Cafés especiais da Mantiqueira de Minas ganham título de Denominação de Origem
| Foto: Letícia Akemi

Os produtores de café da região de Mantiqueira de Minas, no sul do estado de Minas Gerais, conquistaram um importante título: passaram do status de Indicação de Procedência para o patamar da Denominação de Origem Mantiqueira de Minas, o que torna o produto da região ainda mais especial. O reconhecimento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é para o café verde em grão e ao café industrializado torrado em grão ou moído da localidade.

O registro é concedido quando as condições geográficas garantem qualidades específicas a determinado produto ou serviço. Neste caso, a Denominação de Origem indica que os cafés produzidos na Mantiqueira de Minas possuem características vinculadas à geografia local, levando-se em conta fatores naturais, como clima, solo, vegetação e altitude, além dos fatores humanos, como a tradição e a história dos produtores.

Os cafés cultivados no local estão acima de 1.040 metros de altitude e possuem acidez cítrica e elevada, corpo denso e sedoso e finalização longa e prazeirosa. Na colheita, 100% manual, são extraídos frutos mais maduros e uniformes, que correspondem a uma produção de aproximadamente 1,2 milhão de sacas ao ano.

No total, são 56 mil hectares ao cultivo de café, divididos entre 8,2 mil produtores, dos quais 82% são da agricultura familiar. A região premiada compreende 25 municípios: Baependi, Brasópolis, Cachoeira de Minas, Cambuquira, Campanha, Carmo de Minas, Caxambu, Conceição das Pedras, Conceição do Rio Verde, Cristina, Dom Viçoso, Heliodora, Jesuânia, Lambari, Natércia, Paraisópolis, Olímpio Noronha, Pedralva, Piranguinho, Pouso Alto, Santa Rita do Sapucaí, São Gonçalo do Sapucaí, São Lourenço, São Sebastião da Bela Vista e Soledade de Minas.

A colheita do café em Mantiqueira de Minas é 100% manual. Foto: Reprodução/Instagram
A colheita do café em Mantiqueira de Minas é 100% manual. Foto: Reprodução/Instagram

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira (Aprocam), Lucas Alckmin, a Denominação de Origem coloca o café da Mantiqueira em um novo patamar. "É um selo que qualifica e reconhece o diferencial dos aromas e sabores produzidos a um custo alto, com modo de produção intensivo", explica. Com a Denominação de Origem, a associação espera fortalecer a exportação do produto - hoje em torno de 20% - e o turismo da região, que fica próxima à cidade turísticas como Campos do Jordão.

Para a diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Vanusia Nogueira, a conquista é o reconhecimento ao trabalho dos cafeicultores da região, que sempre voltaram sua atenção ao cultivo de grãos diferenciados.

"Tudo começou no final do século XX, quando os produtores investiram na produção por via úmida, os cerejas descascados e despolpados, o que, logo nos primeiros anos do século XXI, fez com que conquistassem, pela primeira vez, o título do Cup of Excellence, o principal concurso de qualidade do mundo", recorda.

A regão de Mantiqueira de Minas é montanhosa. Foto: Divulgação/Mantiqueira de Minas
A regão de Mantiqueira de Minas é montanhosa. Foto: Divulgação/Mantiqueira de Minas

Localizada no lado de Minas Gerais da Serra da Mantiqueira, no sul do Estado, a região possui tradição secular na produção de cafés de qualidade, sendo uma das mais premiadas do Brasil. Seus cafés refletem a combinação de um terroir único e do saber fazer local que busca continuamente a excelência. A Denominação de Origem Mantiqueira de Minas é a evolução da IG de Indicação de Procedência que a região detinha até o dia 9 de junho.

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