Bebidas

Bar do Celso

Saiba o que é Kveik (cueique): a nova queridinha dos cervejeiros

por Luis Celso Jr., especial para o Bom Gourmet Publicado em 02/12/2019 às 16h
Compartilhe

Na fabricação de cervejas muitas vezes se fala que as leveduras são os verdadeiros mestres cervejeiros. São elas que efetivamente transformam os açúcares do malte em álcool, gás carbônico e outros compostos, alguns deles bem importantes para o aroma e sabor de alguns estilos. A função do humano, então, seria preparar o terreno e garantir que esses trabalhadores tenham a nutrição e condição adequadas para trabalharem bem e felizes. E, principalmente, não estragar tudo.

copo-de-cerveja

Mudanças em novo decreto facilitam registros de cervejeiros artesanais e receitas que utilizam ingredientes à base de frutas e flores. Foto: Pixabay

>>> Você sabia que cerveja salgada e com fruta existe? Conheça 4 rótulos

A queridinha da vez dos cervejeiros é a Kveik – pronuncia-se algo como “cueique” –, que significa levedura em um dialeto da Noruega. Ela era usada em fazendas da região e mesmo em outros países, como Finlândia e Lituânia, para a fabricação da cerveja própria de cada fazenda.

É importante entender que no passado cada fazenda fazia a sua cerveja com uma receita própria e única misturando cereais, ervas, frutas, e tudo mais que se tinha direito, e de uma maneira bem rústica. A mesma coisa aconteceu na Bélgica e França, que também têm Farmhouse Ales próprias. Mas, diferente do contexto europeu, as fazendas nórdicas ficavam ainda mais isoladas, o que impediu a interferência de leveduras entre diferentes casas. Ou seja, existem várias Kveik, cada uma com características próprias que foram domesticadas e evoluíram separadamente.

No entanto, há pontos em comum. Por exemplo: todas são muito resistentes, o que dificulta que alguém estrague tudo. Funcionam em temperaturas altas, até 30°C ou 32°C enquanto Ales normais vão até 25°C ou 26°C. Também consomem mais tipos de açúcares, fermentam rápido e agressivamente, resultando em cervejas que ficam prontas em menos tempo e ficam mais secas. Eram também guardadas desidratadas em grandes anéis feitos de pedaços de madeira.

Em termos de aroma e sabor, podem ser mais neutras ou produzir ótimas notas frutadas, que variam de frutas cítricas, como laranja, a maduras, que lembra maçã vermelha, dependendo da cepa. Diferente das leveduras belgas e francesas de cervejas de fazenda, não costumam produzir notas de condimentos e especiarias. Por isso, estão sendo muito utilizadas para fazer diversos estilos, como as queridinhas IPAs.

Apesar das vantagens aqui serem mais nítidas para os cervejeiros do que ao consumidor, toda a inovação é bem-vinda quando bem utilizada. E quem sabe isso não abre precedentes para pesquisarmos mais sobre leveduras típicas pelo mundo? Estamos torcendo.

Thirsty Hawks Ovrebust Kveik

Estilo: Hazy or Juicy IPA
Embalagem: 473 ml
Teor Alcoólico: 6,7%
Origem: Niteroi (RJ)
Preço: R$ 30 e R$ 40

***

Infected Ruby Nectar Kveik

Estilo: American Fruit Beer (Hazy or Juicy IPA com framboesa, morango e grumixama)
Embalagem: 473 ml
Teor Alcoólico: 6%
Origem: Santos (SP)
Preço: R$ 35 a R$ 45

***

Bold Brewing Northern Lights

Estilo: American IPA
Embalagem: 473 ml
Teor Alcoólico: 6,5%
Origem: Fortaleza (CE)
Preço: R$ 30 a R$ 35

***

>>> Com puro malte em lata, Way Beer mira em popularizar o consumo de cerveja artesanal

VEJA TAMBÉM

Compartilhe

8 recomendações para você