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Pagamento com PIX já é realidade em 79% dos restaurantes brasileiros.| Foto: Bigstock

A chegada do PIX há quase sete meses, o meio de pagamentos instantâneos do Banco Central, mudou não apenas a forma como as pessoas transferem dinheiro de uma conta para a outra. Mas também como o almoço ou o jantar do restaurante são pagos, sem precisar passar cartão de crédito ou tirar o dinheiro da carteira.

E isso é comprovado pelos números. Se no começo essa modalidade gerava um pouco de desconfiança e dúvidas sobre como funcionaria no dia a dia dos estabelecimentos, hoje ela já é usada em quase 8 a cada 10 restaurantes brasileiros.

É o que revela um dos dados apurados pela mais recente pesquisa setorial da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) com a Galunion Consultoria e o Instituto Foodservice Brasil. De acordo com o levantamento, 79% dos empresários entrevistados já adotam ou pretendem adotar o PIX como alternativa de pagamento para os clientes, sendo 67% nas redes alimentícias e 83% nos restaurantes independentes.

Aliás, qualquer método alternativo de pagamento vem sendo aceito pelo mercado, de acordo com Simone Galante, CEO da Galunion Consultoria. O objetivo segundo eles é incentivar o consumo sem barreiras.

“Um operador falou o seguinte: eu aceito PayPal, Mercado Pago, PIX, qualquer moeda, quero que o consumidor não tenha nenhum tipo de empecilho para comprar de mim”, disse durante uma live.

Isso é explicado também pela facilidade do cliente ao pagar a conta, com o celular mesmo ao informar a chave PIX ou escanear o QR Code, e também por não ter a incidência das taxas cobradas pelas operadoras de cartões de crédito. Em todo o Brasil já são mais de 130 milhões de chaves cadastradas, segundo o Ministério da Economia.

Facilidade

Essa, inclusive, é a principal vantagem apontada por Rafael Vieira Oliveira, sócio do restaurante Doppo Cuisine, em Curitiba. Ao Bom Gourmet Negócios, ele explicou que o PIX permite a entrada do dinheiro instantaneamente, na hora, e não ter absolutamente nenhum desconto extra.

“Eu utilizo o PIX no restaurante desde meados de fevereiro, e hoje representa em torno de 5% do faturamento. No começo não divulgávamos essa possibilidade, mas os clientes começaram a chegar pedindo isso e adotamos de vez”, conta.

Rafael conta que tem visto o pagamento por PIX crescer mês a mês, e acredita que vai se tornar um dos principais métodos em breve. É o mesmo que a Cristina Araújo, analista de capitalização e serviços financeiros do Sebrae, vê como uma promessa do mercado.

De acordo com ela, o recebimento por PIX ajuda principalmente no controle do fluxo de caixa, já que o dinheiro entra na hora, enquanto que as operadoras de cartões de crédito demoram de 7 a 30 dias para repassar os valores.

“No final do dia, o dono do estabelecimento tem condições de ver quanto tem na conta bancária. Como os recursos são transferidos em poucos segundos, o empreendedor consegue ter mais controle do cenário financeiro da empresa diariamente”, explica.

Pesquisa realizada pelo Bom Gourmet Negócios com empresários de Curitiba, São Paulo e Porto Alegre confirmou os números apontados pela Galunion Consultoria, mas atestou que o método instantâneo de pagamentos ainda caminha timidamente nos salões de restaurantes.

No bar Rock Pizza Roll, do curitibano Marcelo Soder, o uso do PIX ainda é modesto e não chega a 10% dos pagamentos. No entanto, ele acredita que isso deve mudar em breve.

“Acho que mais uns três meses vai chegar a 25% das contas pagas. É uma facilidade principalmente pro cliente, que não precisa pegar o cartão ou vincular a outro sistema de pagamentos, é muito mais prático”, conta.

No bar dele, as transações com cartões de crédito chegam a 50%, mas são os outros métodos eletrônicos como PicPay que estão perdendo espaço para o PIX.

