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Em Curitiba

Já aberto em soft opening, Jamie’s Italian tem data para inauguração oficial

Confira a entrevista com o chef britânico Jamie Oliver que abre sua casa oficialmente no dia 15 de junho

por Talita Boros Voitch Publicado em 06/06/2018 às 16h
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O restaurante Jamie’s Italian, do chef-celebridade Jamie Oliver, inaugura oficialmente no Pátio Batel, em Curitiba, no dia 15 de junho. Até lá permanece funcionando em soft opening (atendendo um número limitado de pessoas por dia), como está desde o feriado de Corpus Christi no início deste mês. A inauguração oficial estava prevista para o dia 30 de maio, mas os planos foram adiados por causa da greve dos caminhoneiros que prejudicou o abastecimento de ingredientes.

Oliver esteve pela primeira vez no Brasil há quatro anos, na final da Copa do Mundo, no Maracanã. Um dos maiores – senão o maior – chef-celebridade do mundo, Jamie é reconhecido por levantar a bandeira da alimentação responsável, fresca e saudável, com menos açúcar e industrializados. Na ocasião, criticou o brigadeiro, o quindim e outros dos nossos doces cheios de leite condensado e caiu em desgraça entre os brasileiros que o seguem nas redes sociais. “Esse gringo não pode vir aqui e criticar a nossa cultura, nossa tradição”. Mais ou menos por aí.

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Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Quem acompanha o trabalho de Jamie sabe que ele prioriza preparos caseiros, com pouco ou nada de misturas prontas ou artificiais em seus programas de televisão e inúmeros livros temáticos de receitas, feitas com poucos ingredientes ou para quem tem pouco tempo para cozinhar. Chegou, inclusive, a cobrar um pequeno “castigo” – leia-se custo a mais na conta – dos clientes que optavam por beber refrigerante em seus restaurantes na Inglaterra.

Por isso, em 2016, causou estranheza quando se aliou à Sadia para lançar uma linha de comida congelada no Brasil. A jornalistas Jamie disse que só aceitou a parceria depois que a indústria modificou questões tidas como importantes, como a qualidade da alimentação dos animais e as plantas das granjas. Além disso, completou que é preciso trabalhar em escala maior para alcançar mais pessoas. E, claro, acreditar na mudança.

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A relação do britânico com o Brasil já havia avançado e se consolidado no ano anterior, quando abriu as portas de seu primeiro restaurante das Américas em São Paulo. A rede Jamie’s Italian serve comida italiana com pegada contemporânea. A legítima Itália na visão do cozinheiro, que tem o chef italiano Gennaro Contaldo como amigo e mentor. Foram duas unidades, uma na capital paulista, outra em Campinas, no interior do estado, antes de chegar a Curitiba.

Lizandro Lauretti, chef de cozinha e sócio da marca no Brasil, resume bem o espírito do Jamie’s Italian. Baseado na alimentação fresca e de qualidade, sem esquecer que precisa servir e atender clientes e fazer o restaurante um negócio viável.

“Vamos até aonde dá. Nossa pegada é fazer da melhor maneira possível. Não adianta querer eu ser ultraorgânico para tudo e não chegar a um custo final viável, não impactar muita gente. Nós nos baseamos em preço acessível e boa alimentação”, resume Lauretti, que recebeu a reportagem do Bom Gourmet com exclusividade durante os últimos acertos e testes da equipe no Jamie’s Italian de Curitiba, no shopping Pátio Batel.

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Lizandro Lauretti. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.

Há uma série de exigências de responsabilidade e procedência, boas práticas de produção e certificações para quem produz alimentos – seja de origem animal ou vegetal – para as unidades brasileiras da rede de restaurantes. Todos os peixes e camarões que são utilizados na cozinha vêm de maricultura, ou seja, são cultivados e não pescados. A carne suína é fornecida por um produtor de Mococa, no interior de São Paulo, que cria os porcos soltos em uma antiga fazenda cafeeira, que hoje produz carne de qualidade e exporta café sombreado para o Japão.

