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Em taça

Máquinas de vinho: bons rótulos a preços mais baixos

Equipamento permite que a garrafa fique ‘aberta’ por até um mês sem perder a qualidade, o que possibilita colocar vinhos mais caros à disposição dos clientes e facilitar a harmonização

por Gilson Garrett Jr. Publicado em 17/02/2014 às 19h
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Para que o vinho não entre em contato com o oxigênio, a máquina injeta gás argônio alimentar ou  nitrogênio para preencher o espaço vazio. Foto: Divulgação.

Para que o vinho não entre em contato com o oxigênio, a máquina injeta gás argônio alimentar ou nitrogênio para preencher o espaço vazio. Foto: Divulgação.

 

Chegar a um restaurante e pedir um vinho em taça nem sempre é garantia de ter à disposição grandes rótulos. Um dos motivos é o possível, e quase inevitável, prejuízo que ocorre, pois o vinho em contato com o ar perde as principais características em poucas horas. E é justamente nesta lacuna que as máquinas dispensadoras da bebida pretendem atuar.

Embora já existam no Brasil há algum tempo, estes equipamentos só começaram a ganhar a confiança de restaurateurs e consumidores curitibanos há cerca de um ano. Para quem compra, a vantagem é econômica — grandes rótulos ficam à disposição, sem necessidade de comprar uma garrafa inteira. Mas sem perder a qualidade.

Para o presidente da Associação Brasileira de Sommeliers – Paraná, Andersen Prado, como não há contato com o ar, o vinho não perde suas principais características. “Posso afirmar que essa máquina é uma tendência mundial. É muito difícil uma pessoa abrir três garrafas para fazer uma harmonização. Com a taça fica mais fácil”, avalia.

Há várias marcas existentes no país, mas o princípio de funcionamento é o mesmo. A máquina geralmente tem lugar para quatro garrafas e dispensa três quantidades de vinho pré-programadas. Assim que o líquido cai na taça, é injetado um gás (pode ser nitrogênio ou argônio alimentar) para preencher o espaço vazio. “Com essa tecnologia, o vinho não entra em contato com o oxigênio e resiste até um mês ‘aberto’, dependendo do rótulo”, explica o sommelier e proprietário do restaurante Alessandro & Frederico, Dionísio Chaves.

 

Funcionário do C La Vie opera uma máquina Enomatic, uma das fabricantes. Foto: Divulgação

Funcionário do C La Vie opera uma máquina Enomatic, uma das fabricantes. Foto: Divulgação

 

Na unidade de Curitiba são quatro máquinas que têm no total 16 rótulos. “Temos uvas de vários tipos: Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah/Shiraz; alguns vinhos portugueses e até vinhos brancos”, diz.

Além do recém-aberto restaurante no Pátio Batel, a máquina pode ser encontrada em restaurantes como C La Vie, Olivença, Bar do Victor, Bistrô do Victor e Trattoria do Victor.

Um dos primeiros em Curitiba a ter o equipamento foi o C La Vie, há um ano e meio. O proprietário Raphael Zanette explica que a intenção era dar a oportunidade aos clientes de experimentar vinhos mais caros. “Como sempre tem o risco de perder, é difícil o empresário abrir bons rótulos e servi-los em taça. A máquina dá possibilidade de colocar garrafas mais famosas e célebres. A aceitação foi tão boa que atualmente não colocamos mais vinhos de baixo preço”, diz.

No restaurante, há duas máquinas com quatro garrafas cada. Nelas, entram somente vinhos a partir de R$ 200. “Já chegamos a colocar bebidas de R$ 1.500 e venderam bem”, afirma. Como a saída é grande, os vinhos não ficam mais que três dias no dispensador. No C La Vie, os clientes recebem um cartão consumação e podem sozinhos ir até a máquina e pegar a quantidade que quiser e quantas vezes desejar.

Zanette também é proprietário dos restaurantes Olivença, que tem equipamento semelhante, e Terra Madre, que deve ganhar a primeira dentro de um mês e meio.

Mesmo o valor da garrafa sendo alto, o preço da taça compensa, principalmente para quem quer harmonizá-la com os pratos. A quantidade de vinho na taça varia, mas em todos os restaurantes são três possibilidades: prova (com cerca de 30 ml), harmonização (com 80 ml, em média) e degustação (180 ml, em média). Independentemente do restaurante, todos cobram pela taça exatamente o valor total da garrafa (que geralmente tem 750 ml) dividido pela quantidade na taça. Se um vinho custa R$ 200, por exemplo, a taça de 80 ml sairá por aproximadamente R$ 23.

“Uma casquinha de siri pede um vinho mais leve. Enquanto uma moqueca combina mais com um vinho mais complexo,” afirma o empresário Francisco Urban, que mantém o equipamento em três de seus restaurantes (Bar, Bistrô e Trattoria do Victor). Neles, há vinhos de R$ 35 a R$ 140 (a garrafa) vendidos em taças.

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