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Restaurante verão
Entidades dizem que volta do horário de verão pode aumentar o movimento dos estabelecimentos em 30%.| Foto: Bigstock

A possibilidade de um colapso no fornecimento de energia elétrica no Brasil em outubro e o anúncio da nova bandeira "Escassez Hídrica" para setembro, feito nesta terça (31) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), reacenderam a discussão pela volta do horário de verão ao país.

O debate, que foi lançado em junho por empresários dos setores de alimentação fora do lar e hotelaria, está de volta à pauta como uma medida para reduzir o consumo no horário de pico e ainda incentivar as pessoas a voltarem às ruas nos finais de tarde. Na época, entidades de classe afirmaram que isso ajudaria a elevar o faturamento dos estabelecimentos em 30%.

Um novo ofício pedindo a reedição do decreto que adota o horário de verão foi encaminhado nesta terça (31) ao MME, explicando os motivos e benefícios da medida. O ato de adiantar os relógios em uma hora já tem a adesão de entidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Segundo Fábio Aguayo, presidente da Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento e Similares (Feturismo), que encabeça o movimento, a hora a mais é uma das opções de esforço em conjunto da sociedade para evitar um colapso no sistema elétrico no país.

“Qualquer economia vale a pena neste momento crítico de falta de chuva, nem que seja 0,1% ou 1.000%, mas o 0,1% faz mais sentido neste momento, do que todos os esforços juntos. Cada um tem que dar uma contribuição e o horário de verão é uma grande contribuição para isto”, explica.

Quando decidiu pelo fim do horário de verão no Brasil em 2019, o presidente Jair Bolsonaro usou como base um estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que apontava uma queda na eficiência da economia de energia elétrica ano após ano. No período de 2015/2016, a economia foi de R$ 162 milhões, caindo para R$ 159,5 milhões no ano seguinte.

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Nova realidade

No entanto, a situação no país agora é completamente diferente daquela vivida em 2019, quando o horário de verão foi suspenso. A estiagem prolongada está secando os reservatórios das hidrelétricas do país e forçando para a compra de energia em termelétricas, mais caras. E este custo extra está sendo repassado mês a mês aos brasileiros – inclusive empresários.

A isso se soma a inflação galopante dos alimentos, que corrói o poder de compra da população e afeta até mesmo o movimento nos restaurantes. Para Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), uma das signatárias do movimento, isso afeta diretamente no faturamento dos estabelecimentos.

“Neste momento, por mais que o faturamento esteja melhorando, o setor ainda carrega um passivo muito grande por conta da pandemia, com empréstimos e impostos que precisam ser pagos. Qualquer medida que favoreça o faturamento ou diminua a despesa é sempre um alento”, analisa.

Esta é a mesma opinião de Paulo Solmucci, presidente nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que também faz parte do movimento. De acordo com ele, o horário de verão sempre foi benéfico para o setor, com uma alta demanda para os horários de happy hour.

Na época da primeira discussão, em junho, ele afirmou que a suspensão da medida em 2019 provocou uma leve queda de 5% no movimento do happy hour. No entanto, agora, qualquer incentivo é bem-vindo.

“Estamos todos apertadíssimos com dívidas a serem pagas. Nossa pesquisa mostrou que 79% das empresas têm algum empréstimo contratado, sendo que 37% delas possuem ao menos uma parcela em atraso”, conta.

Além de possibilitar às pessoas uma hora a mais de lazer com a família ou os amigos, o horário de verão movimenta o setor de gastronomia e entretenimento gerando emprego e renda a mais de 50 atividades correlatas ao turismo, setor mais afetado pela pandemia da Covid-19 junto da alimentação fora do lar.

Do não ao talvez

No início do mês agosto, Bolsonaro chegou a afirmar que poderia revogar o decreto que suspendeu o horário de verão “se a maioria da população brasileira quiser”. Isso reforçou a campanha das entidades pela retomada da medida.

"Depois desta fala do presidente, vamos insistir e cobrar o retorno do horário de verão, dada a importância do momento", diz o Fábio Aguayo.

A campanha pela retomada do período especial ganhou a adesão também de empresários que não estão ligados diretamente aos setores mais beneficiados, entre eles o economista Carlos Magno Bittencourt (ex-presidente do Conselho Regional de Economia/Corecon-PR); o empresário Luciano Hang, apoiador das medidas de Bolsonaro; a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) e a sinalização de entidades ligadas ao agronegócio.

A expectativa dos empresários é de que a medida seja retomada ainda neste ano. O Ministério de Minas e Energia não se pronunciou sobre isso, mas, em pronunciamento, pediu que os brasileiros façam um "esforço inadiável de redução de consumo", com uma diminuição do uso de energia elétrica nos horários de pico.

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