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Pelo Brasil: como é o PF tradicional de 6 cidades brasileiras

Prato mais querido do brasileiro, o prato feito pode ter características diferentes dependendo da região onde é servido

por Gazeta do Povo* Publicado em 20/03/2019 às 10h
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No almoço de segunda à sexta-feira o prato feito é o rei da mesa dos brasileiros que comem fora. Também conhecido como comercial – ou executivo – o PF é uma refeição completa. O mais tradicional leva arroz, feijão, uma proteína e salada. Às vezes vai ovo ou batata frita. Outras vezes até macarrão acompanha — ou algo a mais pedido pelo cliente.

Servido em estabelecimentos de todos os tipos – de bares a restaurantes de todos as categorias – o PF é uma tradição brasileira. De Norte a Sul, algumas peculiaridades regionais também aparecem no almoço mais comum das cidades país afora.

Confira abaixo como é o PF de algumas cidades do Brasil

Porto Alegre

Como manda a tradição no Rio Grande do Sul, o PF gaúcho é muito farto. Arroz e feijão – sempre o preto — são a base. A “mistura” é uma proteína a escolha do freguês. Pode ser bovina, frango ou peixe (varia de acordo com a oferta ou época do ano). E geralmente vem acompanhada de uma salada de alface, tomate, repolho, beterraba e até mesmo de batata. Dependendo do dia e do restaurante, pode vir até aipim, batatinha ou ovo frito.

Em Porto Alegre, a chef Carla Tellini – que se dedica a estudar a cultura gastronômica gaúcha –  oferta um “Pê Éfe” na rua considerada mais chique da capital gaúcha. Na Avenida Padre Chagas, no Moinhos de Vento, o cliente do Ô Xiss pode escolher a proteína (filé com queijo derretido, frango ou peixe), acrescida de ovo frito, salada de folhas verdes, tomate picadinho, ervilha, maionese, além de fritas, arroz e feijão, mais suco ou refrigerante. Preços entre R$ 27 e R$ 32.

Serra Gaúcha

Na Serra Gaúcha, região com a forte presença da cultura italiana, além de todos os ingredientes do PF tradicional, os clientes também têm a opção de comer galeto (podendo até ser frito) e se deliciar com polenta frita ou na chapa e massa com molho. Na Serra, o preço médio do PF varia de R$ 15 a R$ 22, dependendo do estabelecimento.

Rio de Janeiro

Foto: Fernando Zequinão / Gazeta do Povo.

Na capital fluminense o filé com fritas costuma ser o clássico dos pratos feitos. Na maioria das vezes, vem acompanhado — além do arroz, feijão e salada — por farofa de ovos ou vinagrete. Mas há muitos estabelecimentos que deixam a proteína à escolha do freguês, com opções que vão peixe ou frango às iscas de fígado com bastante cebola ou o bife rolê, aquele cozido na panela de pressão, enrolado com bacon e algum legume. Os picadinhos também fazem a cabeça dos cariocas quando o assunto é PF. Sempre com bastante caldo.

Para quem quer algo genuinamente carioca, o filé à Oswaldo Aranha, homenagem ao diplomata, é um clássico criado no Rio e servido nos restaurantes tradicionais. Conta a história que nas décadas de 1930 e 1940, Aranha costumava pedir filé coberto por alho frito, farofa, arroz e batatas portuguesas no restaurante Cosmopolita, no Centro do Rio. A combinação era tão saborosa que se espalhou por outras casas, como o Café Lamas, no Flamengo. No entanto, costuma ter preço mais alto se comparado aos PFs populares.

Florianópolis

É curioso, mas PF tradicional não é coisa de Florianópolis. Não é tão comum encontrar comida caseira em prato único na capital catarinense, mas há algumas opções. Um clássico é o servido no Sorrentino, encravado no Centro Histórico. O bistrô que existe há quase três décadas não segue o padrão nacional – arroz e feijão, batata e ovo frito, carne e uma saladinha.

O cardápio tem influência manezinha. Segunda-feira é dia de estrogonofe de carne, terça de nhoque com carne assada de panela, quarta mini feijoada, quinta estrogonofe de frango e na sexta é servido o carro-chefe da casa, risoto de siri. A porção de 500g custa R$ 17.

Outro PF do Centro é do restaurante Sabores do Sul, situado na Hercílio Luz, 842 – que destoa do resto do Brasil pela leveza. Por R$ 9,90 é servido um filezinho de frango grelhado, feijão sem carnes gordas, arroz branco ou integral, uma folha de alface e duas rodelas de tomate.

Curitiba

Em Curitiba, o PF segue a tradição de fartura e da combinação clássica de arroz, feijão e “mistura”. Um dos locais clássicos para comer um prato feito na cidade é no Box do Eliseu, no Mercado Municipal de Curitiba. O restaurante serve desde 1976 o PF mais famoso da cidade.  Além do famoso arroz e feijão temperadinho, marca registrada da casa, há sempre uma carne e mais um acompanhamento, como batata frita, macarrão, berinjela à milanesa ou purê de batatas. As opções diárias de carne são: bife na chapa, bife à milanesa, peixe à milanesa, bisteca de porco, frango ou o campeão bife acebolado. Qualquer um dos PFs tem o preço único de R$ 17,50.

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São Paulo

virado à paulista

Virado à paulista. Foto: Bigstock.

O PF mais tradicional em SP é o virado à paulista. Originário da época dos bandeirantes, o virado tradicional leva arroz, feijão cozido com farinha, ovo frito, couve, banana frita e uma carne suína – costelinha frita, bisteca ou linguiça. Está no cardápio de casa tradicionais de São Paulo normalmente às segundas-feiras, aproveitando algumas sobras do fim de semana.

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Belo Horizonte

Em Minas Gerais, tanto o tutu de feijão quanto o feijão tropeiro é recorrente e acompanha o arroz, mas na maioria dos lugares a anatomia do prato se forma a partir do arroz soltinho e feijão bem temperado. Entretanto, o clássico feijão tropeiro, presente sempre como uma opção constante de menu de bares e restaurantes mineiros, é um ingrediente essencial que configura um PF mineiro. O tropeiro é servido no Mineirão há mais de 50 anos e se tornou pedida obrigatória do torcedor e, mesmo que indiretamente, ditou a forma como é visto a versão mais tradicional do PF mineiro. O prato feito acompanha arroz, couve, ovo frito e bife de lombo e custa justíssimos R$ 15.

“Em Minas Gerais, nosso prato não pode faltar couve, o tropeiro eventualmente e ovo frito. Eu, como chef, também incluiria o torresmo e até uma mandioca acebolada”, diz o chef e professor de gastronomia Renato Quintino.

Foto: Studio Tertulia/divulgação.

* Colaboraram Anderson Hartmann, de Porto Alegre; Aline Torres, de Florianópolis; Renata Monti, do Rio de Janeiro; e Lorena K. Martins, de Belo Horizonte – especiais para a Gazeta do Povo

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