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Patacón de carne.
Patacón de carne.| Foto: Divulgação/Sudaca

Pouco conhecido no Brasil, o termo sudaca surgiu na Europa como uma forma de designar pessoas da América do Sul de um modo depreciativo, mas nas últimas décadas, movimentos que lutam contra o preconceito, se apropriaram da expressão. E é justamente deste novo olhar que veio a inspiração para o chef Alirio Isea, o Ali, para batizar o seu café e bar, que abriu em janeiro, e também serve lanches rápidos inspirados nas raízes de suas terra natal, a Venezuela.

"A ideia foi fortalecer o caráter positivo da palavra para as nossas comidas, com especialidade na gastronomia latina", explica Ali, que já teve passagem pela cena gastronômica de Buenos Aires. Justamente pelo repertório dele, em breve o menu da casa vai ser ampliado para pratos de outros países da América de Sul. "Já estamos fazendo testes com as empanadas argentinas, que são diferentes das servidas no meu país".

Por ora, o menu tem uma pegada bem venezuelana, reforçada pelo trio formado pelos patacones, os favoritos da clientela, as arepas e as empanadas, que, diferentes das argentinas, são feitas com farinha de milho e fritas por imersão, que as deixam com aspecto visual semelhante a um risoles (R$ 8 a unidade). Aliás, a farinha é um diferencial no preparo, também, das arepas. "Usamos uma farinha venezuelana tipo exportação (Pan), que parece o fubá mimoso, é mais leve. Ela deixa as massas mais crocantes", explica Ali.

As empanadas são feitas com farinha de milho Pan e fritas por imersão.
As empanadas são feitas com farinha de milho Pan e fritas por imersão. | Divulgação.

A farinha é a base das arepas (R$ 16), preparos de formato cilíndrico e achatado crocantes por fora e macias por dentro, que são fritas e cortadas ao meio para receber o recheio. "As arepas, cuja criação é disputada entre Venezuela e Colômbia, são comuns nos cafés da manhã nas casas venezuelanas. Nas ruas, elas costumam ser mais elaboradas, com recheios diversos". Na hora de servir, as arepas fazem as vezes do pão dos sanduíches tradicionais, mas existe uma versão aberta e turbinada, que leva carne ou frango, ovo cozido, presunto, queijo de Minas, peito de peru, batata-palha, tomate, repolho e cenoura ralada (R$ 20).

Arepa na versão carne. Foto: Divulgação
Arepa na versão carne. Foto: Divulgação

Os patacones (R$ 16), que também são servidos recheados como se fossem um sanduíche, são feitos com outro ingrediente muito popular na Venezuela: a banana-da-terra. A receita parece simples: trata-se da banana prensada e frita, mas envolve algumas estratégias. "Quando ela é usada mais verde, fica mais crocante. Já a mais madura é naturalmente mais adocicada e usada na versão gratinada dos patacones", explica Ali.

O patacón com a banana madura é mais adocicado e servido gratinado. Foto: Divulgação
O patacón com a banana madura é mais adocicado e servido gratinado. Foto: Divulgação

As opções de recheio para os três preparos são as mesmas e as versões carne e frango levam um ingrediente polêmico: o coentro. "O nosso coentro é fresco e é usado em uma quantidade que dá apenas um toque especial, sem tomar conta dos ingredientes", garante Ali.

O recheio de carne, cujo preparo leva em torno de duas horas e meia, é feito com fraldinha cozinha na pressão com alho, pimenta do reino e outros temperos, além do já citado coentro. "Depois de cozida, a carne é desfiada e fica bem macia". O frango leva a mesma base de temperos, mas é apresentado com pedaço mais inteiros. Além das opções carne e frango, que são servidos nos patacones e arepas com alface,tomate e queijo Minas, há ainda a oferta do recheio de queijo e presunto, que também vai acompanhado de alface e tomate.

O menu da casa também incluí os tequenhos, salgados feitos com massa de pastel enrolada no recheio de queijo de Minas (R$ 8, três unidades), pastel (R$ 6) e hambúrgueres (R$ 16 a R$ 24) e ainda opções de doces para harmonizar com o cafezinho. Há desde a venezuelana Marquesa, um pudim com biscouto servido com calda de frutas (R$ 5), a bolos com ou sem calda (R$ 6 a fatia).

Bebidas

Como o próprio nome indica, o Sudaca Coffee Bar é um ponto de venda de cafés tradicionais e bebidas alcoólicas, como cervejas, vinhos argentinos e chilenos e alguns drinks, como piña colada e cuba libre. Mas no menu de bebidas, de longe, o que mais chama a atenção é a Chicha. Quem já provou a culinária peruana possivelmente já tenha experimentado a Chicha Morada, uma bebida adocicada feita à base de milho roxo.

A chica venezuelana (R$ 10 o copo e R$ 22 a jarra), ao contrário do que se possa pensar, nada tem a ver com o milho: é preparada a partir do macarrão! Ao prová-la, no entanto, é difícil imaginar que o inusitado ingrediente faça parte do preparo, que consiste em uma bebida adocicada e espessa, com textura próxima a de uma vitamina.

"O macarrão é cozido por 40 minutos, com outros ingredientes, como leite condensado, canela e baunilha", explica Ali. Depois de lentamente cozinho, a mistura é batida e servida com calda de caramelo. Há, ainda, a versão chichafé, que leva um leve toque de café no preparo.

A chicha é feita de macarrão cozido com leite condensado. Foto: Divulgação
A chicha é feita de macarrão cozido com leite condensado. Foto: Divulgação

Serviço

Sudaca Coffee Bar
Onde: Rua Dr. Faivre, 1.119 e no delivery (próprio e Ifood)
Mais informações: @sudacacoffee

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