consumo vinhos
Importação de vinhos cresceu muito além das expectativas em 2020.| Foto: Pixabay

Embora a pandemia de coronavírus tenha causado retração econômica e o fechamento de muitos negócios, o mundo dos vinhos parece não ter tomado conhecimento da crise: além de registrar recordes no consumo do produto pelos brasileiros, com expressivo aumento da participação de rótulos nacionais nas vendas, a importação de vinhos também cresceu muito além do esperado em 2020.

Em relação a 2019, as altas na importação somam 26,5% em volume e 13,6% em valor, segundo levantamento da Ideal Consulting, empresa de inteligência de mercado especializada no consumo de bebidas e alimentos. Mesmo em um ano de câmbio bastante desfavorável para a entrada de produtos no país, foram importadas quase 16,8 milhões de caixas de 9 litros da bebida em 2020, contra pouco mais de 13 milhões no ano anterior.

Outra “surpresa" registrada no ano que passou foi a maior presença de rótulos argentinos nas importações, no acumulado do ano. Eles assumiram a vice-liderança no ranking final, na categoria valor em dólares, desbancando Portugal, que tinha passado a maior parte do ano em segundo lugar. Foram US$ 66 milhões (R$ 360 milhões) em importação da Argentina em 2020, contra US$ 65,2 milhões (R$ 356 milhões) de Portugal.

Levando em consideração o volume, Portugal segue em segundo lugar, atrás apenas do Chile, campeão invicto em todas as categorias. Os rótulos chilenos somaram quase US$ 178 milhões (R$ 973 milhões) nas importações em 2020.

De acordo com Felipe Galtaroça, CEO da Ideal Consulting, vários fatores contribuíram para o desempenho dos vinhos argentinos. Primeiro foi o aumento do estoque por lá, causado pela redução da exportação para países da Ásia durante a pandemia.

"Isso fez com que os produtores argentinos voltassem seus olhares ao mercado brasileiro, um dos poucos que cresceu nesse período”, afirma.

O câmbio, segundo Galtaroça, também contribuiu para esse sucesso. "Temos um mercado interno considerável que é voltado a produtos de menor valor. E com o aumento de 30% do câmbio ao longo do ano, tivemos que buscar alternativas para essa faixa de preço”, completa.

O especialista lembra, no entanto, que os rótulos de maior valor agregado também tiveram participação importante, especialmente após a variação do dólar e do real durante as eleições americanas, que impulsionaram a importação de marcas mais robustas, fazendo com que a Argentina assumisse a segunda colocação no final do ano.

Segunda onda?

Embora as expectativas para 2021 sejam de um crescimento menos expressivo, tanto nas importações quanto no consumo de rótulos nacionais e internacionais, os empresários enxergam a ampliação do mercado como uma oportunidade.

“O que faltava no Brasil era a especialização do consumidor, ele ser mais curioso, provar coisas novas - e a pandemia abriu muitas portas nesse sentido”, afirma Jonas Martins, que além de ser gerente comercial da Importadora MMVinhos, é proprietário de uma loja e bar de vinhos em Curitiba.

"Acho que passaremos agora por um período em que tanto importadores como lojas e restaurantes vão ter que pegar essa onda e ver como a gente vai continuar aumentando isso, ainda que não tão rapidamente”, diz. 

Entre as apostas do especialista está a venda direta ao consumidor, por e-commerce, e o delivery de vinhos, ramo que teve sucesso durante a pandemia. "2021 ainda será um ano de bastante investimento, até para consolidar esse crescimento, mas o mercado de vinho no Brasil ainda é pequeno perto do que pode ser, o crescimento não deve parar”, afirma otimista.

Vinhos tranquilos lideraram aumento

Embora o setor de vinhos tenha motivos para comemorar o bom ano, nem tudo foi festa: a necessidade de adiar eventos e comemorações ao longo de 2020 parece ter impactado na importação das bebidas festivas mais clássicas: champanhes tiveram queda de 36,2% e proseccos de 20,1% em 2020, na comparação com 2019.

A alta foi sustentada mesmo pelos vinhos tranquilos. Sozinhos, eles tiveram 28,6% de aumento em volume de importações.

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