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Franquias alimentação
As franquias de alimentação viram as vendas por novos canais mais do que dobrarem neste ano.| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo/arquivo

O serviço de delivery nas franquias de alimentação fora do lar deu um salto de 18% para 36% no faturamento ao longo da pandemia do coronavírus no Brasil, de acordo com uma pesquisa realizada em agosto pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) com a consultoria Galunion. O levantamento, apresentado na última semana durante a ABF Franchising Week, mostrou ainda que a negociação de pedidos pelo WhatsApp mais que dobrou em 2020 na comparação com 2019.

A pesquisa, que teve a participação de 85 marcas que atuam no mercado brasileiro com cerca de 15 mil unidades, apontou que a criação de novos canais de venda, a implantação das dark kitchens, os ajustes no cardápio e na oferta de produtos e a digitalização da interação com o consumidor foram os principais caminhos deste crescimento. Juntas, as empresas somam R$ 20,6 bilhões em valor de mercado.

Segundo Antônio Moreira Leite, vice-presidente da ABF, o crescimento do delivery durante a pandemia conseguiu segurar parte das perdas das franquias do setor. Com isso, o mercado vai encerrar 2020 praticamente no mesmo nível de 2019.

“No segundo trimestre o impacto foi maior, mas a expectativa das marcas entrevistadas é encerrar 2020 com uma redução de 26%, consideravelmente menor do que a expectativa de bares e restaurantes no geral que é de cerca de 35%”, disse durante o Seminário Setorial de Food Service do congresso.

O levantamento apontou também um aumento de 42% nos serviços próprios e de parceiros logísticos, com destaque para as vendas pelo aplicativo iFood, com 62% do total. Já operadores que implantaram sistemas próprios de delivery, o faturamento responder por 23% do faturamento – uma tendência forte de acordo com a pesquisa.

Novos canais

Embora o delivery tenha tido um crescimento importante no período, a pesquisa da ABF/Galunion apontou que os formatos de take away (para levar), grab’n go (prontos para pegar e levar) e drive-thru cresceram 56%, 32% e 23%, respectivamente. Para Simone Galante, CEO da consultoria, os números mostram que muito ainda pode ser explorado nestes dois últimos canais de varejo.

“As demais têm porcentagens ainda baixas o que mostra um grande potencial a ser explorado. A transformação digital chegou para ficar”, contou também durante o seminário.

É o que reflete também a pesquisa de novos formatos de expansão, com uma aderência de 45% em restaurantes virtuais voltados apenas para o delivery, as chamadas ‘dark kitchens’. O restante se divide em lojas de menu reduzido, pontos de vendas avançados e quiosques.

A mudança de formatos também passou por uma reformulação de parte dos cardápios oferecidos, com destaque para o aumento de 43% nos pratos para o almoço e 37% em opções de lanches. Recentemente, um empresário da alta gastronomia de Curitiba viu na refeição do dia a dia um grande filão de mercado, com bons resultados de faturamento.

As redes consultadas durante a pesquisa também afirmaram que pretendem fazer mais lançamentos sazonais por tempo limitado (39%), novas opções de pratos principais variados (33%) e itens saudáveis (23%) e vegetarianos (18%).

Explosão do digital

Com todo mundo confinado em casa durante parte do ano, as vendas por canais digitais mais que dobraram no período. A Galunion apontou que as negociações pelo aplicativo de mensagens WhatsApp saltaram de 26% no ano passado para 60% em 2020, assim como os aplicativos para pedidos e pré-pagamentos – de 9% para 56%.

Já na retomada, o acesso ao menu por QR Code saltou de 6% no ano passado para 56% agora.

“Nesse sentido, se torna ainda mais importante a captura e capacidade de analisar os dados e transformar tudo isso em experiências atrativas ao consumidor”, disse João Baptista Junior, coordenador da Comissão de Alimentação da ABF, durante o seminário.

A digitalização também foi sentida do outro lado do balcão, com a adoção de painéis de gestão por 60% dos entrevistados, e intenso planejamento de produção para 46% deles.

“Já vínhamos acompanhando esse movimento no dia a dia, mas o estudo deixou claro que as franquias abraçaram a mudança e já estão colhendo frutos. Não por acaso, identificamos inclusive redes que registraram aumentos no faturamento”, conclui Baptista Junior.

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