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Barreado vira Prato da Boa Lembrança.
Barreado da chef Rosane reúne produdos classificados como “de origem” e “de indicação geográfica”.| Foto: Rosane Radecki

“Uma verdadeira jornada gastronômica pelas especialidades do nosso estado.” Assim a chef Rosane Radecki, do restaurante Girassol, em Palmeira, classifica sua criação deste ano para o Prato da Boa Lembrança. No barreado que a chef apresenta, ela conseguiu reunir produtos classificados pelo Sebrae/PR como “de origem” e  “de indicação geográfica.”

O barreado completo tem de entrada, queijo colonial Witmarsum com mel de Ortigueira, acompanhado de batida feita com cachaça de Morretes e melado de Capanema. Como principal, barreado com farinha de mandioca do litoral paranaense, acompanhado de tartar de banana. Fechando a experiência, café especial do Norte Pioneiro e balas de banana de Antonina.

Criado no Brasil em 1994 pelo chef italiano Danio Braga (em uma homenagem à versão italiana, o Buon Ricordo), o projeto da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança produz uma série de pratos artesanais e exclusivos por ano. Cada um dos restaurantes associados nas cinco regiões do país tem o seu e, para consegui-lo, é preciso sentar-se à mesa e comer o preparo temático do ano definido pelo chef do estabelecimento.

No Girassol, o barreado completo custa R$ 140 (para duas pessoas), com a cerâmica.

Barreado vira Prato da Boa Lembrança: arte da Birgitte Tummler.
Prato da Boa Lembrança 2021 do restaurante Girassol: arte de Birgitte Tummler. | André Bezerra

A viagem!

Embarquei com a Rosane e com o Fritz Kliewer, da Cavalgada dos Chefs, para Morretes e Antonina. A chef nos convidou para passarmos um dia visitando alguns produtores locais. Nosso objetivo foi ver de perto alguns processos de produção dos itens que vão compor o Prato da Boa Lembrança da chef paranaense. Juntaram-se a nós o casal de amigos Luiz Guilherme Peralta e Camila Simas, do restaurante Empório do Largo, onde almoçamos à beira do rio Nhundiaquara, em Morretes.

Farinha de Mandioca

Seu Luiz Firmino na farinheira artesanal, na Serra do Mar.
Seu Luiz Firmino na farinheira artesanal que existe há mais de 30 anos. | André Bezerra

Localizada numa pequena casa de madeira, em meio à Mata Atlântica da Serra do Mar, a família Firmino produz farinha há décadas, desde quando a farinheira ainda era nas instalações do avô do seu Luiz, numa propriedade vizinha. A produção artesanal deste produto - que está em processo de reconhecimento como indicação de procedência  - resiste passando de geração em geração.

O seu Luiz Firmino produz farinha artesanalmente há quase 30 anos, mas os processos, muitas vezes, remontam ao século 19. Um exemplo é o cocho de madeira, de 1865. Segundo descreve o Sebrae/PR, as marcas de farinha de mandioca que vierem a receber  o selo de Indicação de Procedência litoral do Paraná “serão percebidas como um produto originado da tradição familiar, garra e energia dos pioneiros, sua trajetória e a perpetuação secular da maneira como fazer.” Ainda de acordo com o Sebrae, a farinha apresenta características naturais que geram riqueza nutritiva e a capacidade de formar uma goma em um pirão ou o barreado, resultando em prazer único e diferenciado.

Cachaça de Morretes

Adega Porto Morretes
Na Porto Morretes: a chef Rosane com Camila Simas, Luiz Guilherme, Agenor Macari Junior e Fritz Kliewer. | André Bezerra

Construída aos pés do Pico do Marumbi, Porto Morretes trabalha com tecnologia para a produção de cachaça, da matéria-prima até o engarrafamento do produto. Ali fomos recebidos pelo Agenor Macari Junior, master distiller e master blender na empresa. Ele nos acompanhou na visita guiada pelos setores e etapas de produção, da diluição, passando pela fermentação, destilação e armazenamento nas adegas.

Macari explicou que o alambique atende o mercado doméstico desde 2004. A partir de 2009 passaram a exportar cachaça, com o rótulo Novo Fogo. A Porto Morretes mantém plantações próprias de cana-de-açúcar no entorno do alambique e se utiliza de técnicas alinhadas aos melhores métodos para conceber o seu produto. Nós conferimos este cuidado de perto, durante a visita e degustação com o Macari. A Cachaça e Aguardente de Morretes também estão em processo de análise (pelo INPI) e, segundo o Sebrae, devem se tornar produtos de Indicação Geográfica no estado.

Balas de Banana

Na Fábrica de Balas Bananina, a chef Rosane com Maristela Mendes e Barbara Krenk.
A chef Rosane com Maristela Mendes e Barbara Krenk, da Fábrica de Balas Bananina. | André Bezerra

Mais recente produto a ser reconhecido com o selo de Indicação Geográfica – com este, são nove no Paraná -  as balas de Banana de Antonina não poderiam ficar de fora do Prato da Boa Lembrança da chef Rosane. Por isso fomos visitar a fábrica das Balas Bananina. Fundada em 1973, a indústria familiar já está na terceira geração pelas mãos da Maristela e da Bárbara Krenk, mãe e filha, respectivamente filha e neta do Antonio Olmir Mendes, ou “Seu Miro”, um dos três fundadores da fábrica. E foram as duas que nos receberam e acompanharam na visita pelas etapas da fabricação das balas, totalmente artesanais, e na loja, repleta de produtos de fábrica e da região.

Serviço
Restaurante Girassol - BR-277 Jd. Farajala, R. Amin Bacila, Palmeira. Importante verificar sobre as restrições dos decretos da pandemia, que podem alterar o funcionamento do restaurante. Telefone: (42) 3252-1778. Informações no site e no Instagram @restaurante.girassol

* André Bezerra é cronista de gastronomia - Instagram @andrebezerraoficial

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