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Leite vegetal
Pesquisas apontam que 27% dos brasileiros dizem estar reduzindo o consumo de alimentos de origem animal.| Foto: Bigstock

Seguindo a tendência cada vez mais crescente de produtos de origem vegetal, o chamado plant based, a gigante alimentícia Nestlé anunciou nesta semana o lançamento de uma linha de leites em pó alternativos para ampliar a presença da marca no mercado brasileiro.

O investimento, que não teve valores revelados, incrementou as marcas Ninho e Molico com a versão produzida com grãos e cereais variados acrescidos de vitaminas e minerais essenciais. O objetivo da marca é ampliar a base de consumidores de itens de origem vegetal que cresce ano a ano.

"As inovações se anteciparam à tendência das pessoas buscarem produtos associados a uma alimentação equilibrada e completa, e também à uma produção com foco na naturalidade e na sustentabilidade", explica Carine Mahler, diretora de marketing de lácteos da Nestlé Brasil.

Segundo a multinacional, a nova linha de leites em pó de origem vegetal se soma aos preparados para beber plant based lançados no mercado brasileiro em 2019, nos sabores “Maçã & Banana” e “Morango & Banana”. As bebidas foram desenvolvidas a partir de um mix de ervilha e aveia.

Alternativa ao animal

Embora os dois novos produtos tenham origem vegetal, Molico e Ninho plant based possuem formulações diferentes e voltadas a públicos específicos. O primeiro foi desenvolvido para adultos que buscam uma alternativa nutritiva ao leite de origem animal, enriquecido com cálcio, fibras, vitaminas e minerais essenciais para a reposição dos nutrientes perdidos ao longo do dia. O preparado tem, ainda, 7 gramas de proteínas por porção, segundo a marca.

Já o segundo é voltado às crianças, com uma combinação de grãos, cereais e vitaminas semelhantes aos encontrados no leite de origem animal.

Outros produtos da Nestlé feitos de plantas têm sido lançados desde 2017, com investimentos em desenvolvimento na ordem de R$ 15 milhões, como Ninho Forti+ Vegetal, Nature’s Heart e Nesfit de aveia e arroz integral.

Tendência crescente

A investida da Nestlé no desenvolvimento de alimentos de origem vegetal faz parte de um grande movimento de outras multinacionais alimentícias em um mercado que já fatura cerca de US$ 450 bilhões (R$ 2,5 trilhões) em todo o mundo, segundo a consultoria de inteligência CB Insights.

Só no Brasil, segundo a Euromonitor, o faturamento de alimentos plant based ultrapassa os US$ 30 bilhões (R$ 166 bilhões) ao ano. Já a consultoria Kantar Worldpanem aponta que 27% dos brasileiros dizem estar reduzindo o consumo de proteína animal e buscando alternativas alimentares.

Os números promissores não só dos substitutos à proteína animal como o próprio mercado brasileiro fizeram a companhia suíça investir mais de R$ 800 milhões no país desde meados do ano passado – um dos principais investimentos foi a inauguração de um centro de inovação e tecnologia em São José dos Campos (SP) no começo de setembro.

Mais recentemente, a concorrente Unilever também lançou no Brasil uma linha de hambúrgueres, nuggets, carne moída e almôndegas feitos de soja, óleo de coco e girassol. Outra multinacional a investir fortemente no país tem sido a chilena NotCo, que nacionalizou a produção de hambúrgueres e leite vegetal em meados do ano passado, e se mobiliza para mudar as regras de tributação que encarecem os produtos alternativos à proteína animal.

Além delas, a marca paranaense Caldo Bom lançou recentemente uma linha de misturas para o preparo de almôndegas, hambúrgueres e quibes feitos de grãos como feijão, lentilha e ervilha. O desenvolvimento dos produtos teve um investimento de R$ 650 mil, também de olho na crescente busca dos brasileiros por alimentos plant based.

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