Além do salão

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O restaurateur gaúcho Luiz Albuquerque passou a usar o PIX como ferramenta de confirmação de reservas.| Ale Porciúncula/divulgação

Por outro lado, o uso dele para encomendas e delivery já chama mais a atenção. É o que acontece nas duas panificadoras Saint Germain do empresário Lourenço Bandeira, também de Curitiba.

Embora ele ofereça o PIX na loja e nas encomendas, é nesta segunda que tem o maior montante. Lourenço conta que, às vezes, a transação demora alguns minutos para confirmar, mas nada que afete a experiência de consumo.

“Facilitou muito com as encomendas de sexta e sábado, que não tínhamos como confirmar os pagamentos via TED ou DOC [modalidades de pagamentos tradicionais oferecidas pelos bancos, geralmente com taxas ao correntista]”, diz.

Por outro lado, o restaurateur Luiz Albuquerque, gestor executivo do restaurante Famiglia Facin, de Porto Alegre, encontrou mais um uso para o PIX no dia a dia do negócio: a confirmação de reservas.

Desde que abriu a nova unidade no Cais Embarcadero há pouco mais de um mês, ele diz que já conseguiu reduzir em 80% o índice de “no show” das mesas reservadas.

“Por conta da pandemia e por ser uma novidade, que toda Porto Alegre quer vir ao Cais, nós tivemos que começar a trabalhar com reservas. Logo nos primeiros dias percebemos que pessoas faziam reserva e não compareciam, então começamos a solicitar um PIX de R$ 100 por mesa, que depois é compensado na conta final. Como o restaurante tem um tíquete-médio bastante alto, essa cobrança acaba sendo praticamente simbólica”, conta.

Ele explica que antes de adotar o PIX para confirmar as reservas, o restaurante perdia em torno de 3 a cada 10 não comparecidas sem aviso prévio.

[Quase] sem taxas

Embora o sócio do restaurante Doppo Cuisine não pague nenhuma taxa para receber os pagamentos por PIX dos clientes, o Banco Central afirma que os bancos podem cobrar uma pequena tarifa de utilização. De acordo com a instituição, a transferência entre pessoas físicas não pode ser cobrada, mas para pessoa jurídica sim.

“O próximo passo para começarem a receber com o PIX é escolher o prestador de serviço de pagamento e, logo após, fazer a integração com sistemas de automação, caso possua. E depois é só começar a receber com o PIX”, afirma Cristina Araújo.

As taxas cobradas pelos bancos variam de uma instituição para a outra dependendo da negociação. Pode ser isenta a até 1,45% do valor de cada transação. Ou seja, é preciso pesquisar antes de começar a cobrar, já que para grandes volumes movimentados, a taxa do PIX pode sair mais cara do que uma TED ou DOC.

Depois de contratar o banco, fintech ou instituição financeira de pagamento, é preciso integrar a modalidade ao sistema de gestão para poder ter o controle das contas. As instruções para a implantação variam de uma instituição para a outra.

Veja cinco benefícios do PIX para as micro e pequenas empresas, de acordo com o Sebrae:

  • 1- Velocidade de disponibilização dos recursos na conta do recebedor: os recursos são creditados em até 10 segundos, em 99% das transações.
  • 2- Custo baixo: fazer um PIX para pessoas físicas sempre é gratuito.
  • 3- Disponibilidade: o PIX pode ser feito 24 horas por dia, em todos os dias do ano, incluindo sábados, domingos e feriados.
  • 4- Multiplicidade de casos de uso: o PIX atende a todo e qualquer pagamento ou transferência feita hoje no Brasil, incluindo transferências entre pessoas, entre empresas, quitação de faturas e pagamentos ao governo.
  • 5- Conveniência: o PIX pode ser usado com cadastramento de chave de número de aparelho celular, CPF ou leitura de um QR Code.

A entidade produziu um material explicativo sobre o uso do PIX no dia a dia do comércio, veja aqui.

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