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Vinhos Portugal
Um dos objetivos do investimento é promover os vinhos produzidos em outras regiões além de Lisboa, Douro e Alentejo.| Foto: Unsplash

Com mais de 55 milhões de euros (cerca de R$ 336 milhões) vendidos em vinhos no ano passado no Brasil, Portugal quer aumentar a presença no mercado nacional até o final deste ano com um investimento massivo em marketing e produtos. Entre os dias 23 de outubro e 1º de novembro, a nação lusitana promove um festival junto à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em mais de 2.000 lojas de todo o país, principalmente no eixo Rio – São Paulo.

Chamado de Festival Vinhos de Portugal no Brasil, a ação vai consumir em torno de meio milhão de Euros, ou pouco mais de R$ 3 milhões, para “cimentar a presença dos vinhos portugueses no país”, afirma o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão. Isso porque os rótulos de Portugal aparecem em segundo na preferência dos brasileiros desde 2016, atrás apenas dos vinhos chilenos.

Os recursos serão investidos na logística de mais de quatro milhões de garrafas que serão vendidas em promoção na faixa de R$ 50, materiais publicitários para os supermercados participantes e instrução de funcionários para explicarem as características das bebidas aos clientes. Ao todo serão mais de 1,5 mil novos vinhos de quase 200 vinícolas que entrarão nos supermercados.

De acordo com a agência portuguesa de promoção dos vinhos nacionais, o Brasil é o segundo mercado mundial da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos. No primeiro semestre deste ano houve um crescimento de 16,8% nas vendas, com aumento de 17,2% em volume e de 18,6% em valor. A maior parte, 70%, foi comercializada no varejo.

Em entrevista ao Bom Gourmet Negócios direto de Portugal, Falcão explica como será a ação de promoção dos vinhos portugueses no Brasil e as principais dificuldades de aumentar a presença no país – principalmente pela questão tributária.

Bom Gourmet Negócios: Portugal já investe na promoção tanto dos vinhos portugueses como do turismo país no Brasil há 15 anos, mas agora há um novo investimento de promoção aqui. Qual o motivo do interesse de ampliar a presença no mercado brasileiro?

Frederico Falcão: Essa realmente é a primeira vez que fazemos um investimento tão grande principalmente no varejo, foi uma oportunidade que surgiu com a Abras para levarmos os vinhos portugueses aos supermercados brasileiros. O interesse da população por Portugal vem crescendo ano a ano, e agora vimos que seria possível aumentar a nossa presença no país. O Brasil é o segundo mercado mundial dos vinhos portugueses, e os nossos vinhos são o segundo preferido dos brasileiros, então nosso objetivo é cimentar esse mercado.

Como será esse investimento de R$ 3 milhões durante o Festival Vinhos de Portugal no Brasil? Qual a expectativa de vendas?

No período da ação vamos levar a cerca de dois mil supermercados brasileiros mais de quatro milhões de garrafas de vinhos portugueses de diversas regiões produtoras, não apenas dos mais conhecidos de vocês como do Douro, do Alentejo e da região de Lisboa. Teremos variedades de Norte a Sul de Portugal custando na faixa de R$ 50, mas algumas podem custar até R$ 400 em lojas selecionadas. A verba será usada para a produção de material publicitário a ser instalado nas gôndolas, prateleiras e ilhas nos supermercados e na formação dos funcionários para explicarem aos clientes as principais características das bebidas vendidas. No ano passado, exportamos para o Brasil o equivalente a 55 milhões de Euros em vinhos (R$ 336 milhões), e pretendemos aumentar essa presença neste ano. Não temos como fazer um cálculo exato de quanto o festival vai somar a isso, mas temos uma grande expectativa.

O que explica a preferência dos brasileiros pelos vinhos portugueses sendo que há nações tão próximas daqui, como Chile, Argentina e Uruguai com grandes produções vinícolas também de alcance mundial?

Eu diria que os brasileiros têm uma relação muito próxima de Portugal não apenas pelas questões históricas, pelos fortes laços emocionais, mas pela grande variedade de opções que oferecemos. Esses países são sim grandes produtores, mas as principais opções ficam restritas a poucas uvas, como a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Tannat. Já Portugal tem uma variedade quase infinita de vinhos para todos os gostos, são 285 castas autóctones, uma diversidade como nenhuma outra nação. E é claro o conhecido vinho do Porto que vocês adoram. São vinhos que falam a mesma língua e que acentuam as diferenças, por isso acreditamos tanto na preferência e possibilidade de aumento do mercado brasileiro.

Você mencionou que Portugal ocupa a segunda posição na preferência dos brasileiros pelos vinhos importados desde 2016 atrás apenas do Chile. Se os consumidores daqui têm tanto gosto pela bebida portuguesa, qual a dificuldade de chegar à primeira posição?

A questão tributária. O Brasil tem uma tributação sobre os vinhos portugueses tão grande que encarece uma garrada de 2 Euros aqui (R$ 12,23) para algo de no mínimo R$ 50 a R$ 60 no varejo brasileiro. Enquanto isso, um vinho chileno de mesmo padrão custa a metade ou menos disso. Os cálculos são confusos e mudam em função do tipo de vinho. Em média, estima-se que 55% do valor de um vinho importado no Brasil sejam de impostos, exceto os produzidos no Mercosul e no Chile que têm uma tributação diferenciada. Já os Estados Unidos, que é o primeiro mercado mundial de vinhos portugueses na ordem de 90 milhões de Euros (R$ 540 milhões), a tributação também muda de acordo com a variedade. Por exemplo, a Wine Excise Tax, que é uma taxa federal, adiciona cerca de US$ 0,21 por garrafa, mais a taxa ad valorem de 0,35% e mais algumas outras. É muito menos do que no Brasil. A União Europeia está negociando com o Mercosul uma revisão dessas taxas e, ao que sabemos, as negociações correm bem. Se conseguíssemos baixar o imposto sobre os vinhos, seria de grande ajuda.

Em nota ao Bom Gourmet Negócios, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia informou que, em geral, as alíquotas dos tributos federais (IPI, PIS e COFINS) que incidem na importação de vinhos originários do Chile e de Portugal são as mesmas. No entanto, o Acordo de Complementação Econômica nº 35 entre Mercosul e Chile concede a isenção do imposto de importação dos vinhos do bloco econômico e da nação ao Brasil. Já a bebida portuguesa em garrafas de até dois litros têm uma alíquota de importação que varia de 20% a 27% de acordo com a variedade.

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