Notas Báquicas

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Os melhores Cabernet Sauvignons do Maipo

A região do Chile é a principal produtora de vinhos com a casta francesa

por Guilherme Rodrigues Publicado em 13/05/2015 às 22h
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Maipo é o nome de maior ressonância em se tratando de vinhos do Chile. Do seu vale nasceu a fama internacional da vinicultura chilena, notadamente dos Cabernet Sauvignons. O Maipo desce a cordilheira dos Andes, desde o vulcão homônimo, faz uma grande curva logo ao sul de Santiago, atualmente zona urbana da metrópole, e corre para oeste até desaguar no Oceano Pacífico. Em termos gerais, a região de Santiago faz a transição do alto para o baixo Maipo. No Alto Maipo, vinhos mais diferenciados e complexos; no baixo Maipo, mais quente e sem o frescor da cordilheira por perto, vinhos mais frutados e simples. É comum o corte com uvas e vinhos das diversas sub-regiões do Maipo.

A Cabernet Sauvigon floresce lindamente. O melhor terroir fica na sub-região do Maipo em Puente Alto e Pirque, próximas à cidade de Santiago. Dali nascem dos melhores, mais famosos e emblemáticos ícones chilenos: Dom Melchor, Almaviva e Chadwick. Todos os 3 de vinhedos contíguos, dominados pela Cabernet Sauvignon, sendo que no Almaviva a Carmenere também têm papel importante.

Os brasileiros conhecem bem os confiáveis e sólidos Cabernet Sauvignons do Maipo. São best sellers no mercado desde a década de 1970. Quem não se lembra das garrafas em formato de relógio (Cousiño, Concha y Toro, Santa Rita, Santa Carolina, etc.)? No passado, os aromas e sabores a goiaba vermelha, pimentão e resinoso dominavam os vinhos. Com o tempo foram refinando, o resinoso praticamente desapareceu, substituído por nuances refrescantes e mais sofisticadas a menta e hortelã. O pimentão e a goiaba madura, marcas registradas, continuam presentes e dizem da personalidade desses vinhos, porém revelam-se com mais elegância, discrição, acabamento e refinamento.

Testamos para os leitores 16 dos mais expressivos exemplares, numa faixa acessível de preços, mas com interesse e distinção. A prova revelou tintos de cor rubi, rubi escura, muito apetitosos, bem vinificados, confirmando a expectativa positiva quando se pede um rótulo de Cabernet do Maipo. Nessa categoria são vinhos que tem seu melhor nos primeiros 5 ou 6 anos de vida, podendo resistir até cerca de 10 anos nos melhores casos, se bem guardados. A temperatura de serviço ideal situa-se em torno de 17°C. São tintos bastante gastronômicos, perfeitos com carne de cordeiro, de carneiro, e com os bons assados e churrascos em geral.

A prova, às cegas (em copos numerados sem conhecer de antemão os rótulos), transcorreu no restaurante Pobre Juan, em copos tipo Bordeaux, com o serviço profissional e atento do sommelier Ricardo Paulista. Após os trabalhos, os degustadores foram brindados com grandes assados da grelha do Pobre Juan: pargo no sal, cordeiro e fraldinha. O assador Elias Batista mostrou que sabe pilotar as brasas com grande perícia.

 

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