Baixa Gastronomia

Baixa Gastronomia em Curitiba

Pizzaria se inspira na tradição paulistana e dispensa invencionices

Os colunistas do Baixa Gastronomia foram conhecer a Vila Prudente, em Santa Felicidade, que usa massa de fermentação natural

por Rafael Martins e Guilherme Caldas Publicado em 14/08/2017 às 15h
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Seremos francos: os acima-assinados, que viveram anos em São Paulo, têm problemas com a pizza em Curitiba. Coisa rara encontrar por aqui uma redonda que respeite a tradicional receita napolitana — pois a pizza é invenção daquela região da Itália, da mesma forma que o risoto é uma tradição do norte do país.

Verdade que de anos para cá algumas casas da cidade passaram a oferecer (com muita pompa e circunstância) a pizza paulistana, descendente direta da napolitana. Mas a preços de derrubar o maxilar — e o saldo da conta bancária.

Vila Prudente (uma marguerita como manda a tradição napolitana, com o queijo e o manjericão em pouca quantidade espalhados sobre o molho de tomate, a R$ 56 a grande, com oito fatias). Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Vila Prudente (uma margherita como manda a tradição napolitana, com o queijo e o manjericão em pouca quantidade espalhados sobre o molho de tomate, a R$ 56 a grande, com oito fatias). Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Paulo Liblik, um paulistano radicado em Curitiba, outro inconformado, resolveu fazer algo a respeito. Abriu a própria pizzaria, em Santa Felicidade. “Num momento de mudança profissional, resolvi montar um negócio. E caiu a ficha: por que não fazer uma pizza como eu gosto?” Ele prossegue: “A pizza, originalmente, é um prato simples. Não faz sentido gourmetizá-la, nem cobrar R$ 80 por algo que leva ingredientes simples”.

Antes de botar a mão na massa, Paulo foi a São Paulo fazer o curso de pizzaiolo. De Nápoles, resgatou os conceitos da fermentação lenta da massa — a dele leva 48 horas — e o forno muito quente, a 330 graus C. “A pizza não pode ficar mais que 90 segundos assando”, explica.

A casa oferece 22 tipos de coberturas, que privilegiam a tradição e dispensam invencionices. “Ter um cardápio enxuto significa ter sempre ingredientes frescos”, diz Paulo. Com isso em mente, ele também está buscando fornecedores locais — a linguiça Blumenau e alguns queijos vêm de Irati, por exemplo.

Santana (com linguiça Blumenau, queijo caccio-cavalo e tomate picado, a R$ 48 a grande). Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Santana (com linguiça Blumenau, queijo cacio-cavallo e tomate picado, a R$ 48 a grande). Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Recomendamos a Vila Prudente (uma margherita como manda a tradição napolitana, com o queijo e o manjericão em pouca quantidade espalhados sobre o molho de tomate, a R$ 56 a grande, com oito fatias) e a Santana (com linguiça Blumenau, queijo cacio-cavallo e tomate picado, a R$ 48 a grande).

A pizzaria não tem salão. Funciona apenas como pizzaria de balcão, para retirar a redonda e levar para casa. Também oferece entrega em domicílio, sem cobrança de taxa, limitada a um raio de cinco quilômetros. “Se for mais longe, a pizza não chega como deveria”, argumenta Paulo.

Despretensão é a palavra-chave. “Não quero fazer uma pizza igual à napolitana ou a paulistana, mas me inspiro nelas para oferecer uma que me agrade. E com simplicidade. Quanto mais simples, mais gostosa é a pizza.”

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