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Rótulos gaúchos dominam a Avaliação Nacional de Vinhos 2016: veja quais são

O Bom Gourmet acompanhou a 26ª edição do evento, que elege os melhores vinhos brasileiros da safra 2016, realizado neste sábado (24) em Bento Gonçalves

por Flávia Schiochet Publicado em 25/09/2016 às 17h
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avaliação nacional de vnhos 2016

Avaliação Nacional de Vinhos de 2016 contou com a prsença de 850 degustadores. Foto: Jeferson Soldi/Divulgação.

Os vinhos gaúchos dominaram a Avaliação Nacional de Vinhos 2016, competição que elege os melhores vinhos do Brasil da última safra. Após um processo de seleção, a degustação final das amostras foi realizada neste sábado (24) em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

Apesar da quebra de safra que marcou a produção deste ano, a prova mostrou uma diversidade de uvas nunca vista antes. Pela primeira vez, entre as 16 amostras presentadas, os degustadores apreciaram 11 castas diferentes: Chardonnay, Riesling Itálico, Sauvignon Blanc, Moscato Giallo, Merlot, Marselan, Tempranillo, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Tannat e Alicante Bouschet.

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Durante a avaliação foram servidas 90 garrafas de cada uma das 16 amostras para um público que ultrapassou 850 degustadores, entre sommeliers, enólogos e enófilos. A degustação foi conduzida por um painel formado por 15 comentaristas que tinha entre seus convidados jornalistas especializados e enólogos de diversos países como Bélgica, Grécia, Reino Unido, Estados Unidos e Chile.

“A Degustação de Seleção tem caráter didático para os enólogos, pois permite uma contextualização da qualidade dos vinhos de diferentes categorias, isto é, como a produção nacional está evoluindo” explica o chefe geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus.

Os vinhos apresentados na avaliação foram selecionados entre 241 amostras de 46 vinícolas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Um grupo de enólogos e sommeliers degustou às cegas todas as amostras e selecionou 30% das mais representativos. Neste ano, foram 75. Destes, 16 foram escolhidos para apresentar ao público: oito tintos, cinco brancos e três espumantes (veja a lista abaixo).

“O ano foi difícil, mas quem soube trabalhar terá vinhos espumantes excelentes como este, elegante, cítrico, floral, com tensão e perfeito para a segunda fermentação”, comenta Marcelo Copello, jornalista e autor do blog Vinoteca, que degustou o Chardonnay da Domno do Brasil.

Algumas taças depois, Juan Carlos Rinón, jornalista do Reino Unido, falou sobre um Sauvignon Blanc produzido pela Rasip Agropastoril, em Vacaria: “Nariz mineral com notas cítricas e maracujá. Boca elegante, fresco, vibrante. Um vinho que não busca exotismo e representa bem esta parte do Brasil”.

Quebra de safra

A vindima de 2016 não foi das mais alegres para os produtores brasileiros, especialmente os do Rio Grande do Sul, estado responsável pela maior produção de uvas e vinhos do país. A quebra foi de 58% devido a adversidades climáticas e a geada negra, mas o menor volume de uvas não quer dizer vinhos inferiores em qualidade. Ao contrário: mesmo com menos matéria-prima, os produtores tiveram uma boa safra para fazer vinhos elogiados, que muitos degustadores comentaram ser a cara do Brasil.

Sobre um tinto de Marselan da Casa Valduga, o sommelier e consultor Diego Arrebola comentou: “É um vinho competitivo e tem um diferencial pela uva. Acredito que os produtores deveriam investir mais em uvas como esta e sair do lugar comum do Cabernet Sauvignon e Chardonnay“.

Da Dunamis Vinhos e Vinhedos, de Dom Pedrito, o selecionado foi um Tannat. Pascal Marty, enólogo francês, fez um elogio bem-humorado: “Me impressiona e, como produtor de vinho no Chile, me dá medo ver que a qualidade do vinho brasileiros está crescendo tão rapidamente. Nota-se que há técnica”.

***

Veja os 16 rótulos selecionados na Avaliação Nacional de Vinhos

Categoria Vinho Base para Espumante
Chardonnay – Casa Venturini Vinhos e Espumantes (Flores da Cunha – RS)
Chardonnay – Domno do Brasil (Garibaldi – RS)
Chardonnay/Pinot Noir – Vinícola Geisse Ltda. (Pinto Bandeira – RS)

Categoria Branco Fino Seco Não Aromático
Riesling Itálico – Vinícola Salton (Bento Gonçalves – RS)
Chardonnay – Cooperativa Agroindustrial Nova Aliança (Santana do Livramento – RS)
Chardonnay – Basso Vinhos e Espumantes (Farroupilha – RS)

Categoria Branco Fino Seco Aromático
Sauvignon Blanc – Rasip Agropastoril (Vacaria – RS)
Moscato Giallo – Vinícola Don Guerino (Alto Feliz – RS)

Categoria Tinto Fino Seco Jovem
Merlot – Vinícola Casa Motter (Caxias do Sul – RS)

Categoria Tinto Fino Seco
Tempranillo – Miolo Wine Group Vitivinicultura (Bento Gonçalves – RS)
Marselan – Casa Valduga Vinhos Finos (Bento Gonçalves – RS)
Cabernet Franc – Casa Perini (Farroupilha – RS)
Cabernet Sauvignon – Guatambu Estância do Vinho (Dom Pedrito – RS)
Cabernet Sauvignon – Vinícola Almaúnica (Bento Gonçalves – RS)
Tannat – Dunamis Vinhos e Vinhedos (Dom Pedrito – RS)
Alicante Bouschet – Dal Pizzol Vinhos Finos (Bento Gonçalves – RS)

*A repórter viajou a convite do Ibravin.

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