Uvas brancas produzidas no semiárido nordestino.
Uvas brancas produzidas no semiárido nordestino.| Foto: Giuliano Pereira/Embrapa

Você sabia que no semiárido brasileiro, no Vale do São Francisco, há uma grande produção de vinhos? A região, que se consolidou como polo produtor de vinhos finos e redesenhou o mapa vinícola do país, está cada vez mais perto de dar um importante passo: ter o reconhecimento de Indicação de Procedência (IP) do Vale do São Francisco para vinhos finos tranquilos e espumantes. A IP é uma das modalidades do sistema de Indicação Geográfica, que se refere à região pela produção, fabricação ou extração de determinado produto ou serviço. Vale lembrar que no Brasil, a primeira Indicação Geográfica registrada foi a do Vale dos Vinhedos, responsável por 90% da produção viticultora nacional.

O pedido está em análise no Instituto Nacional da Propriedade Industrial ( INPI ) desde dezembro e, agora, aguarda apenas a última etapa, que é o reconhecimento pelo órgão. A Indicação de Procedência é resultado de pesquisas desenvolvidas em parceria entre o setor produtivo e a Embrapa Uva e Vinho e torna o Brasil pioneiro em todo o mundo.

“Essa será a primeira Indicação de Procedência de vinhos de regiões tropicais do mundo, utilizando o modelo estrutural similar às Indicações Geográficas adotadas por renomados produtores da União Europeia,” comemora o pesquisador da Embrapa Giuliano Pereira, que coordenou o processo.

Região será a primeira em todo o mundo a ter vinhos tropicais. Foto: Divulgação/Embrapa
Região será a primeira em todo o mundo a ter vinhos tropicais. Foto: Divulgação/Embrapa

A obtenção do registro de procedência vai aprimorar ainda mais a qualidade dos vinhos que chegam aos consumidores, garantindo produtos de origem qualificados. A conquista também ajuda a promover e a ampliar a visibilidade da região produtora, estimulando o enoturismo e fortalecendo a vitivinicultura. Hoje, as principais marcas produzidas na região que chegam ao consumidor são a Botticellli, a Bianchetti, Rio Sul e a Terranova, produzida pela gaúcha Miolo no nordeste brasileiro.

Uma importante característica dos vinhos tropicais é que eles podem ser produzidos e comercializados durante o ano inteiro. O colunista do Bom Gourmet, Guilherme Rodrigues, já visitou a região e destaca que são produzidos especialmente bons espumantes brancos e rosés. “Uma das particularidades da produção é que as parreiras, devido ao clima, ficam em estado de dormência. Quando são irrigadas, elas retomam o ciclo vegetativo e voltam a produzir. Isso permite ter mais safras ao longo do ano e, também,  vinhos mais novos, o que é uma boa característica para os frutados”, explica. 

Segundo o pesquisador Giuliano Pereira, os vinhos tropicais do Vale do São Francisco são na sua maioria jovens, frescos, aromáticos. Os tipos de produtos autorizados na identificação de procedência são os vinhos tranquilos brancos, tintos e rosés e vinhos espumantes brancos e rosés (bruts, demi-secs e moscatéis), elaborados com 100 % de uvas produzidas na área geográfica delimitada.

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