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ponto restaurante
Público-alvo, localização e concorrência são alguns dos quesitos para escolher o ponto ideal para o restaurante.| Foto: Bigstock

Começo de ano é tempo de traçar novas metas e objetivos profissionais, e se tornar o próprio patrão é um deles. Mas, é preciso atenção na hora de pensar num novo negócio, seja ele um restaurante, bar, café, padaria ou qualquer outro segmento no setor de alimentação fora do lar.

A ideia de colocar em prática o sonho de empreender passa por vários pontos de análise, como definir que tipo de negócio será aberto, o que vai servir, o público-alvo, como será a operação e, principalmente, o local em que o estabelecimento vai funcionar.

Este último, em especial, precisa de um olhar mais apurado se a ideia é atender presencialmente. Diferente de uma dark kitchen, onde basta ter um espaço administrativo, uma cozinha e uma área para o despacho aos entregadores, um ponto com salão tem que atrair e agradar os clientes.

Claudia Novaes, arquiteta especialista em arquitetura gastronômica, explica que a escolha do lugar vai além de ser apenas em um ponto qualquer de grande movimento, como se pensa em um primeiro momento.

“A escolha do endereço físico é a decisão mais importante para o comércio, e deve levar em conta muito mais do que a simples localização”, conta.

Quesitos como o público-alvo a ser atingido, a localização, a concorrência, as atividades permitidas pelo zoneamento, a infraestrutura e a acessibilidade precisam ser minuciosamente analisados.

Pontos de atenção

Ao Bom Gourmet Negócios, Claudia Novaes detalha os pontos de atenção que os empreendedores devem analisar ao decidir abrir uma nova operação:

1- Público-alvo

A arquiteta Claudia Novaes explica que, primeiramente, é preciso conhecer muito bem o público-alvo do estabelecimento antes de eleger o ponto ideal. O empreendedor deve analisar o perfil de cliente a ser atingido, os hábitos e preferências de consumo de acordo com o local onde pretende se instalar.

2- Localização e concorrência

Após definir quem é esse público-alvo, Claudia afirma que se pode buscar pela melhor região para o estabelecimento. Para ela, é importante avaliar que “80% das vendas devem estar concentradas em um raio que compreende uma caminhada de cinco minutos ou o deslocamento de carro por 10 minutos".

Além da distância, é preciso conhecer e analisar os horários de movimento da região, visitando-a em diferentes horários inclusive nos finais de semana “para entender o ciclo de movimento, determinar os momentos de pico e até quando não há tanta demanda”.

Para ela, estes fatores devem ser levados em conta para a execução do projeto. Nessa análise, também é possível observar a possível concorrência, localização, serviços oferecidos e preços praticados.

3- Zoneamento

Vaga viva
Cidades como Curitiba e São Paulo já permitiram a instalação das chamadas "Vagas Vivas", espaços para uso de pedestres em vagas rotativas públicas.| Aniele Nascimento/arquivo/Gazeta do Povo

Aqui está um ponto de atenção para os novos empreendedores: as atividades comerciais permitidas pelo zoneamento da cidade. Cada município tem a sua própria lei e regras específicas, como a permissão para instalação de grandes restaurantes, bares, casas noturnas, etc.

“A regularização do imóvel também não pode ser esquecida durante esse processo”, alerta Claudia Novaes.

Algumas cidades permitem inclusive a colocação de mesas e cadeiras em uma parte do passeio de pedestres (a calçada) e até mesmo em vagas rotativas públicas de estacionamento junto ao meio-fio. Uma consulta à secretaria municipal de urbanismo ou órgãos semelhantes na sua cidade ajuda a esclarecer essa e outras dúvidas.

4- Acessibilidade

Um bom ponto comercial deve apresentar uma visão da fachada privilegiada, tanto para pedestres como quem passa de carro. Afinal, ela é uma das principais propagandas do negócio, e precisa ser valorizada.

“Ter a possibilidade de uma entrada lateral para o delivery é um bom diferencial. Caso não seja possível, considere trabalhar em um ponto comercial com uma largura maior do que 5 m”, conta a arquiteta.

A facilidade de acesso é outro requisito mandatório. O comércio precisa facilitar a entrada do cliente, de preferência evitando escadas que podem limitar e dificultar a acessibilidade.

“E por experiência, costumo aconselhar os clientes a evitarem o futuro negócio se ele estiver situado muito próximo à circulação de uma faixa de ônibus”, recomenda Claudia Novaes.

Outra questão a levar em consideração é o estacionamento para veículos, mesmo que apenas vagas públicas na rua. A arquiteta recomenda escolher um ponto comercial com uma área específica ou a implantação de um serviço de manobristas e convênios com estacionamentos próximos.

5- Infraestrutura

Por fim, a infraestrutura deve ser impecável para a operação de um restaurante, bar ou padaria, principalmente se for em um imóvel com um certo tempo de uso já ocupado anteriormente por outros inquilinos.

“Na execução do projeto, sempre prevejo a substituição das instalações elétricas, bem como a execução de adaptações da rede de esgoto”, indica Claudia Novaes.

Ou seja, verificar se toda a fiação elétrica e rede hidráulica estão em plenas condições de funcionamento, se não há infiltrações pelo teto ou paredes, janelas, etc. De acordo com ela, os telhados devem estar em uma boa situação de conservação, já que a troca de telhas pode onerar mais o orçamento.

O mesmo vale para rachaduras, que necessitam de uma análise mais minuciosa para evitar reforços estruturais. “São detalhes que não podem passar desapercebidos, evitando problemas graves no futuro", finaliza.

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