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Food to Save
As “sacolas surpresas” da Food to Save são compostas por alimentos variados salgados, doces ou in natura, dependendo da disponibilidade do dia.| Foto: Jefferson de Souza/divulgação

Celeiro do mundo, um dos maiores exportadores de alimentos do planeta e, ainda assim, um dos que mais desperdiçam comida boa para o consumo todos os dias. Foi olhando mais a fundo para o Brasil que a foodtech paulista Food to Save já conseguiu resgatar mais de 10 toneladas de produtos variados, entre prontos ou in natura, que iriam para o lixo por sobra de consumo ou excedente de produção.

A empresa foi criada há apenas cinco meses ainda durante a pandemia, e faz uma espécie de resgate dos alimentos em mercados, restaurantes, padarias e congêneres. Os estabelecimentos vendem os excedentes de produção ou próximos da data de validade em “sacolas surpresas” com até 70% de desconto.

Lucas Infante, CEO e cofundador da Food to Save, explica que a iniciativa proporciona uma economia de dinheiro para os estabelecimentos, que podem rentabilizar em cima do alimento que seria jogado fora, e ainda permite que mais pessoas conheçam o que é servido ali por um valor muito mais baixo que o praticado normalmente.

"Nós queremos revolucionar o desperdício de alimentos no país e, ainda, fazer com que mais pessoas tenham acesso a bons alimentos, e se a gente pode fazer isso de forma mais sustentável e ajudando o meio ambiente, por que não?", questiona.

Só em São Paulo e Grande ABC, onde a foodtech atua, são pouco mais de 130 estabelecimentos participantes, como a Bella Mariana Panificadora, a rede de restaurantes Manai e Manai Veggie, unidades do Rei do Mate, entre outros. A meta é chegar a 600 estabelecimentos até o final do ano, e expandir para outras cidades do país em 2022.

Sacola surpresa

Cada estabelecimento cadastrado na plataforma monta a sua própria “sacola surpresa” com os seus excedentes de produção ou alimentos ainda em boas condições de consumo próximos do prazo de validade. Há opções de salgados, doces ou mistos, de acordo com a disponibilidade de cada local.

Em alguns casos, o preço do pacote de produtos cai de R$ 30 para apenas R$ 10,99 em um dos empórios participantes. Em outro restaurante, a sacola de R$ 45 é vendida por R$ 15,99.

Enquanto os clientes podem fazer as compras com até 70% de desconto, cada venda tem o valor dividido entre o restaurante (60%) e a plataforma (40%).

Delivery ou retirada

Food to Save
As sacolas são entregues em horários agendados, normalmente após o fim da produção do período.| Jefferson de Souza/divulgação

Os pedidos são feitos diretamente no site ou aplicativo da Food to Save, disponível para os sistemas Android e iOS. Basta digitar o CEP da residência em que deseja receber os produtos ou retirá-los, e visualizar os estabelecimentos mais próximos que possuem sacolas disponíveis no dia.

"Nós sabemos que a maioria dos aplicativos que oferecem esse tipo de serviço mais sustentável não estão disponíveis para todas as localizações, o que é justamente o contrário do nosso foco", conta Lucas Infante.

Após escolher o produto, o cliente seleciona o horário de retirada disponível e se deseja buscar pessoalmente ou através do delivery – normalmente há uma taxa de entrega. A plataforma é utilizada por cerca de 25 mil usuários cadastrados atualmente.

Conscientização

Além de reduzir o desperdício de alimentos, a Food to Save também promove uma espécie de educação financeira e alimentar nas contas nas redes sociais. No Instagram, por exemplo, dá dicas de quais são as frutas e vegetais “da época” a cada mês, como evitar que comida boa para o consumo seja jogada no lixo, entre outras.

“Prepare a quantidade de comida necessária. Culturalmente fomos ensinados que ‘é melhor sobrar do que faltar’, mas essa ideia está ultrapassada e queremos incentivar o consumo consciente”, diz uma das postagens.

Além disso, a plataforma também incentiva o consumo de alimentos de produtores locais, ajudando a fomentar a economia da região.

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