Vinho de caixinha
A Fabenne produz quatro variedades de vinhos vendidos nas embalagens bag-in-box.| Foto: Vinícius Murari/divulgação Fabenne

Já bastante populares em países como Estados Unidos, França e Austrália, os vinhos em embalagens “bag-in-box”, semelhantes a caixinhas de leite longa-vida, estão ganhando espaço no Brasil com potencial de crescimento que vem se mostrando forte há dois anos.

Em uma das empresas que envasam a bebida neste formato, as vendas tiveram um salto de 315% em 2020 na comparação com o ano anterior, com um faturamento de R$ 4 milhões. Para este ano, a Fabenne, que se apresenta como uma “startup de vinhos”, prevê um crescimento de 500%, atingindo a marca de R$ 16 milhões em receita principalmente com as vendas diretas para o consumidor final e para o on trade – restaurantes que vendem em taça.

Esse crescimento e a meta ousada se dão em cima do aumento do consumo de vinhos pelos brasileiros, que bateu recorde no ano passado e chegou aos 2,7 litros por pessoa acima dos 18 anos. No entanto, a maior parte disso ainda é de vinhos engarrafados, enquanto que o bag-in-box representa apenas 1% do mercado nacional.

Para Adriano Santucci, sócio e co-fundador da Fabenne, as vendas da empresa cresceram não apenas pelo novo hábito dos brasileiros de se permitirem experimentar mais os vinhos durante a pandemia, principalmente os rótulos nacionais. Mas pelo custo-benefício do formato, menos do que os engarrafados.

“Além de toda a tributação que já existe, a garrafa de vinho também acaba encarecendo o valor do vinho. Mesmo com maior produção e envase, ela é pesada, o que encarece o transporte, a segurança de logística, etc. Já o bag-in-box é muito mais leve, consegue transportar muito mais num caminhão, não corre o risco de quebrar no meio do caminho, e isso acaba barateando no final”, explica.

No final das contas, segundo Santucci, o preço por taça fica em torno de 50% mais barato, por volta de R$ 6 a cada 200ml. Cada caixinha é envasada com 3 litros de vinho, ao custo médio de R$ 99 – há desconto progressivo para aquisições maiores e negociações específicas para restaurantes.

Qualidade

Os vinhos produzidos pela Fabenne têm curto período de vinificação, com a safra envasada pouco depois da colheita. É uma bebida jovem, o que leva a um consumo mais recorrente do que rótulos mais elaborados e mais caros.

O objetivo, de acordo com o co-fundador da marca, é tornar o acesso à bebida mais democrático e não apenas em ocasiões especiais ou fins de semana. Para ele, o vinho pode ser mais acessível a todos, diariamente.

“Quanto mais caro o vinho, menor o consumo, e isso acaba ‘ritualizando’ o ato de se consumir. Você não vai beber uma garrafa de R$ 100 ou R$ 200 todos os dias, mas uma taça de R$ 6 com uma qualidade muito superior é possível”, conta.

As quatro variedades oferecidas pela Fabenne levaram um ano para ser desenvolvidas, junto da embalagem que mantivesse a qualidade sem oxidar o vinho por causa do contato com o ar. Isso acontece por conta da ação da gravidade, já que o acesso à bebida se dá por uma pequena torneira na parte inferior da caixinha. Isso evita a entrada de ar na embalagem.

“Tecnicamente não existe nenhuma diferença no vinho que vai para a garrafa ou para o bag-in-box, é exatamente a mesma bebida com uma embalagem diferente, mas com uma técnica que permite que ele dure muito mais (até 30 dias)”, ressalta.

A Fabenne tem um catálogo com quatro varietais, como as opções tintas de Cabernet Sauvignon e Cabernet Sauvignon Seleção Especial, o branco Moscato Giallo e o Rosé, produzidos pela cooperativa Vinícola São João, de Farroupilha, na Serra Gaúcha. A produção em 2020 foi de 150 mil litros de vinhos, com a expectativa de chegar aos 450 mil litros neste ano.

Necessidade própria

Criada em 2017 em uma sociedade de Adriano com o primo Thiago e o cunhado Arthur Garutti, a Fabenne surgiu de uma necessidade destes dois últimos. Eles foram passar um fim de semana no interior do estado de São Paulo e, quando abriram a última garrafa de vinho, disseram que não conseguiriam toma-la inteira.

“E gerou um insight de como tomar um vinho sem estragar. Aí começaram a pesquisar e descobriram um vinho chileno bag-in-box para o dia a dia”, conta Adriano, que foi convidado pela dupla para desenvolver um produto semelhante no Brasil.

Ele conta que este formato já existia no Brasil, mas era tido como “vinho de garrafão no saquinho”. Foram seis meses de planejamento do produto, conversas com a vinícola (que já tinha o maquinário necessário, mas sem expertise de produção), embalagens, etc. Depois passaram mais oito meses desenvolvendo o MVP (Produto Mínimo Viável, na sigla em inglês) até chegar no produto final – em 2020 chegou aos 10 mil lares, com 12 mil pedidos.

A expectativa é alcançar 50 mil pedidos neste ano, com a meta de chegar aos 400 pontos ontrade.

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