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complexo gastronomico halifood
Complexo com as três marcas da holding faz parte de um novo modelo de negócios.| Foto: Rodrigo Medeiros/divulgação Halifood

Seguindo a tendência cada vez mais presente de tornar os postos de combustíveis ainda mais convenientes, com diversos serviços como supermercados e restaurantes, a holding de alimentação e participações Halipar inaugurou, na última semana, um complexo com três marcas de operações que até então só existiam em lojas de rua e praças de alimentação de shoppings centers.

Chamado de Halifood, o complexo reúne unidades das marcas Montana Grill, Croasonho e Milanetto com uma cozinha compartilhada que serve também ao delivery e um posto de combustíveis com outras operações gastronômicas. O local teve um investimento de R$ 1 milhão e está localizado na região da Chácara Flora, na zona sul de São Paulo.

O projeto é semelhante ao implantado pela holding, no ano passado em Campinas, próximo ao Aeroporto Internacional de Viracopos. Segundo o CEO da Halipar, Ricardo José Alves, o novo formato de operação é o caminho encontrado pela empresa para diversificar os negócios e atrair novos franqueados.

“Com esta unidade, que é nossa primeira loja em um posto de gasolina, inauguramos também uma nova proposta para os atuais e futuros franqueados. Estamos apresentando uma excelente oportunidade de negócio para que os investidores vislumbrem outras possibilidades, além dos shoppings”, explica.

As três lojas da holding na capital paulista ocupam um espaço de 280 m² às margens da Avenida Washington Luiz, uma das mais movimentadas que dá acesso, entre outros pontos, ao Aeroporto de Congonhas e ao extremo sul da cidade e região metropolitana.

Comodidade

Levar as lojas para fora dos shoppings centers é um caminho que vem sendo trilhado por diversos empresários, principalmente por conta dos custos de operação dentro dos centros de compras. Especialistas ouvidos pelo Bom Gourmet Negócios afirmam que, com a pandemia, os negócios de rua e centros compartilhados ao ar livre passaram a ter uma movimentação maior das pessoas, para se evitar aglomerações.

Marco Amatti, consultor da Mapa Negócios em Alimentação Fora do Lar e responsável pela FCSI no Brasil (Foodservice Consultants Society International), diz que as pessoas passaram a querer cada vez mais conveniência no seu dia a dia, sem precisar entrar em grandes estacionamentos e caminhar muito para chegar ao restaurante ou ao supermercado.

Isso, segundo ele, explica o crescimento dos espaços de conveniência que reúnem tudo o que se precisa em um único lugar.

“Esse hábito já vinha se desenvolvendo antes da pandemia, e se consolidou no ano passado, com as pessoas querendo exatamente isso, a conveniência e a praticidade”, conta.

Uma das iniciativas mais recentes surgidas no mercado, por exemplo, foi a chegada ao Brasil do modelo drive-thru da rede de cafeterias Starbucks. Até então, as unidades da marca no país contavam apenas com atendimento no salão e no balcão, mas a necessidade criada pela pandemia a fez repensar no formato de operação.

No país sede da marca, os Estados Unidos, a Starbucks já conta com 60% das unidades servindo no modelo de drive-thru, que se consolidou ao longo de 2020. Aqui no Brasil, a loja-piloto está em operação na Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.

Além das duas redes, outras marcas também estão investindo forte em espaços compartilhados, como as curitibanas Madero, que abriu uma parada de beira de estrada com diversas operações, e Condor, com um pequeno supermercado completo para o dia a dia junto da loja de conveniências.

Strip malls

O aumento da busca por comodidade em detrimento dos shoppings centers fez crescer um novo ramo de negócios: os chamados strip malls. São estes centros de compras e conveniência com diversas operações de alimentação e serviços e, muitas vezes, postos de combustíveis, que reúnem em um só lugar praticamente tudo o que os consumidores precisam no dia a dia – com custos até 50% menores do que nos shoppings centers, dependendo da negociação.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), as vendas chegaram a despencar 90% em abril de 2020, período mais alto da pandemia do coronavírus. No apanhado do ano, a queda foi de 33,2 na comparação com 2019. Por outro lado, os strip malls tiveram uma retração menor, entre 25% e 30% nos meses de restrições mais rigorosas segundo a Associação Brasileira de Strip Malls (ABMalls).

“O consumidor vai ao shopping para uma visita planejada e por um tempo maior. O strip mall é um empreendimento para o cliente do bairro, que vai até ele em momentos diferentes do dia e fica lá por um tempo médio de apenas 40 minutos”, explica Marcos Saad, presidente da ABMalls, em entrevista ao Mercado & Consumo.

A taxa de vacância destes espaços também foi menor do que nos shoppings centers, em média de apenas 2%. Nos grandes centros de compras, o índice ficou em 9,3%.

Ao todo, o Brasil tem hoje 160 strip malls associados à entidade representativa, espalhados pelas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-oeste. No entanto, este número pode ser ainda maior entre os estabelecimentos independentes.

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