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Clube do Malte
Modelo de assinaturas adotado pelo Clube do Malte se consolidou; rede agora estuda volta de loja física.| Foto: Fernanda Barzenski/Divulgação

Com 10 anos no mercado de cervejas premium e artesanais, o Clube do Malte, que oferece pacotes de assinatura da bebida e venda avulsa por meio do site, também ficou apreensivo sobre o andamento dos negócios quando a pandemia de coronavírus se assolou pelo mundo ao longo de 2020 e 2021, e gerou forte impacto no Brasil, tanto humano quanto econômico. A empresa, no entanto, se beneficiou com o fato de já ter um negócio consolidado na internet, e viu as vendas explodirem: no último ano, a empresa cresceu 45% e chegou 10 mil assinantes mensais, além de 150 mil clientes cadastrados.

Fora o momento propício em que a maioria do consumo foi migrada para a internet no início de 2020, o Clube do Malte utiliza algumas estratégias para conquistar mais clientes. A primeira é a variedade: são 500 rótulos de todo o mundo disponíveis no site, além de desenvolvimento de produtos da marca própria em parceria com cinco fábricas no Brasil. Outra é aliar conteúdo à bebida: cada mês o assinante tem contato com um assunto diferente. Dia de Los Muertos e rótulos que harmonizam com churrasco são algumas das ações recentes.

O assinante recebe um guia com curiosidades dos produtos e sugestões de harmonização; o Clube mantém ainda um blog com o tema. "Hoje a gente entende que a cerveja já está muito bem distribuída, então temos que vender uma experiência. Os clientes adoram o conteúdo, temos uma base bastante engajada. Cerveja é um negócio apaixonante e envolvente", disse o CEO Douglas Salvador em entrevista ao Bom Gourmet Negócios. Em 2020, o Clube abriu um financiamento coletivo, e mais de 600 investidores entraram. "Muitos deles clientes", contou.

Douglas Salvador
O CEO do Clube do Malte, Douglas Salvador: assinaturas saltaram 45% em um ano. | Fernanda Barzenski/Divulgação

A previsão do Clube do Malte é dobrar o tamanho da empresa nos próximos dois anos. Para isso, vão apostar em diferenciais como política de preços especiais para os assinantes (de acordo com Salvador, o plano anual, por exemplo, acaba sendo mais vantajoso financeiramente para o consumidor), cashback na compra e descontos em empresas parceiras como Casas Bahia e Netshoes. "O cliente acaba pagando a assinatura com esses benefícios", frisa o CEO.

Cuidado na entrega

Uma preocupação desde que o Clube do Malte começou a vender cerveja na internet (em 2011) foi garantir que o produto chegue intacto para a casa do cliente. Por isso, desenvolveram um sistema de colmeias para isolar as garrafas corretamente, e trabalham com um leque de 10 fornecedores logísticos especialistas neste tipo de carga. "Hoje o nosso índice de avaria é menos de 1%, e garantimos o reembolso caso a garrafa chegue quebrada", diz Douglas Salvador.

Lojas físicas

O Clube do Malte chegou a ter em Curitiba lojas físicas para venda – seja para levar para casa, para presente ou consumir no local, em um modelo que aliava bebida e gastronomia. Agora, estudam a volta de pontos físicos em um modelo mais enxuto."Qualquer tipo de varejo hoje estará bem suscetível às variáveis econômicas no país. Migramos para o on-line, e agora vamos voltar para a loja física, mas em um formato voltado à conveniência", explica o CEO.

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Foco de lojas físicas será na venda de cervejas geladas, com preço competitivo. | Fernanda Barzenski/Divulgação

A ideia é testar o conceito e lançar a primeira loja em Curitiba ainda em 2021 e, na sequência, uma em São Paulo. De acordo com Salvador, as lojas serão pequenas, com foco em preços competitivos e venda de cerveja gelada para quem quiser consumir na hora. "Menos glamour e mais conveniência", define o CEO. Produtos como carvão, salgadinhos, gelo e uma prateleira com vinhos também devem integrar o modelo, que poderá ser de lojas próprias ou franquias. "Vai depender das variáveis que estamos testando", fala Salvador.

O mercado no Brasil

Mesmo com o aumento de preço de 10% nas cervejas da Ambev, anunciado pela companhia no dia 29 de setembro, o setor no Brasil só cresce: dados da Euromonitor apontam que o volume de cervejas vendido no país em 2020foi de 13,3 bilhões de litros. E a vontade de beber permanece: análise divulgada no começo de outubro pela plataforma Comscore aponta que 63% dos entrevistados na pesquisa se interessam pelo consumo de bebidas alcoólicas, atingindo 73 milhões de usuários - desses, 52% consomem cerveja e 38% vinho.

As cervejas premium devem, inclusive, se beneficiar do aumento de preço das marcas mais populares, ligadas à Ambev, pela proximidade cada vez maior entre os valores. O faturamento das cervejas consideradas premium cresceu 85% entre 2015 e 2020, chegando a R$ 52 bilhões, aponta a Euromonitor.

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