Fiscaliza bares
Grupo pretende mostrar que está comprometido em colaborar com o poder público, evitando o fechamento de mais estabelecimentos.| Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Um dos setores mais prejudicados pela pandemia do coronavírus e responsável por mais de seis milhões de empregos no país, entidades de classe de bares e restaurantes vêm desenvolvendo ações para mostrar que está engajado em combater o avanço da doença.

Representantes da seccional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PR), da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) e do Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares de Curitiba (Sindiabrabar) começaram a se reunir nesta terça (26) com lideranças políticas e órgãos de segurança para criar uma espécie de “agenda positiva conjunta” de combate ao coronavírus.

O objetivo é aproximar os setores de gastronomia e entretenimento do poder público, e não ficar apenas na reação a cada novo decreto de fechamento dos bares e restaurantes. Para Fabio Aguayo, presidente da Abrabar, o movimento pretende debater, discutir, sugerir e questionar medidas e ações.

“Queremos participar mais, interagir mais e poder contar o legislativo, com a colaboração dos empresários e das entidades. Queremos uma coisa só, todos juntos sair dessa situação e ter a retomada verdadeira, porque a gente fala da retomada, estamos falando há seis meses, mas só vai se concretizar quando toda a população tiver vacinada de fato", diz.

Já Nelson Goulart Junior, presidente da Abrasel-PR, diz que a ação conjunta das entidades é uma forma de mostrar a união do setor para se fazer ouvido perante o poder público. É algo que ficou muito carente ao longo do ano passado, de acordo com ele.

“Sentimos que não tínhamos uma representatividade na Câmara de Vereadores, não nos fizemos ouvir em questões importantes como o uso do recuo e principalmente a legislação que endureceu as penas para quem descumpre os decretos sanitários. Uma lei aprovada completamente errada que fica à mercê da subjetividade do fiscal que autua”, afirma.

Fiscalização

A primeira reunião do grupo foi realizada com o comando da Polícia Militar de Curitiba e com representantes do legislativo municipal. Isso porque o setor vem enfrentando dificuldades em atender as normas dos decretos municipais que limitam os horários de funcionamento dos bares e restaurantes.

Para os empreendedores, muitas vezes os decretos são confusos e acabam gerando diferentes interpretações dos fiscais da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU). O último balanço da prefeitura, divulgado no dia 19, apontou que 42 estabelecimentos foram interditados por descumprirem a legislação que apertou as penas a quem descumpre os decretos sanitários de combate ao coronavírus.

“O que fomos buscar hoje foi abrir um canal de comunicação muito respeitoso, mas crítico junto à Câmara Municipal. Precisamos ser críticos e representados, e sermos ouvidos na ‘casa do povo’”, completou Goulart Junior.

Já Fabio Aguayo emendou a fala do presidente da Abrasel-PR, afirmando que o grupo quer fazer um trabalho mais proativo pelo setor neste ano, antecipando e evitando fatos e acontecimentos ruins

"A intenção agora é fazer um trabalho preventivo junto ao nosso setor, um conjunto de ações e de orientações da categoria”, explica.

As próximas reuniões serão com representantes da direção da Assembleia Legislativa do Paraná, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público Estadual, Governo do Estado e Prefeitura de Curitiba.

Prejuízos

Desde que a pandemia do coronavírus voltou a se agravar no Brasil, diversas cidades e estados apertaram as regras para o funcionamento de bares e restaurantes com a alegação de que a transmissão é maior nestes locais. Recentemente, a volta da bandeira vermelha em São Paulo fez a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) vir a público questionar a eficácia da medida.

Em nota, a entidade afirmou que não há qualquer relação entre a abertura controlada de bares e restaurantes que seguem as normas com a expansão da Covid-19. O grande problema, segundo o diretor-executivo da ANR, Fernando Blower, é de lugares que descumprem os decretos sanitários.

“Por causa de alguns poucos que não cuidam disso é que todos acabam sofrendo, mas os estabelecimentos sérios estão dispostos a colaborar e mostrar que é mais seguro ir a um restaurante do que em um lugar clandestino”, diz.

Pesquisa divulgada nesta terça (26) pela diretoria nacional da Abrasel mostrou que 57% dos bares e restaurantes brasileiros estão com as contas atrasadas, como impostos, salários, aluguel ou fornecedores, sendo que 69% deles dizem ter sofrido ainda mais com as novas medidas restritivas impostas após as eleições municipais de novembro.

Há ainda o agravante de que as medidas de proteção ao emprego e renda do Governo Federal venceram no final do ano passado, e que já está impactando negativamente o setor. A pesquisa apontou que 77% dos negócios brasileiros estão em risco de fechar se não houver uma prorrogação dos auxílios, que vem sendo discutida nos bastidores do poder – e 41% deles dizem que, na atual condição da economia, não conseguirão cumprir os acordos de estabilidade para os funcionários que tiveram suspensão de salário ou restrição de jornada.

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