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Tecnologia

Clube de assinaturas vende hortaliças produzidas em fazenda vertical no meio de São Paulo

  • PorMaria Eduarda Lass, especial para o Bom Gourmet
  • 12/02/2021 10:07
Fazenda vertical
Cultivos são vendidos no sistema de assinaturas, e devem chegar em breve à restaurantes e hotéis.| Foto: Ítalo Guedes/Embrapa/divulgação

Imagine que você, mesmo morando em um grande centro urbano ou num local com clima pouco favorável à agricultura, possa receber em casa hortaliças produzidas sem agrotóxicos, que não precisam ser lavadas antes do consumo e foram colhidas apenas poucas horas antes de chegarem no seu prato.

Essa é a experiência possibilitada por uma técnica de cultivo “vertical" de hortaliças em ambiente fechado, que pode ser reproduzida em praticamente qualquer lugar, já que dispensa o uso do solo e é completamente independente das condições climáticas externas. Parece um filme de ficção científica, mas a experiência acontece aqui mesmo em solo brasileiro, e já é aprovada por cerca de 150 famílias da cidade de São Paulo.

Em funcionamento desde novembro, no bairro do Ipiranga, a fazenda vertical da empresa 100% Livre produz duas toneladas de alimentos por mês, e tem capacidade para chegar a 13 toneladas mensais. Do espaço de 48 m² saem diversos tipos de alface, rúcula, hortelã, manjericão, tomilho e sálvia e, em breve, os morangos, tomates e pimentões vão entrar para o grupo.

A técnica é fruto de uma parceria entre a 100% Livre e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Os vegetais são produzidos em "andares” dentro de um pequeno galpão, com temperatura, umidade, gases e iluminação controlada, são testados frequentemente e recebem exatamente o tanto de nutrientes que precisam para crescer saudáveis e nutritivos.

Segundo Ítalo Guedes, pesquisador da Embrapa, a hortaliça idêntica à criada em solo, com o diferencial de que há a certeza que todos os nutrientes que a planta precisa estão sendo fornecidos. No solo, conta, não há como ter essa certeza.

"Além disso, a maior parte das pragas e doenças que podem acometer a planta chegam pelo solo, então também eliminamos esse problema, acabando com a necessidade de usar pesticidas e agrotóxicos”, explica.

Problema e solução

Esse tipo de cultivo ainda é pouco desenvolvido na América Latina, que tem grandes áreas disponíveis para agricultura, e por isso a iniciativa é bastante pioneira por aqui. A ideia de investir nessa tecnologia surgiu da necessidade do empresário Diego Gomes, que procurava alimentos saudáveis para o o filho, mas tinha dificuldades com os orgânicos.

“Quando meu filho começou a comer papinhas, a gente sempre procurava alimentos orgânicos, mas era tudo mais difícil, nem sempre encontrávamos o que queríamos, porque dependia do clima, da chuva... Nem sempre a ‘cara' da hortaliça estava boa. Então um dia me deparei com uma notícia sobre uma fazenda vertical no Japão e decidi pesquisar sobre isso”, conta o empresário, que também toca uma empresa de publicidade.

Sem experiência prévia no ramo de cultivo de alimentos, Gomes procurou a ajuda da Embrapa e firmou uma Parceria Público Privada. Em março de 2020 ele montou um laboratório e a empresa pública iniciou os testes com diversos tipos de hortaliças. Em meados de agosto os testes já eram bastante positivos e o galpão para a produção comercial começou a ser montado em São Paulo.

Custo alto, mas retorno rápido

Uma antecâmara ajuda no controle de acesso à Fazenda Vertical. Foto: Ítalo Guedes / Embrapa
Uma antecâmara ajuda no controle de acesso à Fazenda Vertical. Foto: Ítalo Guedes / Embrapa

Ítalo explica que, em fazendas verticais, as plantas têm que ter um porte menor e um ciclo de produção rápido, pra que o produtor possa fazer várias colheitas ao ano pra pagar o investimento inicial, que é alto.

“Tecnicamente, podemos produzir praticamente qualquer coisa. Mas economicamente nem tudo é viável”, diz.  

Os custos de implantação não são revelados pelo empresário, mas ele afirma que partem da casa dos R$ 100 mil para uma produção mínima. O retorno, no entanto, vem rápido, segundo ele. Apesar de não ser rotulado como produto orgânico, as hortaliças produzidas em ambiente fechado competem com esse mercado.

O carro chefe da marca é a assinatura semanal, que começa em R$ 23,99 por dois pés de alface e um tempero, e vai até R$ 60 por quatros pés de alface, dois temperos e duas folhas. As hortaliças avulsas partem de R$ 4,99 pelo maço de “salsinha cheirosa”.

“Ninguém vai pagar mais caro porque a planta cresceu no ar condicionado, o que traz valor pro nosso produto é a garantia de não ter agrotóxicos, ser extremamente fresco e não precisar de higienização, já que o ambiente é totalmente controlado, não tem contato direto com o mundo exterior. Além disso, temos a garantia de que o alimento vai ser exatamente como se espera, bonito, no tamanho certo”, afirma Diego.

Para 2021, os planos do negócio envolvem firmar a clientela na capital paulista, expandindo o negócio para fornecer também a restaurantes e hotéis, e abrir uma nova fazenda em outra capital do país, ainda indefinida. Para os próximos três anos, a ideia é estar presente em sete capitais brasileiras.

Solução sustentável

Embora a pesquisa já tenha nascido com intenção de comercialização em São Paulo, a tecnologia desenvolvida pode ajudar a solucionar muitos problemas ligados à alimentação em meio às mudanças climáticas.

Além de não depender de clima favorável, a tecnologia permite que áreas muito pequenas se tornem muito produtivas, e também não depende de grande disponibilidade de água.

“Um metro quadrado de cultivo indoor corresponde a dezenas de metros quadrados em campo aberto. A produção, hidropônica, também usa quase 90% a menos de água do que cultivos normais”, afirma o pesquisador da Embrapa.

Entre os desafios apontados, no entanto, o principal está no custo. A atividade envolve tecnologias como sensores de condições ambientais e iluminação artificial que ainda não são encontrados no Brasil.

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