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Tainha escalada acompanhada de pirão de farinha de mandioca. Foto: divulgação
Tainha escalada acompanhada de pirão de farinha de mandioca. Foto: divulgação| Foto:

Santa Catarina, como o Brasil, é um caldeirão cultural, misto de influências de diversos povos. Os originários são os indígenas. Os imigrantes europeus vieram como colonizadores. Os açorianos se fixaram no litoral ao longo do século 18. Um século depois vieram alemães e italianos, poloneses e eslavos. Já o Oeste foi colonizado por gaúchos na metade do século XX.

“A culinária catarinense tem como característica técnicas dos países de origem dos colonizadores, adaptados aos produtos e às influências locais”, explica o professor de Gastronomia do Senac Daniel André Lopes.

Conheça quatro pratos típicos de Santa Catarina que representam o estado do litoral ao Oeste.

Tainha com pirão de farinha de mandioca

Tainha escalada acompanhada de pirão de farinha de mandioca. Foto: divulgação
Tainha escalada acompanhada de pirão de farinha de mandioca. Foto: divulgação

A tainha é um dos símbolos da gastronomia catarinense. É um produto local e encontrado abundantemente nos meses de inverno desde restaurantes sofisticados até ranchinhos de pescadores. Há muitos modos de preparo, mas um é bastante autêntico: a tainha escalada. Este é o jeito manezinho de secar o peixe ao sol, salgado e aberto pela espinha. Depois é só colocá-lo na brasa e apreciar seu sabor.

A sobrevivência dos açorianos é mérito dos indígenas Carijó, como foram batizados os Guarani que viviam em Santa Catarina. Os europeus sequer conheciam a mandioca, ingrediente base para o pirão. Em Açores, eles plantavam trigo e cevada, mas as mudas não vingaram no litoral catarinense.

Com o tempo, os imigrantes portugueses criaram engenhos para transformar a mandioca na farinha fininha, que é característica do estado. E em vez de água fervente passaram a misturar caldo de peixe para fazer o pirão.

“O pirão de farinha de mandioca acompanha tradicionalmente peixes e frutos do mar”, diz o professor.

Ostras

Ostras depuradas são exclusividade brasileira. Foto: divulgação
Ostras depuradas são exclusividade brasileira. Foto: divulgação

Santa Catarina é quem mais cultiva ostras do Brasil, 97,9% da produção nacional. Em Florianópolis, no Ribeirão da Ilha, é a região que concentra o maior número de fazendas marinhas de ostras do país. Lá fica o Ostradamus, um dos raros restaurantes no país a servir ostras depuradas.

A depuração é um processo de purificação do molusco. As ostras ficam imersas na água do mar filtrada por aproximadamente doze horas e são tratadas com luz ultravioleta, cloração e oxidação com baixa concentração de cloro.

A tecnologia é exclusiva do Brasil e é uma parceria entre a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e o restaurante. O resultado são ostras mais claras, bem mais suaves e mais saudáveis, pois não há mais risco de contaminação.

>>> Conheça quatro iguarias típicas da culinária catarinense, adaptadas dos países colonizadores 

Joelho de porco

Prato faz sucesso na Oktoberfest, em Blumenau, e na festa Pomerana. Foto: Daniel Zimmermann
Prato faz sucesso na Oktoberfest, em Blumenau, e na festa Pomerana. Foto: Daniel Zimmermann| DZ Fotografia

Na região chamada de “vale europeu”, tamanha a influência dos imigrantes, é servido um dos pratos mais famosos da culinária alemã. O “vale europeu” engloba 49 municípios, como Blumenau, Ibirama, Pomerode e outras cidades da região do Vale do Itajaí.

O joelho de porco normalmente vem acompanhado de chucrute, raiz forte ou mostarda. É um prato que faz sucesso na Oktoberfest, em Blumenau, e na festa Pomerana, na cidade mais alemã do Brasil.

O joelho de porco pode ser assado, técnica que deixa a pele do corte suíno crocante, como uma pururuca. Também ser cozido, versão com a pele mais macia.

Marreco

Marreco era chamado pelos imigrantes alemães de Pato de Pequim. Foto: Divulgação
Marreco era chamado pelos imigrantes alemães de Pato de Pequim. Foto: Divulgação| Silvio Klotz

“No Brasil não há marreco”, explica o professor. Quando os alemães imigraram para cá encontraram o Pato de Pequim, aquele bem comum, que costumamos ver nos parques com penas brancas e bico amarelo. Preparado do jeito tradicional, o Pato de Pequim com o passar do tempo começou a ser chamado de marreco e a indústria seguiu na mesma linha.

O marreco preparado do jeito tradicional normalmente acompanha repolho roxo. O prato é tão celebrado na região do vale europeu que dá nome a uma das festas mais famosas de Santa Catarina. É a Fenarreco, que acontece desde 1985, em Brusque, no início de outubro.

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