já durante a pandemia e, em um ano e meio de funcionamento, pela primeira vez tem visto os clientes segurarem os gastos.

“Muitos dos meus clientes ainda estão viajando [de férias]. Mas, dos que não estão em viagem, estão priorizando outras gastos por causa da alta dos preços em geral. Está tudo caro e, mesmo quem tem um poder aquisitivo melhor, está segurando”, conta.

Isso se estende à inflação dos alimentos tanto dentro de casa como nos restaurantes, já que o custo maior precisou ser repassado nos cardápios. Fato que também é visto como motivador do movimento menor de clientes, segundo a Associação Nacional de Restaurantes.

Noite e eventos

Além dos restaurantes de atendimento diário em áreas comerciais, bares e promotores de eventos também sentem que os clientes estão segurando os gastos e/ou com medo de se infectarem pela Covid-19 e a H3N2. André Antunes Nascimento, do Tora Bar, também em Curitiba, relatou uma queda de até 50% no faturamento de janeiro.

“Vejo que as pessoas tiveram gastos excessivos durante as férias e também devido ao aumento da Covid, visto que janeiro de 2021 foi melhor que fevereiro. As pessoas estão apreensivas por causa disso”, conta.

Ele tem a esperança de recuperar e voltar a crescer em fevereiro, coisa que a conterrânea Milene Aguiar, do MiAguiar Gastronomia e Eventos, é mais cética. Ela amargou um cancelamento de eventos que correspondem a 60% da renda.

“Em novembro e dezembro, o movimento foi muito bom. Agora, não sei como vai ser para pagar as contas que vencem em fevereiro. Estamos tentando fazer várias outras coisas, como congelados, doces, cestas de café da manhã, happy hour. Se não melhorar, estamos fadados a terminar por aqui”, lamenta a empresária.

Fernando Blower, da ANR, conta que este cenário deve se prolongar por mais algumas semanas, e que ainda é difícil prever como serão os próximos meses.

De acordo com ele, se a situação da pandemia no Brasil caminhar semelhante ao que vem acontecendo em países da Europa que já passaram pela variante Ômicron com altas taxas de vacinação, talvez em março a contaminação volte ao nível visto no final do ano passado.

“As próximas duas ou três semanas ainda vão ser muito importantes para mostrar se esse cenário se confirme de fato. Já há especialistas dizendo que chegamos num platô [de contaminação] e que, daqui para a frente, já comece a estabilizar e depois a melhorar”, analisa.

A esperança do setor, segundo o diretor-executivo da ANR, é que esta nova onda da Covid-19 seja mais rápida do que as infecções passadas.

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