Produtos & Ingredientes

Mercado

Produção de vinho em Minas ganha notoriedade no Brasil e no exterior

Os vinhos têm se destacado no circuito gastronômico e em concursos nacionais e internacionais

por Folhapress Publicado em 21/04/2019 às 19h
Compartilhe

Com a 7ª produção nacional, Minas Gerais começa a despontar no Brasil e no exterior como o mais novo terroir para a produção de vinhos finos, principalmente com as uvas syrah (tinto) e sauvignon blanc (branco).

vinho tinto

Foto: Bigstock

A técnica consiste na inversão do ciclo da videira, alterando para o inverno o período de colheita das uvas destinadas à produção de vinhos finos. São aplicadas duas podas: uma para a formação de ramos, em setembro, e de produção, em janeiro e fevereiro.

Com a tecnologia da dupla poda, desenvolvida no Núcleo Tecnológico Uva e Vinho da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), os vinhos têm se destacado no circuito gastronômico e em concursos nacionais e internacionais.

Os primeiros vinhos com a técnica foram colocados à venda em 2013. De lá para cá, vêm ganhando rapidamente notoriedade e espaço no mercado.

>>> Onda das cafeterias especiais cresce no interior de Minas Gerais

“Alguns dos rótulos que já degustamos nos mostram vinhos com perfil de boa concentração de aromas, intensos, muito encorpados, com bom potencial alcoólico e equilibrados”, afirma o enólogo Daniel Salvador, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE).

Na safra de 2018 foram produzidas 500 mil garrafas (de 750 ml) de vinho com a técnica da dupla poda. Nos próximos dois anos (safra 2019/2020), a previsão é dobrar esse volume e atingir a marca de um milhão de garrafas de vinhos de uvas colhidas no inverno. Isso porque os vinhedos foram produzidos nos últimos anos e ainda se encontram em formação.

Vindima uvas -Divulgação/Vindima 2019.

Foto: Divulgação/Viindima 2019.

O êxito da dupla poda, desenvolvida pelo engenheiro-agrônomo Murillo Albuquerque Regina, PhD em vitivinicultura e enologia pela Universidade Bordeaux, na França, deve-se ao fato de as uvas colhidas no inverno apresentarem mais aroma e maior concentração de açúcares e polifenóis, o que contribui para o aumento da qualidade da bebida.

A prática está sendo difundida principalmente no sul mineiro, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de Goiás e da chapada Diamantina, na Bahia.

“O diferencial qualitativo dos vinhos de dupla poda é que a época de maturação e colheita da uva coincide com o período de dias ensolaradas e noites frescas, aliados à ausência de chuva”, afirma Murillo Albuquerque Regina.

Esta condição climática faz com que as uvas alcancem um ótimo estágio de maturação, originando vinhos com equilíbrio entre álcool, acidez e estrutura dos taninos.

Fase de testes

A parreira experimental da dupla poda foi implantada em 2003 na mineira Três Corações, na fazenda Maria da Fé, onde é produzido o vinho syrah Primeira Estrada.

Passada a fase de testes, o Primeira Estrada venceu a Grande Prova de Vinhos do Brasil em 2016. Para aprimorar a tecnologia, Marcos Arruda Vieira Botelho, dono da fazenda, contou com a ajuda da Epamig e de dois sócios franceses, que moram no interior da França e produzem mudas e vinho para o mundo inteiro.

O engenheiro-agrônomo Eduardo Junqueira Nogueira Júnior, produtor do Maria Maria na fazenda Capetinga, em Boa Esperança, conta que a primeira safra foi produzida em 2013 e enviada para participar de concurso em 2015. Ele saiu vencedor. Na fazenda as variedades plantadas são syrah, cabernet sauvignon, sauvignon blanc e chardonnay.

Em Cordislândia, a família Porto iniciou, em 2004, o cultivo de videiras e trabalha com duas linhas: a Dom de Minas, que não passa pelo envelhecimento em madeira e a Gran Reserva, que tem amadurecimento em barricas de carvalho, produzidos pela vinícola Luiz Porto Vinhos Finos. O vinho Luiz Porto Syrah conquistou a medalha de bronze conquistada em 2018 no International Wine Challenge.

>>> 5 lugares imperdíveis que servem brunch em Belo Horizonte

Técnica da dupla poda 

Vinhos fabricados: os principais são o Syrah (tinto) e Sauvignon Blanc (branco). Estão sendo desenvolvidos em menor escala Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Pinot Noir.

Área plantada: atualmente existem 120 hectares em produção e 150 hectares em formação. Em 2019 mais 50 hectares deverão ser implantados.

Produção: cerca de 500 mil garrafas na safra 2018. A previsão da Epamig é de chegar a 1 milhão de garrafas nos próximos dois anos (safra 2019/2020) e 2 milhões de garrafas nos próximos cinco anos.

Marcas premiadas:

MG: Maria, Maria, Luiz Porto (Cordislândia), Primeira Estrada (Três Corações), Casa Geraldo (Andradas)

SP: Casa Verrone (São José do Rio Pardo), Guaspari (Espirito Santo do Pinhal).

Onde pode ser aplicada:

É indicada paras as regiões Sudeste, Centro-Oeste e nas regiões de altitude do Nordeste, como a Chapada da Diamantina na BA. No Sul ela não se aplica, devido às baixas temperaturas do inverno, e também pela distribuição regular das chuvas ao longo do ano. No semiárido nordestino ela pode ser aplicada, mas as altas temperaturas durante o ano todo afeta negativamente a qualidade da uva.

Compartilhe

8 recomendações para você