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Entrevista

Pequeno chef, grandes sonhos

Empreendedor social, cozinheiro e apresentador do programa Arte na Cozinha, Biel Baum tem apenas 12 anos

por Flávia Schiochet Publicado em 09/10/2014 às 03h
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Foto: Divulgação

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Fã de Jamie Oliver e dono de um discurso maduro para sua idade, é fácil cair na tentação de chamar Biel Baum de garoto prodígio. A verdade é que ele é um menino como todos os outros, que gosta de jogar videogame e bola com os amigos, exceto pelo seu hobby ser a cozinha – e isso ter virado sua área de atuação tão cedo.

Aos 12 anos, Biel já participou como palestrante do TEDx Campos do Jordão, evento onde falou sobre a importância da alimentação saudável para crianças, escreveu um livro (“Meu Diário para Jamie Oliver”, à venda como e-book por R$ 9,90), apresentou um programa de televisão chamado Arte na Cozinha (exibido pelo canal Chef TV e disponível no Youtube), além de se envolver com projetos sociais para crianças. Uma parte da influência é claramente da mãe, a empreendedora social Sabrina Bittencourt.

E os próximos voos do brasileiro Biel são longos, com licenciamento de produtos e participação em um fórum de inovação social em Guadalajara (México). No mês das crianças, o Bom Gourmet conversou com Biel por Skype para conhecer este pequeno (mas só em idade) chef:

Qual a importância de crianças ou adolescentes cozinharem?

Elas têm que comer bem para viver mais e melhor. Muitos amigos meus contraíram doenças por comer mal e é por isso que eu dou tanta importância a comer naturalmente. Com quatro anos eu comecei a acompanhar minha mãe nos hospitais em projetos para crianças doentes e então eu percebi que, pô, não dá, né?! Eu não queria que isso tivesse acontecido com eles e não queria que acontecesse com mais ninguém. Me perguntam “qual sua dica para a criança comer melhor?”. Não tenho nenhuma. Se tenho alguma é ser amigo dela para que ela não me veja com um chato que diz o que tem que comer.

Em que outros chefs você se espelha, além de Jamie Oliver?

Na Ana Branco, que trabalha com comida crua. Nós demos uma palestra no mesmo ano no TEDx [2012]. Nos dois dias em que estivemos em Campos do Jordão eu grudei nela. A Dani França Pinto também, mas infelizmente ela fechou o restaurante [Marcelino Pan y Vino] no início de 2014. E o Murakami [Tsuyoshi Murakami, sócio e chef do restaurante Kinoshita, em São Paulo]. Ele é um dos chefs mais renomados do Brasil em comida japonesa. Eu admiro a criatividade, a perseverança e perspicácia dele.

Com que frequência você cozinha?

Umas quatro vezes por semana. Algumas receitas eu invento, outras eu pego nos livros, outras eu crio com os meus amigos e meus pais. Tudo o que eu faço anoto no meu caderno.

Uma vez você falou que os cardápios para crianças te incomodavam. O que você esperava ver nos menus? 

Mais variedade. Eu espero no mínimo metade do que tem no cardápio dos adultos. Se a criança vai ao restaurante ela só pode comer batata frita, baby beef ou macarrão à bolonhesa. Por que não pegam alguns pratos para os adultos, os pratos normais, e colocam no cardápio infantil? Não tem nenhum preparo tipo ‘WAAH!!!’ Não sei o que eles pensam, que criança não tem paladar? Tenho o projeto Imagine e Coma que é para mudar isso. É uma série de oficinas [para crianças], onde eu divido metade [do lucro] para construir a Escola com Asas, em Cabo Verde, na África, e a outra para comprar meu food truck.

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>>> Veja também: Escolas oferecem cursos de gastronomia para crianças

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