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expansão internacional

Bares e restaurantes brasileiros abrem no exterior com cardápio adaptado e serviço à brasileira

Seja com unidade própria ou por franquia, casas apostam no serviço e adaptam cardápio para conquistar clientela

por Flávia Schiochet Publicado em 16/02/2018 às 19h
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O que é mais brasileiro? Croissant, cheeseburger, café com leite ou combinado de sushi? A resposta não é tão simples quanto parece. Ainda que o Brasil seja conhecido pela sua bebida cafeinada, as especialidades mencionadas são o carro-chefe de restaurantes brasileiros que estão abrindo unidade em outros países. São pelo menos quatro: Café du Centre, Madero, Brooklyn Coffee Shop e Taj, respectivamente.

O apelo do restaurante brasileiro não é apenas a nacionalidade do que está sendo servido. Passa também pelo serviço e pela combinação de ingredientes. “Percebemos que um dos nossos grandes pilares, que é o atendimento e proporcionar qualidade na experiência é um dos grandes diferenciais nos Estados Unidos também. Os americanos estão acostumados com um atendimento ágil, que cobra a conta sem o cliente pedir. Nós queremos é que o cliente se sinta à vontade”, define Rafael Melo, vice-presidente de operações do grupo Madero. A rede de restaurantes paranaense abriu uma unidade em Miami, Flórida, há dois anos, e planeja abrir mais uma em território norte-americano em 2018.

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Fachada da unidade do Madero em Miami, aberta em 2016. Foto: Divulgação

Fachada da unidade do Madero em Miami, aberta em 2016. Foto: Divulgação

No mesmo estado, há nove meses, abriu a primeira unidade do Brooklyn Coffee Shop, cuja primeira unidade é de 2010, em Curitiba. “Descobrimos que precisamos usar esse lance brasileiro para nos diferenciar. Não servimos açaí e pastel no Brooklyn de Curitiba porque esses pratos são fáceis de encontrar aí, mas aqui são um chamariz”, explica Daniel Carvalho, proprietário do Brooklyn Coffee Shop.

O conceito da casa é o mesmo: uma cafeteria que serve almoço, sanduíches (hambúrguer não pode faltar) e sobremesas tipicamente norte-americanas, como cookies e banana bread. “Tem pratos que só servimos aqui porque não faz sentido no Brasil, como o avocado toast. Eles comem muito mais ovo pochet, eggs benedict. Esses pratos não fariam tanto sucesso no Brasil”, explica Daniel.

Latinos amam feijão preto

Por ter uma grande massa de imigrantes latino-americanos, a Flórida carrega um sotaque hispânico também no cardápio. É o caso da inclusão de feijão preto e da carne de porco. Um dos sanduíches exclusivos do Brooklyn Coffee Shop em Orlando é o Cubano Sandwich, um prensado feito com porco assado, presunto, queijo suíço, aioli em um pão leve, com textura similar ao de leite.

Cubano Sandwich, uma especialidade do Brooklyn Coffee Shop de Orlando, na Flórida. Foto: Divulgação

Cubano Sandwich, uma especialidade do Brooklyn Coffee Shop de Orlando, na Flórida. Foto: Divulgação

A leguminosa é a base do hambúrguer vegetariano do Brooklyn Coffee Shop e também do “prato feito” servido no almoço. “Adaptamos o PF de um prato raso, que é comum no Brasil, para um bowl. Servimos arroz e feijão com frango empanado”, conta Daniel.

“Em Miami incluímos feijão preto como acompanhamento das carnes, algo que não temos nas 110 unidades do Madero no Brasil”, contou Rafael. O restaurante do chef Junior Durski incluiu também o espetinho de picanha, um dos mais vendidos do cardápio americano.

Em outro contexto, as adaptações no cardápio do TAJ são previstas. O forte do bar é a coquetelaria e a cozinha indo-asiática. “Qualquer loja fora de Curitiba tem uma margem de 20% do cardápio para regionalizar. Então tanto a unidade do TAJ em Brasília e Balneário Camboriú, quanto Assunción, no Paraguai, terão diferenças no cardápio”, explica Gustavo Ferreira, sócio do TAJ.

Adaptações no cardápio

Também inspirada em uma cultura gastronômica externa, mas aberta inicialmente no Brasil, é o Café du Centre, uma cafeteria ao estilo francesa inaugurada em abril de 2014 em Itapema, Santa Catarina. No primeiro semestre de 2018 duas franquias abrirão no exterior: uma em Calgary, no Canadá, e outra em Londres. Em Curitiba, há uma unidade da cafeteria no bairro Batel.

A única alteração no cardápio será a ausência de empanadas argentinas, pois encontrar um fornecedor nos países citados é mais difícil, além de adaptar alguns ingredientes. “Croissant existe em qualquer canto do planeta e será nosso carro-chefe em qualquer lugar que abrirmos. Mas nossas taças de doce e cafés com algodão-doce também são marcas fortes”, define Bruna Vieira, uma das sócias.

As taças de sobremesa a que Bruna se refere são aquelas revestidas de brigadeiro e cobertas de frutas, bolos e outras sobremesas e terão chocolate ao leite derretido no lugar do brigadeiro, por ser mais caro comprar leite condensado e preparar o doce brasileiro no exterior.

As taças de sobremesa do Café du Centre: Taça Rafaello, Du Centre, Curitiba e Fantastique. Foto: Reprodução/Facebook.

A mesma necessidade de “encurtar” o cardápio foi para a franquia do TAJ em Assunción, no Paraguai, que abre no final de fevereiro no Plaza Moiet, um complexo gastronômico com nove operações em uma das maiores avenidas da capital paraguaia, inaugurado em novembro. “Como a oferta de peixes é menor no Paraguai, a variedade de sushi será mais restrita na franquia do TAJ em Assunción. Ainda estamos vendo fornecedores”, diz Gustavo.

Na coquetelaria, a carta se mantém intacta, uma vez que os bartenders são os responsáveis pelo preparo de vermute, xaropes e angostura, por exemplo. “Não encontramos um bom fornecedor de massa para rolinho primavera, uma das entradas do cardápio. Por enquanto vamos levar do Brasil”, comenta Gustavo. O esforço logístico encarece a operação.

Salão do TAJ em Assunción, no Paraguai, primeira unidade do estabelecimento fora do Brasil. Foto: Divulgação

Salão do TAJ em Assunción, no Paraguai, primeira unidade do estabelecimento fora do Brasil. Foto: Divulgação

Para a operação do Madero, levar a mão de obra brasileira foi determinante. “Conseguimos otimizar a operação sem onerar”, diz Rafael. Assim como no Brasil, a unidade nos EUA do Madero é a responsável pelo preparo diário do hambúrguer (os cortes de carne e o fornecedor são os mesmos e do Madero no Brasil, e a carne é moída na cozinha do restaurante), molhos e sobremesas. O pão, feito em uma panificadora parceira, é finalizado no restaurante. A mão de obra é brasileira e passou pelo treinamento no centro do grupo em Curitiba, uma das marcas da gestão do grupo.

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