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São Luiz do Paraitinga
Praça central da cidade de São Luiz do Paraitinga, na Rota Gastronômica do Vale do Paraíba e Mantiqueira.| Foto: Chris Almeida/divulgação Setur

O mercado de turismo não será mais o mesmo depois da pandemia, e são as experiências dos viajantes que vão ditar os rumos deste mercado. Essa é a conclusão de operadores turísticos brasileiros para o que vem por aí no pós-pandemia, e a gastronomia será um dos principais atrativos da retomada da economia.

É o que acreditam as autoridades de turismo de São Paulo que receberam a Gazeta do Povo e o Bom Gourmet para apresentar o que o estado vem planejando para atrair os viajantes de volta. Para eles, já está claro que as viagens de negócios e eventos não serão mais os principais propulsores do mercado.

O objetivo agora é conquistar os viajantes que estão em busca de experiências que proporcionem momentos de lazer, relaxamento e inspiração após quase dois anos de restrições de circulação. E é no turismo gastronômico que está um dos novos rumos deste mercado.

Wagner Seian Hanashiro, chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Turismo e Viagens do estado de São Paulo (Setur), explica que um novo tipo de viajante começou a aparecer nas estatísticas após o início da flexibilização dos decretos: o que faz viagens curtas, de poucos dias.

“O viajante corporativo diminuiu e não vai mais voltar. Hoje ele faz reuniões online e viaja apenas para fechar o negócio”, diz.

É o que indicou o levantamento feito pela Setur sobre o retorno dos viajantes a São Paulo. Em junho, com o avanço da vacinação acima dos 50 anos, o chamado “turismo de proximidade” já alcançava 70% do volume registrado em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A partir de então, a ocupação hoteleira tanto na capital quanto no estado foi crescendo gradativamente até agosto, passando de 39,30% para 47,83% e de 33,80% para 41,08%, respectivamente. Com isso, a expectativa é de que a queda de 19,8% da atividade turística registrada em 2019 seja compensada parcialmente ainda em 2021 (+9,3%) e totalmente em 2022 (+10,2%).

Novos viajantes

Cervejaria Innsbruck
Na região turística das Cavernas da Mata Atlântica é possível conhecer a produção de cervejas artesanais na Cervejaria Innsbruck.| Chris Almeida/divulgação Setur

Antes da pandemia do coronavírus chegar ao Brasil em março do ano passado, 56% dos turistas que viajavam a São Paulo eram a negócios e eventos. Este número foi reduzido praticamente a zero até meados deste ano, e hoje está em torno de 36%.

Isso passa pela retomada dos eventos de lazer, como a manutenção da Fórmula 1 na capital, o festival de música Lollapalooza e outros 171 entre entretenimento e negócios já confirmados apenas para o primeiro trimestre do ano que vem.

Raul Souza Sulzbacher, presidente do Visite São Paulo, diz que o grande desafio agora é tornar os eventos atrativos o suficiente para levar os frequentadores de volta, que se acostumou com eventos online.

“O evento terá que ter, necessariamente, um conteúdo inédito e relevante para fazer com que a pessoa saia de casa. O setor terá de retomar com qualidade a reconstrução da sua própria agenda, com conteúdo, comércio e o público-alvo certo”, afirma.

Sítio Frescor da Mantiqueira
Já na região de São Bento do Sapucaí, é possível passar a noite em um trailer no meio do campo do sítio Frescor da Mantiqueira.| RJ Castilho/divulgação Setur

Para Fábio Montanero, consultor de dados do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), a capital em si ainda tem este perfil de turismo, mas não mais tão preponderante como antes. No estado como um todo, as novas ações mais técnicas da secretaria buscam diversificar os projetos de atração de turistas.

“A partir de 2019, começamos a trazer todos estes projetos estruturais que auxiliam os municípios turísticos e o estado como um todo. E uma demanda que era, em grande parte, potencial, agora vira uma demanda efetiva por conta de uma melhor estruturação destes projetos”, analisa.

O governo do estado trabalha agora em diversas frentes de atração de turistas, como os projetos temáticos de ecoaventura, rotas cênicas, estruturas náuticas e roteiros turístico-gastronômicos.

Caminhos de sabores

Restaurante Dona Chica
Restaurante Dona Chica, em Campos do Jordão, é um dos que fazem parte da Rota Gastronômica Vale do Paraíba e Mantiqueira.| RJ Castilho/divulgação Setur

Uma das ações é a Rota Gastronômica do Vale do Paraíba e Mantiqueira, na região nordeste do estado. O roteiro, lançado na última semana, congrega 15 estabelecimentos como pequenas cervejarias artesanais, empórios de azeite, produtores de banana e restaurantes.

