Tecnologia

O futuro é aqui

Restaurante nos EUA substitui cozinheiros por sete robôs

O Spyce, em Boston, tem processos automatizados para funções que vão desde pegar os ingredientes da geladeira até o empratamento

por The Washington Post Publicado em 19/05/2018 às 16h
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Cozinhar é uma arte ou uma ciência? Para alguns, esse debate é inesgotável. Mas no Spyce, o último experimento culinário em automação, essa dúvida parece ter sido solucionada. Fundada por um grupo de mais de 20 engenheiros robóticos do Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT) em conjunto com o chef Daniel Boulud – estrelado no guia Michelin –, o novo restaurante no centro de Boston passa a ideia de que montar um prato pode estar bem mais ligado à ciência que à espontaneidade.

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Foto: cortesia da Spyce para o The Washington Post.

Os fundadores do restaurante substituíram chefs de cozinha por sete panelas de cozimento automatizadas que preparam, simultaneamente, pratos em três minutos ou menos. Uma breve descrição da preparação dos pratos segundo o co-fundador de 26 anos Michael Farid, é que elas se parecem mais como instruções de um laboratório do que com a cozinha convencional.

“Uma vez que o pedido foi feito, temos um sistema de entrega de ingredientes que pega eles na geladeira”, conta Farid. “Os ingredientes são porcionados e entregues a uma frigideira robotizada a 230 graus C, onde são cozidos e grelhados. Quando o processo está completo, a frigideira é inclinada para baixo e despeja a comida dentro de um bowl. Então ela está pronta para ser guarnecida e servida”.

A Spyce se declara “o primeiro restaurante do mundo com uma cozinha robotizada que prepara pratos complexos”. Essa definição que faz referência aos robôs que apenas viram os hambúrgueres, como o Flippy, que ficava em um comércio na Califórnia até ser temporariamente suspendido por não estar funcionando rápido o suficiente.

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flippy robô cozinheiro

Flippy, o robô cozinheiro.

O protótipo da robótica da Spyce’s foi montado pela primeira vez no porão da fraternidade dos co-fundadores no MIT. A experiência de jantar no restaurante começa um pouco antes dos robôs serem envolvidos, quando os clientes criam pratos customizados que custam 7,50 dólares usando telas touch screen coloridas. Com muitos vegetais e grãos saudáveis, os pratos incluem uma contagem de calorias, e tem temas como latino, thai e mediterrâneo.

Enquanto os pratos são preparados, o nome do cliente aparece em um display eletrônico acima da frigideira, mostrando o pedido. Quando o prato é finalizado, um jato de água quente é disparado sobre a frigideira antes de outro conjunto de ingredientes entrarem. Farid conta que eles decidiram colocar os chefs robotizados em um lugar visível para os clientes para remover qualquer mistério remanescente. “Nós não queríamos criar uma caixa preta que produz um prato”, afirma ele. “Queríamos tornar essa experiência empolgante”.

Tecnologia e culinária

O lema do restaurante é: “Excelência culinária elevada pela tecnologia”. Esse lema está sendo adaptado por toda a indústria de restaurantes segundo os especialistas. De acordo com um relatório do ano passado do Instituto Global McKinsey, restaurantes ao redor dos Estados Unidos já incorporaram tecnologias automatizadas, como clientes fazendo seu próprio pedido e entrega de pratos automatizada.

O relatório concluiu que trabalhos que envolvem “atividades físicas previsíveis”, como cozinhar e servir comida, limpar cozinhas, coletar louça suja e preparar bebidas estão mais suscetíveis à automação.
“De acordo com nossas análises, 73% das atividades que os trabalhadores têm no serviço de comida e acomodações têm potencial de serem automatizadas, baseado em considerações técnicas”, diz o relatório.

restaurante spyce boston eua

Foto: Reprodução Facebook.

Como a indústria do trabalho humano tende a custar mais barato que contratar robôs, eles ainda não foram adotados por muitos lugares, afirma o relatório. Quando as tecnologias se tornarem mais baratas e acessíveis, entretanto, isso pode mudar.

A Spyce contrata diversas pessoas, um detalhe que os fundadores do restaurante enfatizam quando explicam o conceito. O restaurante conta com um “guia amigável”, que dá assistência aos clientes enquanto estão pedindo e perguntar sobre como está sendo o dia deles. Há também humanos que preparam a comida durante a madrugada, além de uma pessoa que tem a função de adicionar os toques finais aos pratos antes de serem servidos, como sementes de abóbora, coentro e queijo de cabra.

Farid afirma que os robôs adicionam eficiência e reduzem custos operacionais, mas se recusou a dizer em quanto. Ele disse que enxerga os robôs aprimorando na experiência de jantar, mas não quis especular se o Spyce está abrindo as compotas de uma revolução de robôs que acabam com os empregos.

“Nosso restaurante é muito eficiente porque as pessoas focam naquilo que as pessoas são boas, mas os robôs aguentam o grande volume de pedidos – como cozinhar e limpar – que são coisas nas quais eles são bons. “No final do dia, nosso produto não é um produto tecnológico – é uma experiência e uma refeição deliciosa”.

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