Delivery comida
O delivery de alimentos e bebidas movimentou R$ 18 bilhões no ano passado.| Foto: Bigstock

Mercado cada vez mais estratégico para o e-commerce e de maior crescimento para os restaurantes, o delivery está ganhando um concorrente de peso que promete mexer com a concorrência. O gigante Magazine Luiza, que passou a se chamar Magalu, confirmou a quarta posição entre os aplicativos de entrega com a compra de duas novas operações para incrementar a presença digital da marca.

As plataformas ToNolucro e GrandChef se somam à AiQFome, adquirida no ano passado, para o Magalu fincar de vez os pés em um mercado que movimentou R$ 18 bilhões somente em 2020 – valor recorde que vem crescendo ano a ano, principalmente por causa da pandemia do coronavírus que provocou o fechamento dos restaurantes para atendimento presencial.

Com as novas aquisições, a gigante do varejo fica atrás apenas das plataformas iFood, Uber Eats e Rappi. Mas não por muito tempo segundo Eduardo Galanternick, vice-presidente de negócios do Magalu.

“Devemos, em pouco tempo, estar brigando pela liderança desse setor. O superapp do Magalu será referência na cabeça do brasileiro, quando a fome bater”, explica.

A previsão não é à toa. Especialistas ouvidos pelo Bom Gourmet Negócios são categóricos em afirmar que o mercado de delivery veio para ficar, e que quanto maior a concorrência, melhores serão as condições para os restaurantes.

Para se ter uma ideia do tamanho deste mercado, o líder iFood deu um salto de 30 milhões de pedidos ao mês para cerca de 50 milhões durante a pandemia. Pesquisa do Instituto Locomotiva com a VR Benefícios aponta que o número de empresas servindo no delivery passou de 49% antes da pandemia para 81% depois das medidas restritivas.

Taxas menores?

Embora as novas plataformas ainda estejam sendo integradas ao superaplicativo do Magalu, a estratégia de brigar pelas primeiras posições provavelmente se dará com a concessão de incentivos tanto aos restaurantes como para os clientes, como fez a chinesa 99Food quando entrou no Brasil, há pouco mais de um ano.

São incentivos como taxas menores e muitos cupons de desconto, somados a uma das principais dores dos restaurantes: as comissões cobradas por cada prato pedido – variam de 27% a 30% entre as maiores plataformas.

Segundo Marco Amatti, consultor e diretor-executivo da Abrasel-SP, as negociações entre plataformas e restaurantes vão ter que ser revistas em algum momento, o que vem a calhar dependendo da estratégia e do caixa de novos players no mercado.

“Esse custo é necessário para a expansão do delivery, mas acaba sacrificando os menores operadores. É evidente que as plataformas são necessárias, mas estamos em um momento de repensar essa relação”, explica.

Embora o Magalu não revele como será a estratégia para chegar às primeiras posições, os valores que giram nas plataformas dão uma dimensão de como deve ser a briga. Só o AiQFome movimentou R$ 1 bilhão no ano passado, processando 30 milhões de pedidos em 500 cidades do país.

A compra do aplicativo ToNoLucro vai aumentar a presença do AiQFome nos estados de Goiás, Pará e Tocantins, com a entrega de pedidos e processamento de pagamentos. Atualmente são cerca de dois mil entregadores e cinco mil restaurantes cadastrados.

Já a plataforma GrandChef, fundada no Paraná, permitirá ao Magalu não apenas entregar os pedidos, mas também fazer a gestão dos restaurantes. Por meio de aplicativos para celular e sistemas para desktop, a ferramenta permite o controle de pedidos online e offline (mesas, comandas e balcão) e a integração com plataformas de delivery, além da gestão financeira e controle de estoque. Atualmente são mais de três mil clientes em 25 estados brasileiros.

E-commerce em expansão

Segundo o Magalu, a estratégia de aprimorar o delivery de alimentos e bebidas ao aplicativo próprio se dá pelas projeções otimistas do mercado. O mercado de alimentação fora do lar alcançou a cifra de R$ 196 bilhões ao longo de 2020.

Levantamento recente do Ebit com a consultoria de mercado Nielsen apurou que o segmento teve um dos maiores saltos de vendas no ano passado, com um crescimento de 22%.

E não apenas isso. Outro levantamento realizado pelo Google Consumer Survey no mês passado apontou que 30% dos entrevistados preferem comprar através de aplicativos de delivery, por conta da praticidade, promoções e descontos e uma melhor visualização das opções disponíveis.

Além das plataformas de delivery de pratos dos restaurantes, o Magalu também comprou o VipCommerce, uma plataforma de supermercados, do ano passado. Serviços como iFood, Uber Eats e Rappi também operam compras no varejo.

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