Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Cipria especiarias
As favas de baunilha africanas foram o pontapé do Cipria, há 11 anos.| Foto: Leticia Akemi/Gazeta do Povo

De acordo com Maria Lucia Gomensoro, em seu Pequeno Dicionário de Gastronomia, os temperos e condimentos “eram considerados verdadeiros tesouros nas cozinhas medievais, sendo extremamente caros e usados pelos mais ricos. Em sua maior parte originários do oriente, foram levados para a Europa pelos mercadores nômades e exploradores”.

Se no oriente medieval estes itens tão indispensáveis eram considerados verdadeiros tesouros, no ocidente moderno a importância não mudou absolutamente nada – pelo contrário. O uso destes ingredientes na cozinha é o que dá um toque todo especial e individual na experiência.

E é no alto do bairro São Francisco, na capital paranaense, que um “mercador moderno” oferece toda a sorte de temperos, chás, sais e as coloridas e aromáticas masalas. Logo no acesso à Cipria há uma pista de que se trata de um logradouro cosmopolita: bandeiras de diversos países se enfileiram ao longo do muro do estacionamento.

Mundo aqui

Cipria é tocado por Saulo
Saulo chegou a cursar administração e economia, tentou um mestrado em história, mas foi a cozinha que o fisgou para os negócios.| Leticia Akemi/Gazeta do Povo

Ao entrar na casa, um grande mapa mundi remete às antigas rotas das especiarias. E, no mesmo salão aromático, embalagens contendo pequenas porções de curry, ervas de provence, diferentes qualidades de sal, chás e as disputadas favas de baunilha brasileiras e importadas saltam aos olhos dos clientes.

À frente de tudo isso está Saulo de Souza Santos Calliari, um egresso da administração de empresas e da economia que se encantou pelas especiarias do mundo. Ele chegou a começar um mestrado em história, mas não concluiu.

Formou-se cozinheiro profissional pelo Senac e fez diversos cursos dentro e fora do Brasil, dentre eles panificação, charcutaria, ervas e chás. Além da loja em Curitiba, mantém uma fazenda de permacultura e agricultura orgânica em Ilhéus, na Bahia, com um sócio.

Lá eles produzem, atualmente, mais de 200 espécies vegetais orgânicas. Entre elas estão cacau, cupuaçu, açaí, pimenta do reino, noz moscada, cravo, cardamomo, baunilhas, rambutão, pitanga, acerola, umbu, guaraná, pimenta longa e especiarias raras.

Radar próprio

Cipria temperos e condimentos
Os temperos e condimentos são importados com uma curadoria do próprio Saulo.| Leticia Akemi/Gazeta do Povo

Sobre a Cipria, estabelecida há onze anos por Saulo, ele conta que “tudo começou com as favas de baunilha orgânicas do projeto UVAN, na Uganda, que combate o tráfico dos diamantes de sangue”. As importações vêm, atualmente, de mais de 70 países por um “radar próprio” – ou, em outras palavras, garimpados a dedo.

Seguramente aí está o grande diferencial do que se encontra neste santuário. Ao longo dos anos o Saulo foi se especializando nas minúcias que envolvem a importação de especiarias oriundas de todas as partes do mundo.

O trabalho dele envolve desde a curadoria dos melhores produtos, o desembaraço para que possam chegar na loja e serem estocados, manuseados, embalados em pequenas porções e, finalmente, comercializados. Quando não vão direto para a panela, as especiarias da Cipria se transformam em chocolates, gin e produtos de charcutaria, entre outros.

“Somos conhecidos pela qualidade e excelência dos nossos produtos e serviços”, conclui o “mercador” que revela, ainda, que os principais parceiros hoje são as cooperativas orgânicas no Brasil.

A palavra Cipria significa cidadã do Chipre, país onde eram descartadas as especiarias falsificadas que vinham pela Rota da Seda ao império romano. Saulo esclarece a respeito dizendo que “nossa empresa faz mais do que processar alimentos. Ela pratica uma curadoria precisa de ingredientes finos e de altíssimo padrão”.

Futuro

No quintal em volta da casa, ele começou a desenvolver uma espécie de “piloto” do que deseja realizar na fazenda “Bagunça”, em Ilhéus: criar um centro de permacultura para levar chefs e gourmands a vivenciar o cultivo e manejo de especiarias, convivendo com especialistas em cada área de interesse.

A intenção é, também, auxiliar crianças carentes com uma escola e ecovila, além de inspirar chefs e artistas envolvidos com permacultura e conservação ambiental e social.

Serviço:
Cipria Ervas e Especiarias
Rua Duque de Caxias, 476, São Francisco, Curitiba.
41 3206-0440 / @cipriabrasil

Conteúdo editado por:Guilherme Grandi
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]