O salão atende 148 pessoas sentadas e tem uma bela vista para o Bosque Gomm. A cozinha é totalmente aberta, para o gosto de quem conseguir uma mesa próxima ao balcão.

Confira a entrevista que o chef Jamie Oliver deu, por e-mail, à Gazeta do Povo:

Por que você escolheu Curitiba para abrir o terceiro Jamie’s Italian no Brasil?

Curitiba é uma cidade grande, movimentada e com muita coisa acontecendo. Há uma cena cultural, política e econômica grande, o que significa que também há muitas pessoas que saem e gostam de comer fora de casa. Queríamos dar chance para mais pessoas e trazer o Jamie’s Italian para um novo público.

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Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O cardápio de Curitiba tem alguma adaptação de ingredientes para priorizar os regionais?

Onde quer que estejamos no mundo, minha equipe busca os melhores produtores locais para aproveitar ao máximo os incríveis ingredientes cultivados localmente. No Brasil temos as frutas e vegetais. Em diversas formas, vários dos meus ingredientes favoritos vêm do Brasil – pimentas, tomates e batatas – e vocês vão encontrá-los em todo o cardápio.

Como foi a adaptação do cardápio quando você abriu o primeiro Jamie’s Italian no Brasil?

É muito importante ouvir e analisar as diferentes culturas e gostos. Nós tivemos que mexer um pouco no menu para ter certeza que ele refletisse o Brasil.

Quais aspectos locais foram considerados para estas mudanças?

Sabemos, por exemplo, que os brasileiros amam carne. Por isso, buscamos cortes bovinos de alta qualidade. Além disso, vocês também encontrarão no restaurante todos os meus pratos italianos favoritos, porque afinal tudo é por isso, mas também poderão desfrutar de uma boa massa com caipirinha.

Qual é a sua percepção sobre os sabores e gostos dos brasileiros?

Eu sou um grande amante da comida brasileira porque ela é muito diversificada. A energia do povo brasileiro – e a variedade de comida que vocês têm – me lembra o Mediterrâneo. Isso torna a comida brasileira confortável para mim, mas amo quando os sabores ficam mais tropicais também. Vocês têm ingredientes incríveis, como nunca vi antes. Na última vez que estive no Brasil participei do programa É de Casa, da TV Globo, e eles me mostraram centenas de frutas que até meus amigos brasileiros nunca tinham visto. A produção a que vocês têm acesso é fantástica.

As sobremesas do Jamie’s Italian são menos doces ou têm adaptações para reduzir o uso do açúcar?

Minha equipe trabalhou duro nos últimos dois anos para diminuir o açúcar das nossas sobremesas. Conseguimos reduzir em 20% até agora e estamos procurando maneiras para diminuir ainda mais. Honestamente, vocês não vão notar diferença já que elas ainda são muito saborosas. Sobremesas existem para serem degustadas com um gostinho especial, então não queremos tirar toda a diversão delas.

Depois que você abriu o primeiro Jamie’s Italian no Brasil você mudou a sua opinião sobre a gastronomia brasileira?

Minha opinião muda cada vez que eu visito o país. Meus operadores dos restaurantes no Brasil são muito divertidos, pessoas que são genuinamente apaixonadas por comida. Eles me levam em lugares inusitados para comer, me mostram ingredientes surpreendentes e cozinham para mim em casa. Então estou constantemente aprendendo aqui e sempre inspirado.

Qual a sua opinião sobre prêmios e rankings como o dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo? Eles refletem a realidade?

É ótimo dar um pouco de amor e credibilidade aos grandes talentos e chefs, mas é bom relembrar que as avaliações são subjetivas. A comida que me deixa super animado geralmente não tem esse tipo de reconhecimento porque nos rankings eles procuram um estilo de serviço muito específico. Eles são úteis e eu os considero, mas acho que se é nos 50 Melhores ou no TripAdvisor, o melhor jeito de formar sua opinião é conversando com as pessoas.

Você tem planos em desenvolver outros projetos no Brasil? Como aquelas séries que você viaja pelo país conhecendo pratos e cozinhando, por exemplo?

Nós definitivamente continuamos buscando oportunidades para abrir mais restaurantes.

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