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Leite vegetal Nude
Embalagens da brasileira Nude mostram o quando deixou de emitir carbono na produção.| Foto: Flavio Melgarejo/divulgação

A busca por consumir de forma consciente é uma tendência cada vez mais presente no setor de alimentos. A “questão ambiental” foi citada por 49% dos entrevistados da pesquisa global Tetra Pak Index de 2020, ficando em segundo lugar no ranking das principais preocupações dos consumidores, atrás apenas da “Covid-19”, citada por 64%.

Surfando nessa onda crescente de responsabilidade ambiental, empresas brasileiras têm procurado se posicionar com mais firmeza na categoria sustentável, trazendo para o mercado nacional tendências ainda pouco difundidas por aqui.

Uma delas é a foodtech de bebidas plant based Nude., que lançou seus primeiros produtos - leites à base de aveia orgânica brasileira e zero carbono - em dezembro de 2020. Apesar de neutralizar todo o carbono produzido no processo através do programa Amigo do Clima, a marca decidiu imprimir na própria embalagem a pegada de carbono que teria deixado de gerar.

"A gente não queria ser apenas uma empresa que neutraliza o carbono que produz, a gente quer contar o quanto de carbono produz e neutraliza, pra que as pessoas pensem sobre isso”, afirma a co-fundadora da Nude., Giovanna Meneghel.

Além do carbono neutro, a empresa buscou outras certificações como o a do Sistema B - de empresas que se comprometem a gerar impacto socioambiental positivo, e não apenas mitigar impactos negativos; Selo Eu Reciclo; Certificado Orgânico Brasil e produto vegano pela Sociedade Vegetariana Brasileira.

Apesar da burocracia...

Giovanna Meneghel conta que os processos de certificação podem ser longos e burocráticos, mas que têm gerado um retorno positivo. Em uma ano relativamente incerto por conta da pandemia, ela diz não ter tido muitas dificuldades em levantar o investimento inicial de R$ 2 milhões.

"Tenho certeza de que isso teve muito a ver com o nosso posicionamento de marca sustentável”, diz.

Com cerca de dois meses desde o lançamento a Nude. já esgotou as produções iniciais das cinco versões de leite vegetal, e está com a terceira leva de bebidas à caminho.

“Lógico que o início é desafiador, mas estamos otimistas, tivemos muitas lojas nos procurando por conta do nosso posicionamento”, afirma Giovanna.

Os produtos da Nude. já estão disponíveis em mais de uma centena de pontos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná.

Cada litro dos leites da marca custa entre R$ 15,90 e R$ 19, dependendo do canal de venda. Giovanna conta que o valor ainda é elevado por conta da escala de produção. No entanto, a expectativa é baixar o preço no médio e longo prazo.

Água sem plástico

Água na Caixa
Startup criou uma embalagem de água que é totalmente reutilizável.| Yan Carpenter/divulgação

Outra novidade ainda pouco difundida no Brasil é a água mineral envasada em caixas de papel, em vez de garrafas de plástico. Além de eliminar do processo um dos principais poluidores dos oceanos, a caixa usada é 100% reciclável e reutilizável, além de ser feita com 82% de materiais renováveis: 54% de papel e 28% de plástico de cana-de-açúcar. A porcentagem que resta é correspondente ao alumínio que reveste a caixa internamente que, embora não seja um material renovável, pode ser reciclado.

Apesar de o envase em caixas já existir há mais de 10 anos em países como os Estados Unidos, a startup Água na Caixa é a primeira empresa brasileira a investir na ideia por aqui. Com produto lançado em janeiro, eles já têm parceria com uma rede de mercados de São Paulo, alguns restaurantes e afirmam estar em conversas avançadas com uma companhia aérea e redes de hotéis, como o Fasano.

“A gente buscou essa embalagem ecológica e também bonita, que o consumidor pode levar pra casa e reutilizar como garrafinha, transformar num copo para plantas, um porta-lápis… Um dos nossos pilares é ter um bom design como parceiro ideal para esse convite para reutilização”, explica Fabiana Tchalian, co-fundadora da Água na Caixa. 

O foco business-to-business faz parte do plano da marca de "revolucionar" o consumo de água fora de casa. Isso porque a Água na Caixa acredita que, dentro de casa, há uma solução ainda mais sustentável: o já conhecido filtro de barro.

Como estratégia de divulgação, a startup fez uma parceria com artesãs do Vale do Jequitinhonha e encomendou 150 filtros de barro para enviar a influenciadores e formadores de opinião. O objetivo é incentivar o consumo de água simples e saudável e divulgar o trabalho desenvolvido no Vale e em outras comunidades artesãs do país. Após o lançamento, o filtro continuará sendo comercializado com o apoio e divulgação da startup.

Outro formato mais ambientalmente sustentável que está sendo adotado aos poucos pela indústria de água mineral é o uso de latinhas de alumínio. Atualmente, três empresas brasileiras já investem neste metal que pode ser reciclado indefinidamente, como as paranaenses Água Serra do Atlântico e Minalba e a multinacional Ambev.

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