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Espumantes
Os espumantes brasileiros estão entre os produtos vinícolas mais exportados, na Aurora representam 37% do volume comprado pelos chineses.| Foto: Dandy Marchetti/divulgação Aurora

Os Estados Unidos e a China descobriram os vinhos e espumantes brasileiros nos últimos cinco anos e foram os responsáveis por ampliar a exportação das bebidas em 325%, de acordo com um levantamento da Ideal Consulting. A consultoria, especializada em inteligência de mercado, apontou que os espumantes nacionais puxaram o consumo no exterior, ultrapassando até mesmo rótulos de Portugal e do Chile no mercado norte-americano.

Parte deste salto de consumo aconteceu ao longo de 2020, quando a safra brasileira foi menor do que o esperado, mas com uma qualidade superior às expectativas dos produtores. Segundo a Ideal Consulting, as exportações dos vinhos e espumantes brasileiros aumentaram 30%, chegando às 6,7 milhões de garrafas, com destaque para as bebidas produzidas no Rio Grande do Sul (90,7% das vendas), São Paulo (22,6%) e Paraná (22,2%).

De acordo com Felipe Galtaroça, CEO da Ideal Consulting, há dois fatores importantes que explicam o bom desempenho dos vinhos e espumantes brasileiros no exterior, como a qualidade da bebida e o trabalho dos produtores junto aos importadores.

“O espumante brasileiro, especialmente, tem se tornado um produto importante em países como os Estados Unidos e a China, que vêm crescendo muito o consumo principalmente pela melhora na qualidade das uvas e nas técnicas de vinificação adotadas nas vinícolas brasileiras”, conta.

O trabalho dos produtores brasileiros em abrir novos mercados com os importadores estrangeiros também é apontado como um dos responsáveis pelo salto de consumo no exterior. Estados Unidos e China são responsáveis por 81,6% das exportações de vinhos e espumantes brasileiros.

Consumo crescente

Os dados levantados pela Ideal Consulting encontram semelhanças com os apurados pela União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), que aponta um crescimento de 29,85% para os vinhos finos e 12,29 para os espumantes. Para o presidente da entidade, Deunir Argenta, embora o volume exportado ainda seja pequeno, já demonstra que a bebida nacional está sendo reconhecida pelo mundo.

“O mundo está enxergando a melhora na qualidade das nossas uvas e da vinificação, melhoramos muito nos últimos anos. As vinícolas brasileiras têm hoje a mesma técnica e equipamentos utilizados pelos europeus, e isso está sendo reconhecido”, explica.

A isso se soma a participação cada vez maior dos produtores brasileiros nas feiras internacionais de promoção dos vinhos, abrindo novos mercados e chegando até mesmo ao Reino Unido, segundo a Uvibra.

Nos dados consolidados, foram 4,4 milhões de litros de vinhos finos e 771 mil de espumantes exportados em 2020. Já o suco de uva teve uma queda expressiva de 43,13%, passando de 2,4 milhões para 1,3 milhão, segundo a Uvibra.

Gosto peculiar

Na cooperativa gaúcha Aurora, por exemplo, as vendas para o mercado externo tiveram uma alta de 47,6% em 2020 na comparação com 2019. Foram 668 mil litros de produtos como vinhos, espumantes, sucos de uva e coolers para países como a China (principal comprador com 36%), Holanda, Paraguai, Haiti, Estados Unidos e Japão.

Segundo Giorgia Forest, supervisora de exportação e importação da cooperativa, os chineses têm um gosto peculiar que varia de bebidas completamente sem álcool – o suco de uva responde por 53% da exportação da Aurora – até vinhos e espumantes mais pronunciados.

“São características que eles mais valorizam: uva bem marcante, fruta fresca e doçura. Os chineses preferem produtos pronunciados no paladar, sejam eles vinhos bem potentes, bem alcoólicos e com bastante taninos ou ao contrário, como vinhos com baixo teor alcoólico, mas bem intensos e aromáticos”, conta.

Os espumantes comprados pela China representaram 37% das exportações da Aurora, além de 16% dos vinhos. A cooperativa vende para o país asiático desde 2012, e atualmente conta com 12 importadores locais que comercializam diferentes produtos da marca sem competir entre si.

Felipe Galtaroça, da Ideal Consulting, explica que países com pouca tradição no consumo de vinhos, como Haiti (7,8%) e Colômbia (3,5%), passaram a figurar por conta de vendas pontuais. Mas também pelo trabalho desenvolvido pelos produtores junto aos importadores.

Enquanto a China e os Estados Unidos passaram a ser os maiores consumidores internacionais dos espumantes brasileiros, o Paraguai avançou 31,5% na compra dos vinhos nacionais. O país consome 63,7% da bebida, mas apenas de vinhos de mesa.

Otimismo

O ano de 2021 também deve ser de novos recordes de produção e de exportação dos vinhos brasileiros. A safra está estimada em 800 mil toneladas só no Rio Grande do Sul, responsável por 90% da bebida produzida no país.

Deunir Argenta explica que a safra recorde tem seu lado bom e ruim. O bom é que mostra como a produção brasileira de vinhos finos têm avançado e melhorado com o passar dos anos. Já o ruim será o gargalo de distribuição, por conta da falta de garrafas que vem acontecendo desde 2020.

“Se já enfrentávamos este problema com uma safra menor, nosso grande desafio será resolver esta situação, uma vez que o consumo per capita subiu no ano passado. Mas, com a safra recorde, conseguiremos repor os estoques que venderam sem precedentes em 2020”, conta.

A expectativa das indústrias é de que a falta de insumos seja normalizada até o segundo semestre. Por outro lado, a continuidade do crescimento das vendas vai depender também de como a pandemia do coronavírus avançar.

“No ano passado nós tínhamos uma pandemia, mas não sabíamos como ela iria se comportar. Para este ano já sabemos, mas essa segunda onda ainda nos deixa ansiosos sobre como serão os hábitos das pessoas”, completa o presidente da Uvibra.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil tem hoje 831 vinícolas, sendo 614 delas localizadas no Rio Grande do Sul.

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