O objetivo deste roteiro, segundo Vinícius Lummertz, secretário de estado de Turismo e Viagens, é fortalecer a cadeia produtiva de alimentação e valorizar o turismo da região.

“A culinária proporciona um contato genuíno com a história dos destinos turísticos. A gastronomia sempre foi um dos principais atrativos para quem viaja a lazer”, disse durante o lançamento.

O caminho é apenas um das sete rotas gastronômicas planejadas para o estado. Além desta, também já estão em operação a do Vale do Ribeira, no sul do estado próximo à divisa com o Paraná, com 30 empreendedores, e a da Baixada Santista & Litoral Norte, no litoral, ainda em implantação.

Restaubar Ostras e Cataia
Preparo de ostras e farinha de mandioca no Restaubar Ostras e Cataia, em Cananéia, na Região Turística Lagamar.| RJ Castilho/divulgação Setur

Rodrigo Ramos, coordenador da Setur, explica que essa estratégia de atuação veio após uma constatação de que o próprio estado nunca olhou para os próprios atrativos – o que ficou mais evidente durante a pandemia.

“O estado de São Paulo é o maior emissor de turistas do país, mas com as limitações da pandemia, as pessoas deixaram de viajar. E elas passaram a procurar opções mais próximas, o que nos mostrou que há sim um grande potencial com uma organização mais eficiente destes atrativos”, analisa.

A partir disso, junto das prefeituras, a secretaria começou a organizar projetos e roteiros em municípios que têm semelhanças para a atração de turistas. No caso das rotas gastronômicas, foram levados em consideração os ingredientes produzidos e os pratos típicos das regiões que tenham uma representatividade, como cervejas artesanais, embutidos, cogumelos, etc.

Rotas cênicas

Azeite Sabiá
Olival em Santo Antônio do Pinhal, onde os visitantes podem ver como o Azeite Sabiá é produzido.| RJ Castilho/divulgação Setur

A rota gastronômica do Vale do Ribeira divide espaço com outra frente de trabalho da Setur: as Rotas Cênicas. São estradas que vão além de fazer apenas a ligação entre cidades, valorizando as belezas da paisagem no caminho.

São quatro estabelecidas até o momento: Vale do Ribeira, Mantiqueira Paulista (incluindo Campos do Jordão), Circuito das Águas e Flores e, por fim, Litoral Norte.

“Pegamos cidades e regiões que estão próximas do grande centro consumidor que é São Paulo e essa questão do apelo cênico dessas estradas que percorrem essas regiões”, comenta Rodrigo Ramos.

Entre esses atrativos estão o maior complexo de cavernas do Brasil, na região do Vale do Ribeira; a praia muito próxima da serra no Litoral Norte; as pequenas cidades bucólicas no entorno da Serra da Mantiqueira; e os balneários e grandes campos de flores com destaque para a cidade de Holambra.

Desenvolvimento

Produção de chás
Sítio Yamamaru, dos irmãos Miriam e Kazutoshi, recebe turistas para a colheita e produção de chás na região Caminhos da Mata Atlântica.| RJ Castilho/divulgação Setur

O fomento e o desenvolvimento destas regiões turísticas recebeu um investimento inicial de R$ 15 milhões para a elaboração dos projetos, mapeamento implantação e construção de mirantes e postos de informações turísticas. E mais R$ 3 milhões no estabelecimento das Rotas Gastronômicas até o final de 2022 nos sete roteiros.

Além disso, os negócios voltados ao turismo também puderam ter acesso ao programa de crédito turístico de R$ 2 bilhões para financiar melhorias e capacitar colaboradores.

“É uma linha de crédito específica para empresas de turismo com juros quase zero para investir nos seus próprios negócios ou ter capital de giro, junto ao banco Desenvolve SP e outras instituições financeiras”, completa o coordenador da Setur.

Este programa de crédito para os operadores turísticos funcionou durante toda a pandemia e segue em vigor para ajudar na retomada da economia. Além de acesso a recursos com juros mais baixos, os negócios ligados aos projetos das rotas também contam com a promoção e a divulgação dos serviços nas ações desenvolvidas pela secretaria.

As ações desenvolvidas nos 210 municípios com atrações turísticas variadas podem ser conferidas no site da ação SP pra Todos.

*o jornalista viajou à São Paulo a convite da Fundação 25 de Janeiro (São Paulo Convention & Visitors Bureau/SPCVB e Visite São Paulo), e da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), com apoio institucional da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.

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