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Quais são as informações importantes no rótulo traseiro do vinho

O rótulo traseiro do vinho traz importantes informações sobre onde e como o vinho é produzido. Entenda no que você deve prestar atenção

por The Washington Post Publicado em 03/07/2017 às 18h
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Você costuma ler o que está escrito no rótulo traseiro da garrafa quando você compra ou toma um vinho? O rótulo pode ter muitas informações, além dos onipresentes alertas do governo. Com frequência há jogadas de marketing, uma frase ou duas sobre a paixão do produtor e de sua ligação com a terra.

É possível também encontrar análises químicas, a quantidade de pH e o nível de acidez do vinho, a quantidade de açúcar na hora do colheita (brix, medido em graus) ou do vinho finalizado (açúcar residual, em gramas por litro), dados que interessam apenas aos enófilos mais nerds.

Um vinho estrangeiro informa também o nome do importador, importante para saber a procedência, e o nível de álcool. O rótulo traseiro revela também alguns indícios sobre o produtor e como o vinho foi feito, embora essa informação nem sempre seja clara ou completa. As palavras-chave para buscar são “engarrafado por” ou as variações “produzido e engarrafado por“.

Alguns vinhos são “armazenados” enquanto outros são “vinificados“. O que significam essas definições? Se você é um bebedor casual que não quer gastar muito, as diferenças podem ser insignificantes, mas para alguns colecionadores essas informações indicam a qualidade do vinho.

“Precisamos colocar os holofotes sobre esse assunto interessante”, diz Michael Kaiser, vice-presidente da WineAmerica, distribuidora com base em Washington. “Muitos consumidores têm uma visão distorcida de como o vinho é feito. Eles imaginam uma sala de degustação com janelas para os vinhedos cujas uvas são cultivadas e elaboradas no local”.

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Informações nos rótulos traseiros

As normas que regulamentam as informações dos rótulos não explicam claramente o processo.

– “Cultivado, produzido e engarrafado por” significa que o enólogo cultiva as uvas na própria vinícola. Esse é o rótulo mais detalhado e o vinho é o que mais chega perto à visão idealizada que nós temos dos produtores artesanais que trabalham em suas próprias vinhas.

– “Cultivada na propriedade“: a vinícola e os vinhedos ficam em uma das áreas estabelecidas pelo governo americano (AVA, American Viticultural Area). Essa expressão é usada com frequência ao lado da primeira, “cultivado, produzido e engarrafado por”.

– “Produzido e engarrafado por“: ao menos 75% das uvas foram vinificadas na vinícola. Isto significa que parte do produto final pode ser um blend. Muito provavelmente, o enólogo comprou uvas de outros produtores e vinificou na sua propriedade.

– Vinhos que sofreram alterações, como por exemplo os fortificados ou os carbonatados (que levam adição de dióxido de carbono), pode também conter o termo “produzido”.

“Armazenado” ou “vinificado”: definições obscuras que indicam basicamente que o vinho foi comprado em grande quantidades e em seguida passou algum tempo na adega antes de ser engarrafado. Nesse processo, o vinho pode ter sido misturado com dois ou mais vinhos, ter adição de açúcar ou água, filtrado, pasteurizado, ter adição de aromas ou simplesmente refrigerado.

Digamos, por exemplo, que um produtor compra zinfandel de Paso Robles [localidade da Califórnia] e mistura com outro zinfandel de Sonoma ou do Vale Central, e no rótulo coloque zinfandel da California: eEsse vinho pode levar a definição “vinificado” no rótulo. E aqui que o consumidor passa a ter uma percepção errada.

“Vinificado pode dar a impressão que o vinho foi produzido inteiramente na vinícola que engarrafou, mas não é esse o caso”, diz Kaiser. Segundo ele, algumas vinícolas usam o termo “vinificado” como sinonimo de “produzido”, enquanto poderiam usar uma denominação mais precisa.

Se o vinho é bom, tudo isso é relevante? Provavelmente não pela maioria das pessoas. Mas em uma época em que cresce a consciência sobre onde é produzida nossa comida e fabricada nossa cerveja, os produtores e os enólogos são considerados astros do rock, e estamos dispostos a pagar um pouco mais por autenticidade e qualidade, essas distinções têm relevância. E algumas pessoas realmente levam a sério.

“A pergunta número um que fazemos na nossa sala de degustação é: ‘Essa uva é da vinícola?’ ou ‘Esse vinho é realmente seu?’, pergunta Katie DeSouza, enóloga assistente da vinícola Casanel, em Leesburg, no estado de Virgínia.

DeSouza pode ter levantado outra pergunta que vale a discussão – a origem do vinho local. Mas a questão fica: se você está procurando um vinho que expressa o trabalho artesanal do produtor, do cuidado com o vinhedo ao engarrafamento do vinho, leia o rótulo traseiro.

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