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Como tirar fotos da comida deixa a refeição mais prazerosa

A ciência explica o mais recente ritual que envolve a experiência gastronômica; veja o que pensam os donos de restaurantes de Curitiba

  • PorJúlia Ledur, especial para a Gazeta do Povo
  • 04/07/2016 15:00
Como tirar fotos da comida deixa a refeição mais prazerosa
| Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images | Getty Images

De uns tempos para cá, o rito da experiência gastronômica ganhou um novo elemento: a fotografia. Afinal, quem nunca se gabou de uma receita nova clicada ou mostrou com satisfação pela tela do celular o prato que comeu em algum restaurante? Fazer fotos de comida – de vários ângulos e com uma infinidade de filtros de imagem – se tornou comum nos dias de hoje, às vezes até como uma espécie de diário alimentício virtual, sobretudo em plataformas como Instagram que, em 2015, contava com 29 milhões de usuários ativos por mês no Brasil.

Uma das consequências mais visíveis da nova moda é que até cozinheiros amadores, ao preparar uma receita em casa, cuidam mais dos detalhes e procuram deixar o prato mais bonito.

A mania explicada pela ciência

O resultado da facilidade em atualizar a vida virtual são perfis lotados de registros de alimentos, refeições saborosas e toda sorte de receitas. Difícil é preparar uma comida apetitosa e servi-la a convidados sem que alguém saque a câmera do celular para registrar o alimento. Mas por que o hábito, moda ou mania de fotografar tudo que parece apetitoso? A ciência explica. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Minnesota e da Harvard Business School em 2013, os rituais que precedem a refeição podem fazer com que o consumo do alimento se torne mais prazeroso, pelo simples fato de aumentar o envolvimento do indivíduo com o que ele está prestes a ingerir, deixando a experiência mais intensa.

Um experimento realizado pela equipe, convidou 52 pessoas a comer uma barra de chocolate. Metade do grupo foi orientada a, antes de saborear o alimento, quebrar a barra ao meio, sem desembrulhá-la da embalagem, tirar o papel de uma metade, comer, e depois fazer o mesmo com a outra parte. O outro grupo não recebeu instruções específicas. Os participantes da primeira equipe, que completaram um ritual antes de comer o doce, classificaram o chocolate como mais saboroso. Entretanto, não o elogiaram tanto quando observaram o ritual ser completado por outra pessoa.

De acordo com os pesquisadores, seja quebrando barras de chocolate ou clicando os alimentos, rituais que envolvem a comida valorizam a experiência gastronômica.

A indignação em Nova Iorque

A prática de fotografar a comida é potencializada nos restaurantes. Mas os cliques que satisfazem muitos definitivamente não agradam a todos. Um restaurante de Nova Iorque ficou famoso em 2013 por divulgar um manifesto anônimo sobre o uso do aparelho celular dentro do local. O texto que viralizou na internet descrevia as filmagens da câmera de segurança do restaurante nos anos de 2004 e 2014, comparando o comportamento dos clientes nas duas ocasiões. A conclusão: o aumento da duração das refeições, de 1 hora e 5 minutos em 2004 para 1 hora e 55 minutos em 2014.

O aumento se deve, segundo o autor do texto, à distração com os celulares. Na data mais recente, os clientes tiram fotos do local e têm problemas para conectar-se ao wi-fi, além de continuarem checando o aparelho enquanto leem o menu. Em outras ocasiões os fregueses pedem para os garçons tirarem fotos ou esbarram em outros clientes ou nos próprios garçons ao entrar no restaurante ou ir embora, enquanto digitam mensagens.

O que pensam os chefs

Para o chef e empresário Beto Madalosso, que já trabalhou em Nova Iorque, o uso excessivo do celular na cidade norte-americana tem uma explicação. “Lá, as pessoas são muito mais individualistas, comem sozinhas na maioria das vezes”, diz. “No meu restaurante, como os clientes normalmente vão em grupo, não existe esse problema”. O motivo para tantos registros, segundo ele, é que “também existe ostentação na comida”.

Já o proprietário do restaurante Chalet Suisse, Alexandre Saredi, concorda com algumas considerações da publicação americana. “O que às vezes me irrita um pouco é que o prato chega na mesa e o cliente pede para o garçom ficar tirando foto. Às vezes o restaurante está movimentado e isso acaba atrapalhando o serviço”, diz, explicando que não há incômodo quando o próprio cliente tira fotos dos pratos. O grande problema, segundo Saredi, é a falta de interação por conta do celular. “O casal vai lá e fica mexendo no celular em vez de aproveitar o momento, tomar o vinho”.

O outro lado

A mesma conectividade que irrita alguns pode, entretanto, ter efeitos benéficos para os estabelecimentos. Na era da instantaneidade e das hashtags, a foto que aumenta o tempo da refeição e atrasa o trabalho dos garçons pode ser uma forma de divulgação do restaurante, seja pela propaganda de um prato bem apresentado na linha do tempo do amigo ou pelas recomendações nos inúmeros aplicativos que atribuem notas aos locais e selecionam dicas de usuários.

Além das possíveis mídias espontâneas, existe, é claro, a facilidade das reservas online que, na teoria, economizam tempo da equipe de funcionários, assim como os serviços de pagamento pelo aparelho celular, mais comuns nos Estados Unidos.

Os benefícios das fotografias são reconhecidos por David Eddy Louis, chef do Bistrot do David, que adora os cliques. “Eu me jogo na frente da câmera pra tirar foto junto”, brinca. “Para nós, é divulgação, é apoio. Acho que é uma forma muito bonita de os clientes compartilharem o restaurante em que foram e gostaram”. E os cliques no bistrô francês não são poucos. Segundo o chef, não há casal que não saque o celular para registrar a refeição. “Antigamente era menos comum, mas hoje todo mundo faz”, diz.

“Não temos Wi-Fi, conversem entre si”

Quase todo mundo já viu uma placa com esses dizeres. Os encontros à moda antiga são incentivados por alguns estabelecimentos, que não necessariamente se indignam com o uso da tecnologia. É o caso do Supernova Coffee, que não tem wi-fi e dá espaço na parede para uma placa: “É offline que a vida acontece”.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O barista Luiz Eduardo Melo explica que o objetivo é estimular as pessoas a conversarem e interagirem mais, além de aprenderem as curiosidades sobre a bebida que consomem. “A ideia é que as pessoas façam uma pausa e apreciem mais o café. É uma forma de fazermos com que elas repensem a atitude de ficarem conectadas o tempo todo”, diz. Mas nem por isso o celular não é bem-vindo. “Nós achamos ótimo quando os clientes tiram fotos, porque cada imagem tem uma história. Cada um tem um ponto de vista diferente sobre o nosso café”, aponta Melo.

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