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Risotolândia
Recepção de hortifrútis vindos dos produtores locais parceiros.| Foto: C. Michel/divulgação Risotolândia

Se para os restaurantes brasileiros a pandemia do coronavírus derrubou o faturamento por conta das restrições de circulação, para as indústrias não foi muito diferente. Embora muitas tenham continuado a produção para não deixar os supermercados desabastecidos, aquelas voltadas à alimentação coletiva também foram fortemente atingidas.

Isso porque a adoção do home office pelas empresas e a paralisação de diversos outros segmentos do setor produtivo também interromperam os serviços de alimentação. Atuando no mercado há 68 anos, a Risotolândia viu o faturamento encolher 52% em pouco mais de um ano de pandemia na comparação com 2019, principalmente no fornecimento de merenda para escolas por causa da interrupção das aulas presenciais.

O segmento, que responde por até 50% das receitas da área de serviços inteligentes de alimentação, foi o que teve maior impacto e que ainda não se estabilizou completamente. Já outras áreas de atuação recuperaram os ganhos e ainda encontraram novos nichos de atuação.

Segundo Carlos Humberto de Souza, diretor-presidente do Grupo Risotolândia, a criação de medidas econômicas de redução da jornada de trabalho e empréstimos a juros baixos ajudou as empresas brasileiras a manterem os empregos e, consequentemente, a retomarem parte das operações a partir de maio do ano passado. Isso ajudou a estabilizar as perdas.

“Inicialmente, com a paralisação das atividades por conta da pandemia, tivemos uma queda de refeições nas áreas administrativas das empresas, que adotaram home office. Mas, não são todos os segmentos de atividades que conseguiram manter essa forma de trabalho, por isso a queda de atendimentos diários não foi muito sentida”, explica.

De acordo com ele, a perda maior de receita foi sentida mais nos segmentos de educação em escolas públicas e particulares, hospitais, indústrias que dependem da importação de peças para manterem as operações funcionando, entre outros. A saída, segundo Souza, foi intensificar o planejamento e ir atrás de novos mercados nos três estados da região Sul e também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e entrada no Mato Grosso do Sul.

A Risotolândia também chegou a fornecer refeições para o hospital de campanha montado em Fortaleza, para tratar os doentes da Covid-19. A estrutura funcionou por cinco meses em um estádio da capital cearense.

Merenda em casa

Responsável por uma parcela considerável do faturamento da empresa, a alimentação de alunos das escolas públicas passou a ser feita com a entrega de kits com insumos que seriam usados para o preparo de merendas. No entanto, a mudança de formato não foi imediata e só ocorreu em maio do ano passado, pouco mais de um mês depois do início da suspensão das aulas.

Segundo Catiane Zelak Abreu, gerente de operações do grupo, foi o maior desafio enfrentado pela Risotolândia durante a pandemia, já que mexeu profundamente nos processos produtivos da indústria.

“Fomos buscando como operacionalizar isso, porque as entregas não poderiam ser feitas todos os dias [como ocorria normalmente], as escolas precisavam estar abertas para receber os pais com uma estrutura segura para fazer a entrega”, conta.

Entre os desafios estavam o fornecimento de hortifrútis frescos, a quantidade necessária equivalente ao consumo de cada aluno mensalmente e a logística das entregas, que dura em média uma semana a partir da saída da linha de produção em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Ao final de março deste ano, quando as aulas começaram a ser retomadas, a Risotolândia contabilizou mais de um milhão de kits com 12 mil toneladas de alimentos fornecidos para 369 escolas nos estados do Paraná e Santa Catarina.

Cleonice Ferreira, coordenadora do setor de relações com a Ceasa na Risotolândia, explica que essa continuidade do fornecimento de alimentos ajudou não apenas no caixa da empresa e na merenda dos alunos estudando em casa. Os produtores de alimentos frescos não perderam a produção e nem a renda com a interrupção das atividades.

“Fizemos um grande movimento com os pequenos agricultores parceiros a fim de manter o contrato e o compromisso que temos com cada um deles. Inclusive, muitos dos nossos parceiros vendem para nós 100% daquilo que produzem: é uma relação de interdependência”, explica.

O desenvolvimento dos kits de alimentação fez, ainda, a empresa desativar temporariamente algumas estruturas internas de produção para estocar os alimentos, trabalhando com base em orientações de órgãos competentes.

De olho no varejo

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Área produtiva da Risotolândia em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.| Jonathan Campos/Gazeta do Povo/arquivo

Com todo mundo em casa, outra saída encontrada pela Risotolândia foi mirar no varejo de pratos prontos. Estratégia semelhante à adotada por concorrentes, a marca passou a vender preparos em parceria com o Uber Eats em uma linha de almoço chamada de Caseirinho, e pratos congelados pelo delivery.

Este segundo, que já existia internamente para os colaboradores, funcionou por apenas dois meses e foi descontinuado. Segundo Catiane, o projeto não caminhou naquele momento.

“Foi uma tentativa em 2020, por pouco tempo. Buscamos um nicho de mercado diferenciado, mas ficou por pouco tempo”, diz.

No entanto, a Risotolândia ainda opera algumas opções de varejo em lanchonetes dentro dos refeitórios administrados, os chamados 24/7 que oferecem produtos do dia a dia como pães para os colaboradores levarem para casa. Há, ainda, um projeto em andamento que fará um rebranding dos pratos ultracongelados para a ampliação dos canais de venda até setembro.

Mercado corporativo

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Sede da Risotolândia em Araucária (PR): empresa prevê até 15% de crescimento.| Rogério Freitas/divulgação Risotolândia

Já o mercado corporativo começou a retomar os serviços da Risotolândia no começo deste ano e cresceu na ordem de 8,5% com a entrada de novos clientes de segmentos como indústrias, hospitais e novas escolas.

Neles a empresa opera a entrega de pratos prontos e também refeitórios, que tiveram de ser adaptados às novas necessidades trazidas pela pandemia como a colocação de barreiras de acrílico nas mesas, redução da capacidade de atendimento e afastamento entre elas. Além disso, o operacional destes espaços também foram readequados, com novas orientações de servimento dos pratos, investimentos em equipamentos de proteção individual e a utilização de sachês e descartáveis.

Para este ano de 2021, a Risotolândia prevê um crescimento de 12%, podendo chegar a 15% com a entrada de novos clientes para o fornecimento dos kits escolares e pratos congelados para o atacado e o varejo. Segundo a empresa, a meta de produção para esse ano é de 5 mil pratos ao dia.

“Continuamos mantendo nossa meta planejada de crescimento no mercado de refeições coletivas, na ordem de 15% a 20% ao ano, com todas as marcas do grupo. Apostamos que 2022 será o ano da retomada econômica no país”, conclui Carlos Humberto de Souza, presidente da empresa.

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