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Conheça o tradicional ritual etíope de preparar e servir café

Bom Gourmet esteve em Adis Abeba, capital desse país africano, onde descobriu como o café etíope virou tradição e ganhou notoriedade mundo afora

por Anderson Hartmann, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 23/07/2019 às 19h
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Adis Abeba (Etiópia) – Sensorial, exótico, memorável, aromático. Assim é o ritual do café na Etiópia. O ambiente da cafeteria To.Mo.Ca, um dos mais tradicionais da cidade, é decorado com verde e perfumado com incenso. Os apreciadores da bebida sentam-se ao redor de uma espécie de altar com todos os apetrechos necessários para que se inicie a cerimônia do café.

Responsável por seu preparo, a senhora do café veste trajes típicos – uma forma de destacar que apenas mulheres podem realizar o ritual. O perfume da torra do grão se une ao do incenso; juntos se espalham pelo ambiente – uma espécie de convite aos apreciadores dessa bebida responsável por uma produção mundial equivalente a mais de 167 milhões de sacas (dados de dezembro de 2018 da OIC – Organização Internacional do Café).

Ritual etíope do café na cafeteria To.Mo.Ca. Foto: Anderson Hartmann / Gazeta do Povo.

O ritual etíope do café

O ritual começa com a senhora do café trazendo os grãos para a mesa e, em seguida, lavando-os. Na sequencia, ela prepara o fogo para realizar a torra. Com a brasa bem quente, os grãos vão para uma espécie de panela ou tigela de barro e a torra começa.

É a mulher que, com movimentos delicados, nunca para de mexer o café até que ele atinja o grau de torra desejado. A essa altura, com seu aroma invadindo o olfato, já estamos salivando à espera de uma das bebidas mais apreciadas do mundo.

Tradição diz que café deve ser servido acompanhado de alguma guloseima, como pipoca. Foto: Anderson Hartmann / Gazeta do Povo.

Depois que o grão está torrado, o café é moído em um pilão e o pó é colocado com a água quente em um bule rústico que conta com um sistema de filtragem. Em pouco tempo, o café está pronto para ser servido nas xícaras e ser apreciado por seus admiradores.

Atenção a alguns elementos peculiares, como as pipocas, por exemplo (diz a lenda que o café deve ser servido junto com alguma guloseima), que se juntam ao aroma do café e ao cheiro do incenso e tornam o sabor da bebida etíope inesquecível.

Como tudo começou?

Acredita-se que foi na região onde atualmente fica a Etiópia que tudo começou. São inúmeras as histórias de como teria sido descoberto o café no mundo, mas possivelmente a mais famosa seja a lenda de Kaldi. Um pastor etíope que, há cerca de 1000 anos, encontrou suas cabras comendo frutos vermelhos de alguns arbustos e, em seguida, teriam apresentado um comportamento agitado.

Intrigado com a situação, Kaldi resolveu provar esses frutos e o resultado foi que não conseguiu dormir à noite. Assim teriam sidos descobertos os cafezais. Mito ou não, uma coisa é certa: daí em diante foi um pulinho para o café da Etiópia conquistar o mundo. Há quem diga que muitos escravos teriam disseminado a cultura do café pelos quatro cantos, levando consigo os grãos mundo afora.

Mulheres são as responsáveis pelo ritual de preparo do café na Etiópia. Foto: Anderson Hartmann / Gazeta do Povo.

Na Antiguidade, a Etiópia foi uma nação muito rica e próspera, tendo estabelecido estreitas relações com o Egito por causa de sua rota comercial pelo Rio Nilo. De uma nação poderosa, se transformou em um dos países mais pobres do mundo.

Mas uma coisa não mudou. O ato de beber café é um costume que perpassa o prazer de se degustar a bebida e de sociabilizar, hoje se trata de um ritual valorizado e respeitado neste que é o quinto maior produtor de grãos de café no mundo – o Brasil ocupa a primeira posição, com 35% do consumo mundial, ante os 5% da Etiópia.

Serviço

Cafeteria To.Mo.Ca
Wavel street, perto da Churchill Ave
Adis Abeba – Etiópia – África
Aberta todos os dias das 6h30 às 20h30

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Tags: café etiópia
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